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Transparência no consumo

Senado discute se nota fiscal deve mostrar tributos de mercadoria

A Comissão de Defesa do Consumidor do Senado deve discutir, na próxima terça-feira (10/4), o Projeto de Lei 174/06, que estabelece a divulgação nas notas fiscais de todos os impostos incluídos no preço do produto ou serviço adquirido.

A idéia é fazer valer o que determina o artigo 150, parágrafo 5º, da Constituição Federal: “a lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços”.

Segundo o projeto, “a população imagina que somente os que pagam imposto de renda realmente arcam com o maior ônus tributário, não vendo a realidade que se esconde sob os preços dos bens que adquire rotineiramente para sua sobrevivência e que a converte, sem exceções, em pagadora de tributos”.

O objetivo é fazer com que os consumidores “estejam aptos a analisar e discutir se os valores demonstrados atendem à sua capacidade contributiva geral, quando confrontada com as despesas que o poder público realiza e aos serviços que ele põe à disposição”.

Veja o projeto

PROJETO DE LEI DO SENADO N , DE 2006

Dispõe sobre as medidas de esclarecimento ao consumidor, de que trata o artigo 150, §5º, da Constituição Federal.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Art. 1º. Dos documentos fiscais ou equivalentes, emitidos por ocasião da venda ao consumidor de mercadorias e serviços, em todo o território nacional, deverá constar a informação do valor aproximado correspondente à totalidade dos tributos federais, estaduais e municipais, cuja incidência influi na formação dos respectivos preços de venda.

§ 1º. A apuração do valor dos tributos incidentes deverá ser feita em relação a cada mercadoria ou serviço, separadamente, inclusive nas hipóteses de regimes jurídicos tributários diferenciados dos respectivos fabricantes, varejistas e prestadores de serviços, quando couber.

§ 2º. A informação de que trata este artigo poderá constar de painel afixado em local visível do estabelecimento, ou por qualquer outro meio eletrônico ou impresso, de forma a demonstrar o valor ou o percentual, ambos aproximados, dos tributos incidentes sobre todas as mercadorias ou serviços postos à venda.

§ 3º. Devido ao seu caráter informativo, do valor aproximado a que se refere o caput deste artigo, não serão excluídas as parcelas de tributos que estejam sob discussão judicial ou administrativa, instauradas entre contribuintes e qualquer das entidades políticas tributantes, não podendo, ademais, o referido valor, constituir confissão de dívida ou afetar as relações jurídico-tributárias entre tais entidades e os contribuintes, de direito ou de fato.

§ 4º. Os tributos que deverão ser computados são os seguintes:

a. Imposto sobre Operações relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS);

b. Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS).

c. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);

d. Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF);

e. Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IR);

f. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);

g. Contribuição Social para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) - (PIS/PASEP);

h. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS);

i. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (CIDE);

j. Contribuição Social incidente sobre a Folha de Salários (INSS);

k. Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF).

§ 5º. Serão informados ainda os valores referentes ao imposto de importação, PIS/PASEP/Importação e COFINS/Importação, na hipótese de produtos cujos insumos ou componentes sejam oriundos de operações de comércio exterior e representem percentual superior a 20% do preço de venda.

§ 6º. Em relação aos serviços de natureza financeira, quando não seja legalmente prevista a emissão de documento fiscal, as informações de que trata este artigo deverão ser feitas em tabelas afixadas nos respectivos estabelecimentos.

Art. 2º. Os valores aproximados de que trata o art. 1º serão apurados e fornecidos, semestralmente, por instituição de âmbito nacional, reconhecidamente idônea, voltada primordialmente à apuração e análise de dados econômicos.

Art. 3°. Dê-se a seguinte redação ao inciso III do art. 6°, da Lei n° 8.078, de 11 de setembro, de 1990:

"Art. 6º

III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem."

Art. 4º. Dê-se a seguinte redação ao inciso IV, do art. 106, da Lei nº8.078, de 11 de setembro de 1990:

"Art. 106º

V - informar, conscientizar e motivar o consumidor através dos diferentes meios de comunicação, bem como indicar a entidade responsável pela apuração, cálculo e informação do montante dos tributos incidentes sobre mercadorias e serviços, nos termos da legislação específica."

Art. 5º. O descumprimento desta Lei acarretará as sanções previstas na Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990.

Art. 6º. Esta Lei entra em vigor 60 (sessenta) dias após a data de sua publicação."

JUSTIFICAÇÃO

Fazer com que os consumidores de mercadorias e serviços tomem conhecimento do montante dos tributos que incidem sobre tais bens é imperativo constitucional. Não se trata de mera recomendação ou de norma programática inserida na Carta de 1988. Cuida-se, em verdade, de preceito cujo disciplinamento pelo legislador ordinário virá dar aplicabilidade a mais um dos direitos fundamentais do consumidor contribuinte, até agora insuscetível de ser exercido por todos quantos trabalham para sustentar o aparelho do Estado.

Em nosso país, não há quem se exima desse ônus, uma vez que os tributos que mais gravam as mercadorias e serviços, já integram os respectivos custos e preços, não sendo claramente explicitados. Por este motivo e, com a provável exceção do IPTU e do IPVA, bem conhecidos, a população imagina que somente os que pagam Imposto de Renda realmente arcam com o maior ônus tributário, não vendo a realidade que se esconde sob os preços dos bens que adquire rotineiramente para sua sobrevivência e que a converte, sem exceções, em pagadora de tributos.

