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A corrida do ouro

Corte Arbitral do Esporte julga caso Vanderlei Cordeiro de Lima

A Corte Arbitral do Esporte, em Lausanne, Suíça — última instância de apelação dos casos esportivos — vai decidir nesta sexta-feira (3/6) se o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima deve ou não ganhar o ouro olímpico. O tribunal vai analisar o recurso do COB — Comitê Olímpico Brasileiro.

O Comitê brasileiro entrou com o recurso em outubro de 2004, para pedir que o atleta brasileiro também receba a medalha de ouro da maratona nos Jogos Olímpicos de Atenas, sem prejudicar o italiano Stefano Baldini, vencedor da prova.

Vanderlei liderava a maratona quando um o ex-padre irlandês Cornelius Horan entrou na pista e o atacou no 36º quilômetro. Mesmo assim, Vanderlei voltou à prova. Foi superado pelo atleta italiano e pelo americano Mebrathon Kefleczighi, mas ainda chegou em terceiro lugar e conquistou a medalha de bronze.

Os advogados Sérgio Mazzillo e Marcelo Franklin do escritório H. B. Cavalcanti e Mazzillo Advogados, representarão o atleta e o COB durante o julgamento. Vanderlei Cordeiro estará presente ao julgamento acompanhado da diretora Jurídica do COB, Ana Luiza Pinheiro e dos advogados.

Para Mazzillo "a defesa do COB se baseia na impossibilidade de se prever o resultado da prova caso não tivesse havido o ataque. Serão demonstrados os prejuízos físicos e morais acarretados ao Vanderlei em decorrência do ataque e a influência do abalo físico e psicológico em seu desempenho final"

Com a petição, foram enviadas imagens do ataque sofrido pelo atleta e notícias dos principais jornais do mundo sobre o acontecimento. Fazem parte do processo, além das procurações assinadas pelo COB e por Vanderlei, a carta entregue à IAAF a federação internacional de atletismo, o protocolo firmado pelo COB logo após a prova e a decisão da IAAF no mesmo dia 29 de agosto.

O painel que julgará o caso terá três membros indicados pelos envolvidos. Vanderlei Cordeiro e o COB indicaram o advogado suíço Jean Pierre Morand, com bastante experiência nos casos julgados pela Corte. A IAAF indicou o canadense Richard Mclaren e a Corte apontou o advogado sueco Haj Hobér. A decisão do julgamento será tomada através da maioria dos votos dos três integrantes.

Tanto o COB quanto Vanderlei Cordeiro terão como testemunha o grego Polyvios Kossivas, que ajudou o atleta a se desvencilhar do irlandês.




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Revista Consultor Jurídico, 2 de junho de 2005, 15h58

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