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Regime islâmico

Corte Constitucional da Turquia anula eleições presidenciais

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A Corte Constitucional da Turquia, instância máxima do país, anulou na terça (1º/5) as eleições presidenciais. As informações são do site Findlaw. A oposição turca havia boicotado o pleito que seria feito no parlamento na quinta-feira (3/5) e liderou enormes protestos de centenas de milhares de turcos que se opõem à imposição de um regime político islâmico.

A decisão é uma derrota para o governo de orientação islâmica do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que esperava consolidar seu poder com a eleição do chanceler Abdullah Gul à presidência.

A Corte Constitucional manteve um apelo da oposição secularista que quer evitar que o candidato do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AK), o ministro das Relações Exteriores Abdullah Gul, vire chefe de Estado.

“Foi tomada uma decisão para interromper o processo”, disse Hasim Kilic, vice-chefe do tribunal, em uma entrevista coletiva. A Corte Constitucional disse que 367 membros do Parlamento teriam que estar presentes durante a votação para que fosse válida. Um total de 361 parlamentares votou na eleição de sexta-feira passada (27/4), 357 deles para Gul, o único candidato.

O primeiro-ministro Tayyip Erdogan deixou a porta aberta para uma possível eleição nacional antecipada para resolver a disputa entre seu governo e os secularistas turcos.

A Turquia vem sofrendo com o impasse na eleição presidencial, com uma ameaça de intervenção das Forças Armadas e um protesto antigoverno que reuniu até um milhão de pessoas.

O Exército, que se enxerga como o fiador do Estado secular, já derrubou quatro governos nos últimos 50 anos, o último em 1997, quando agiu contra um gabinete no qual servia Gul.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 2 de maio de 2007, 10h04

Comentários de leitores

1 comentário

Lamentável esse impasse turco. Não há mais, hoj...

Geisel Ramos (Cartorário)

Lamentável esse impasse turco. Não há mais, hoje em dia, como negar a importância que a Turquia possui no cenário mundial. Sua instabilidade afeta, e muito, o equilíbrio geopolítico euro-asiático. Mas provavelmente uma das falhas que ainda perduram, e que se evidencia sempre como uma aresta para, entre outras benesses, a aceitação da Turquia na União Européia, é essa "vista grossa" que o governo cultiva para com a influência dos movimentos fundamenalistas islâmicos locais (que se esmeram em deturpar a louvável doutrina maometana), apesar de o país possuir ("com muito orgulho!" diria umas amigas minhas de Istanbul) uma legislação secular - única naquela região - o que permitiu que a Turquia experimentasse toda sorte de promessas para uma "europeização", sem descaracterizar sua herança otomana. Pois é, ainda não saiu do papel, nem da cabeça de muita gente nos dois lados do Bósforo. A crise de identidade turca não pode mais perdurar. Lembro de um episódio, que passou num noticiário há alguns anos atrás, quando uma deputada entrou no parlamento turco usando o "hijab" (o véu característico das muçulmanas em alguns países). O restante dos presentes batiam nas suas mesas, gritando "fora! fora!", enquanto ela, candidamente, sentou-se em sua cadeira e sorriu. Dias depois, vim saber que aquela deputada recebeu uma censura e possivelmente seria cassada. Não acompanhei mais o caso - é público e notório o desinteresse que a imprensa brasileira alimenta quando o assunto é o mundo exterior, salvo quando é notícia do cenário econômico que virá nos influenciar fortemente ou determinado fuxico de artista famoso. Também me questiono se queria saber algo mais: havia radicalismo em ambos os lados; do que isso ajudaria a Turquia a se encontrar?

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