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Posição estratégica

Advogados ocupam cargos de direção em 9% das empresas

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Advogados ocupam cargos de direção em 9% das empresas. Foi o que constatou levantamento feito pelo advogado e coordenador do Ibmec Direito Jairo Saddi, com 500 empresas de capital aberto registradas na Comissão de Valores Mobiliários.

As empresas do setor de têxteis e vestuário são as que mais contratam advogados para cargos de direção. Na seqüência, aparecem as de siderurgia e metalúrgica, de acordo com o levantamento. Quando se trata da participação em conselhos de administração, os setores de produtos duráveis e não duráveis são os que mais contratam. Em contrapartida, o setor de varejo e veículos e peças não contam com advogados na direção.

O estudo, contudo, não conclui se 45 empresas serem conduzidas por advogados é muito ou pouco. Para Saddi, este é um mercado a ser explorado. Mas a falta de visão para negócios e estrito conhecimento dos aspectos legais na formação dos advogados prejudica a ocupação do cume empresarial pela advocacia.

Mas, de acordo com Carlos José Santos da Silva, conselheiro do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados, a presença do bacharel em Direito é cada vez maior na direção das grandes empresas, não só no jurídico. Segundo ele, o advogado possui uma nova formação e se tornou uma peça fundamental dentro das corporações. “Antes, estavam focados estritamente nos aspectos legais. Hoje, o advogado conhece os detalhes dos negócios”, assegura.

Carlos José diz que, de fato, falta orientação sobre administração para os advogados. No entanto, diz que uma visão empresarial é essencial para o profissional que pretende alcançar um cargo de direção. “Quem não conhece as estratégias de um bom negócio acaba perdendo espaço”, diz e recomenda que busquem informações em outras áreas.

Essa é uma ótima oportunidade aberta pelo mercado que não está sendo pouco aproveitada pelos advogados, alerta o coordenador do estudo Jairo Saddi. “Um conselho independente e com formação jurídica é um importante diferencial para dar rumos estratégicos à empresa”, diz.

O professor concluiu que o baixo índice de interferência dos advogados na condução de grandes empresas é resultado de fatores culturais e da formação técnica. É preciso que o profissional não se restrinja à doutrina, às leis e à jurisprudência — isto é, deixe o tecnicismo de lado — e passe a enxergar no seu entorno um panorama mais amplo, se quiser alçar uma posição de dirigente. “Se engenheiro pode chegar à presidência, por que advogados não?”, abre a discussão.

Nos Estados Unidos a situação é bem diferente. Lá, o número de bacharéis em Direito é muito parecido com o brasileiro, no entanto, 30% das grandes empresas possuem advogados no seu corpo diretivo.

Saddi diz que é preciso falar sobre administração para os advogados. Colocar essa matéria na pauta e no dia-a-dia desses profissionais é muito importante, não só para alcançar altos cargos, mas até para que possam gerir o próprio escritório.

Vocação para o Direito

Para Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB-SP, os advogados não chegam à direção das empresas simplesmente porque não querem se distanciar do exercício da profissão que escolheram para administrar. “Não é comum ver advogados na direção, a não ser de departamentos jurídicos. Essa não é a aspiração dos colegas que atuam no segmento”, diz.

Ele concorda com Saddi no sentido de que os advogados são carentes de formação na área administrativa, mas porque esse não é o foco da profissão. D’Urso conta que antes de ter o seu próprio escritório chegou à direção do departamento jurídico de uma empresa. Esse era o cargo almejado, desde que entrou como assistente e foi galgando postos. Nunca passou pela sua cabeça chegar à presidência. Para D’Urso, essa é uma questão de vocação. Um colega, que era formado em Direito e Administração, pensava em chegar lá.

O que D’Urso faz questão de ressaltar é a necessidade de os dirigentes das empresas terem mínimos conhecimentos de Direito para tomar decisões. Além do que, a presença de advogados nos conselhos administrativos também é uma boa forma de conduzir a empresa. “A visão empresarial é uma. A jurídica, é outra”, lembra.

Leia o levantamento


Setor

Advogados na Direção (%)

Advogados no C.A (%)

Agronegócio

11,76

17,50

Produtos duráveis e não duráveis

16,67

17,65

Construção

10,00

17,14

Energia Elétrica

5,77

8,90

Financeiro

7,89

13,48

Mineração

0,00

5,00

Papel e Celulose

7,69

16,22

Petróleo

13,79

16,92

Saúde

0,00

5,26

Saneamento Básico

0,00

6,25

Siderurgia e Metalurgia

18,75

13,64

Informática

0,00

4,35

Telecomunicações

13,16

13,19

Têxtil e Vestuário

21,43

11,43

Transporte e serviços

0,00

2,82

Varejo

0,00

0,00

Veículos e Peças

7,14

0,00

Média

9,21

11,19



 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 16 de junho de 2007, 0h00

Comentários de leitores

1 comentário

É de se preocupar...

Armando do Prado (Professor)

É de se preocupar...

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