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Falta mulher

Apenas 14% dos candidatos às eleições são mulheres

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Falta mulher na eleição. A Lei Eleitoral determina que cada partido reserve 30% de suas candidaturas para as mulheres. Além disso, 51,5% do colégio eleitoral brasileiro são do sexo feminino. Mesmo assim, apenas 14% dos 19.166 candidatos que disputarão as eleições de outubro são mulheres. O dado faz parte do levantamento estatístico divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral sobre os candidatos. Além do sexo, o levantamento faz o corte do conjunto de candidatos por escolaridade e por idade.

Pelo estudo do TSE, fica-se sabendo que as unidades da federação que dão mais chance ao eleitorado feminino são o Distrito Federal, que tem 20% de candidatas mulheres, e Tocantins, com 19. No outro extremo, a Paraíba, com 7,7% de candidatas, e Goiás, com 9%, oferecem menos vagas para as mulheres.

Apenas duas mulheres entraram na corrida para chegar à presidência da República. Uma é a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), que desponta com surpreendentes 10% nas pesquisas eleitorais e com grande potencial para crescer ainda mais, segundo os especialistas. A outra é Ana Maria Teixeira Rangel (PRP-SP), que caminha em sentido contrário: com um pedido de impugnação pendente de julgamento, sua candidatura corre risco de cancelamento.

O mais baixo índice de participação feminina se registra nas eleições para a Câmara dos Deputados: 12,48%. O índice é muito parecido com o da disputa para os governos dos estados: 12,55%. Distrito Federal e Rio de Janeiro têm o maior número de mulheres na contenda: três, cada um. Em nove estados, não há mulheres concorrendo ao governo. Em cinco, não se registram candidaturas femininas para o senado.

Idade

Política, parece ser definitivamente uma atividade da idade madura. Na lista de quase 20 mil nomes de candidatos aparecem 49 pretendentes que já passaram dos 79 anos e apenas 19 que não atingiram os 20.

Esta tendência fica bem clara quando se constata que 87,7% dos candidatos têm mais de 35 anos (ou que 12,3% têm menos de 35 anos). A faixa etária que congrega o maior contingente de candidatos é a de 45 a 59 anos, com 8.880 nomes, ou 46,3% do total. A segunda é a de 35 a 44 anos, com 30,3% do quadro de concorrentes.

Ao se isolar o contingente feminino de candidatos, percebe-se que há entre elas uma tendência maior para a renovação. A parcela de mulheres candidatas com menos de 35 anos é de 14,1%, acima da média geral (12,3%). Metade dos candidatos com menos de 20 anos são do sexo feminino e apenas duas candidatas têm mais de 79 anos.

A Constituição Federal determina, no artigo 14, a idade mínima para candidatos a cargos eletivos. Os concorrentes à presidência, vice-presidência da República e ao Senado devem ter 35 anos no mínimo. Os governadores, 30 anos. Os deputados federais, estaduais/distritais, 21 anos. Apenas os vereadores podem disputar as eleições com idade mínima de 18 anos.

Escolaridade

Dos oito concorrentes relacionados para a presidência da República — que constavam da base de dados analisada — sete possuem curso superior completo. O atual titular do cargo e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem o ensino fundamental completo.

Dos 208 candidatos ao cargo de governador de estados e do Distrito Federal, dois deles afirmam apenas ler e escrever. Ambos são candidatos ao governo do Mato Grosso. Eles são Roberto Pereira, do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), comerciante; e Plauto Vieira (Gugu), do Partido Republicano Progressista (PRP), mecânico de manutenção.

A maioria dos candidatos a governador — 155 (equivalente a 74,5%) — por outro lado, declararam ter curso superior completo. Outros 26 (12,5%) disseram ter curso superior incompleto e 21 (10%) admitiram ter apenas o ensino médio completo. O restante, quatro candidatos, têm o ensino fundamental completo ou incompleto.

Dos 228 candidatos a uma cadeira no Senado Federal, 158 (69,3%) têm algum tipo de graduação superior; 34 (14,9%) revelaram ter o ensino médio completo; e 20 deles disseram não haver concluído a faculdade iniciada.

Aqui também aparecem 16 candidatos com pouca ou quase nenhuma instrução. Caso de um candidato na Bahia - José Maria dos Santos - do Partido da Causa Operária (PCO), que é padeiro e confeiteiro e declarou saber apenas ler e escrever. Outros três candidatos no Ceará, Maranhão e Santa Catarina, que dizem ter o ensino fundamental incompleto.

O nível de instrução cai entre os candidatos a uma vaga de deputado federal. Dos 5.402 pedidos de registros a uma vaga na Câmara, em Brasília, pouco mais da metade (2.843, ou 52,6%) têm curso superior; 639 deles (11,8%) abandonaram a faculdade já iniciada; 1.175 (21,7%) disseram ter o ensino médio completo e 176 (3,2%) não concluíram o nível médio.

Nesse caso, aumenta o número de candidatos com baixa instrução: 182 candidatos a deputado federal não terminaram o ensino fundamental, equivalente ao antigo ginasial; 377 preencheram em suas fichas que têm o ensino fundamental completo e nove disseram apenas saber ler e escrever.

O nível de instrução cai mais ainda quando se trata de candidatos às assembléias legislativas e distrital: 13.321 concorrentes. Destes, só 5.690 (42,7%) têm nível superior; 1.470 (11%) disseram não haver concluído a faculdade; 3.686 (27,7%) terminaram o ensino médio e 590 (4,4%) não completaram o ensino médio. Para esses cargos, o contingente de candidatos apenas com o ensino fundamental completo chega a 1.236, o equivalente a 9,3% do total; 607 deles disseram ter apenas o ensino fundamental incompleto e 40 só lêem e escrevem.


 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 21 de julho de 2006, 16h24

Comentários de leitores

2 comentários

Creio, em razão dos dados apresentados que as m...

balai (Advogado Autônomo - Civil)

Creio, em razão dos dados apresentados que as mulheres evem ter mais estomago que os homens. As mulheres são mais religiosas e, no Brasil, cristãs. Logo, questão de fundo, "quem com poercos se mustura..."

As "quotas" são a nossa mais nova criação polít...

Embira (Advogado Autônomo - Civil)

As "quotas" são a nossa mais nova criação política – quotas para candidaturas femininas, quotas para negros e pobres nas universidades, por enquanto, porque outras poderão ser criadas. Se, como já ficou provado, a mulher não tem inclinação natural ou formação cultural para dedicar-se à política, não será por disposição legal que iremos aumentar a participação feminina nos cargos políticos. Como dizem os franceses, “a chacun son métier”. Não se cria doutores, nem políticos, por decreto.

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