Assim, o esclarecimento deste fato passa a inserir-se no âmbito da própria cidadania, na medida em que são os cidadãos que aprovam, através de seus representantes na Casas Legislativas, os tributos que estão dispostos a pagar. O exercício da cidadania, em sua plenitude, exige tais informações, para que os eleitores, a quem os representantes do povo devem submeter-se politicamente, estejam aptos a analisar e discutir se os valores demonstrados atendem à sua capacidade contributiva geral, quando confrontada com as despesas que o Poder Público realiza e aos serviços que ele põe à disposição.

A regulação do § 5º do art. 150, da Constituição Federal é, portanto, um dever inadiável do Congresso Nacional. Com efeito, este dispositivo se refere aos impostos, nada impedindo, contudo, que o parlamento, no âmbito de sua competência constitucional, também agregue os valores relativos às contribuições de que trata o art. 149 da Carta Federal. Esta medida é necessária porque, em 1988, as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico tinham pouca expressão no total do ônus tributário. Nos últimos dezessete anos, ditas contribuições passaram a ter peso relevante, como é do conhecimento de todos.

Ao tornar transparentes os valores pagos ao estado brasileiro, permitindo ao consumidor contribuinte cotejá-los com aquilo que dele recebe, os seus representantes lhe estarão dando o melhor instrumento possível de avaliação do comportamento do Poder Público em face dos cidadãos.

Este é o propósito básico do projeto ora apresentado, isto é, converter o contribuinte que paga em cidadão capaz de exigir a correta aplicação de seus recursos.

Tendo em vista tal objetivo e, em virtude da complexidade que a matéria encerra, por força do sistema federativo de nosso país, julgamos prudente deixar expresso que os valores a serem demonstrados serão "aproximados" e que seu cálculo deverá ser feito por uma instituição reconhecidamente idônea. Pode notar-se também que foram incluídos vários tributos da União, 1 (um) dos Estados e Distrito Federal (ICMS), e 1 (um) dos Municípios (ISS). O que importa, na verdade, é que o consumidor contribuinte tenha uma visão aproximada dos recursos que está destinando ao Poder Público, quando adquire mercadorias e serviços.

Convicto da constitucionalidade, da legalidade, da regimentalidade e do inegável mérito desta proposta de lei, conclamo os Nobres Parlamentares a discuti-la, a apoiá-la e a aprová-la com a brevidade que a cidadania requer.

Sala das Sessões,

Senador Renan Calheiros

Revista Consultor Jurídico, 5 de abril de 2007, 0h01

Comentários de leitores

4 comentários

Dizia um articulista americano que nós brasilei...

morja (Advogado Autônomo)

Dizia um articulista americano que nós brasileiros somos ricos e sabe por quê? Pagamos mais impostos que os ricos americanos de primeiro mundo que desfrutam de toda a tecnologia de ponta. Isso arrepia os cabelos de qualquer ente ao saber dessa comparação, outro fato é que por falta de detalhe vamos pagar o telefone mais caro, pois as empresas mandam nos optar por cobrança de minuto ou por impulso, como fazer uma comparação se essas empresas que dominam a ANATEL não detalham em conta telefônica os minutos do consumido em suas notas fiscais? Quando estão cobrando pelos impulsos, uma idéias que tenho com relação a cobrança por minutos que a lei exigisse das empresas de telefonia a colocação na casa de cada usuário um contador de tempo para o controle do consumidor, quando do recebimento da fatura, saber quanto vai pagar e se o tempo da nota é igual ao tempo registrado no seu aparelho. Isso como acontece com a energia elétrica e a água, quem quer vender têm que provar o consumo e não registrar nas centrais sem dar direito de defesa ao consumidor, isso tudo sem custos ao consumidor com aluguéis e venda desses medidores, consagrado em jurisprudência quando de uma demanda com as empresas de energia elétrica Como poderá o consumidor optar por um ou por outro? Aberrações brasileiras de um país legalista em que leis trazem esses absurdos, o brasileiro é vitima de tais absurdos, esse sistema deveria ser proposto depois que os usuários tivessem o antigo sistema informado em suas faturas o tempo gasto no custo de suas ligações e aí ele pudesse avaliar o qual seria mais econômico entre os dois.

Desculpem o comentário anterior que saiu errado...

Ezac (Médico)

Desculpem o comentário anterior que saiu errado Toda nota deveria vir c/ o imposto e isto já seria um treinamento para ter imposto agregado e com cada estado cobrando o que achar suficiente. Vejam os países desenvolvidos e por favor imitem, pois do jeito que está NÃO TEMOS CONDIÇÃO DE SABERMOS O QUE PAGAMOS E NÃO TEMOS CONTROLE ALGUM SOBRE O QUE O ESTADO ARRECADA ( e a consequente roubalheira).

Toda nota deveria vir c/ o imposto e já seria u...

Ezac (Médico)

Toda nota deveria vir c/ o imposto e já seria um treinamento para ter imposto agregado e cada estado cobrando o que achar suficiente. Vejam os países desenvolvidos e por favor imitem, pois do jeito que é NÃO SABEMOS O QUE PAGAMOS E NÃO TEMOS CONTROLE ALGUM SOBRE O QUE O ESTADO ACERRADA ( ea consequente roubalheira).

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