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Provas de fogo

Concursos públicos jurídicos atraem 75% dos recém-formados

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Um emprego que dê a garantia de estabilidade para o resto da vida, uma boa aposentadoria e altos salários que compensem sair de casa para ir à labuta. É atrás desse cenário que milhares de bacharéis têm buscado cada dia mais participar dos concursos públicos espalhados por todo o país. Esses concursos pipocam a todo o instante e movimentam um negócio altamente lucrativo.

Da inscrição no concurso até os gastos com viagens e hospedagens em outras cidades, passando pelos famosos cursos preparatórios, o mercado gira um montante que pode ultrapassar R$ 100 milhões por ano. Embora não haja dados oficiais, essa é a estimativa de quem está acostumado a trabalhar todo dia com a ansiedade e o sonho de candidatos que, muitas vezes, saem das faculdades diretamente em busca da estabilidade no emprego.

Para o professor Luiz Flávio Gomes, proprietário de uma das maiores escolas especializadas em cursos jurídicos do país, o Ielf, embora o número de candidatos tenha apresentado uma relativa estabilidade nos dois últimos anos, ainda assim é bastante alto. “Só no estado de São Paulo, neste ano de 2004, tivemos cerca de 35 mil candidatos em busca de cargos públicos na área jurídica”, diz.

Os cargos variam de oficial de Justiça até juiz federal -- um dos mais cobiçados. Mas, são justamente os mais desejados que representam o maior desafio para os candidatos. De acordo com Luiz Flávio Gomes, cerca de 75% dos candidatos são egressos de faculdades e já buscam um primeiro emprego na área pública. Como não têm experiência forense, acabam prestando concursos para cargos cuja remuneração é menor, mas que podem servir como um trampolim para quem está interessado em conhecer bem os mecanismos da Justiça até alcançar seus objetivos.

Bolso

Muitos candidatos chegam a prestar diversos concursos ao mesmo tempo e gastam dinheiro investindo na carreira. O advogado Rodrigo Jacob, de São Paulo, é um típico exemplo disso. Ele diz que gastou de R$ 5 a 7 mil só com viagens e hospedagens para participar dos 15 concursos aos quais já se inscreveu. Cada inscrição custa, em média, R$ 300. Os cursos preparatórios também não são nada baratos: cobram mensalidades que variam entre R$ 300 e R$ 700.

Para Jacob, a busca por cargos melhores e uma carreira sólida é o que o motiva a procurar concursos que indiquem melhores oportunidades. Apesar disso, ele critica o critério usado nas provas. “Algumas questões são completamente fora da realidade. Há um excesso de vaidade dos examinadores, que muitas vezes indicam os próprios livros para as provas”.

Na avaliação do professor Luiz Flávio Gomes, a passagem de um candidato por vários concursos diferentes em diversas partes do país é uma tendência. “Tenho vários alunos que prestam de três a quatro concursos ao mesmo tempo”, conta.

Hoje, de acordo com o professor, os concursos para ingressar no Ministério Público e na magistratura estadual são os mais procurados, embora não sejam, necessariamente, o ponto final para os candidatos. “Muitos buscam, primeiro, o que parece ser mais fácil de ingressar na carreira pública, mas almejam mais do que isso”, afirma.

A mesma idéia é compartilhada pela supervisora de Marketing do Complexo Jurídico Damásio de Jesus, Cristiane Bertim de Oliveira. Ela destaca que cerca de 30% dos alunos que fizeram os cursos da escola no ano de 2004 devem permanecer no local em 2005. “Muitos alunos fazem o curso, ao mesmo tempo, ao último ano da faculdade. Muitos não saem confiante da faculdade e fazem o curso ter mais segurança na hora da prova”.

Carreira e exigências

A busca pela estabilidade, no entanto, não é exclusividade de quem está de fora. Cristiane destaca que boa parte dos juízes de primeira instância e integrantes do MP participa dos cursos para conquistar salários ainda melhores, embora a estabilidade já não seja mais o problema. “Há alunos que mesmo passando nos concursos continuam estudando para outros”, afirma.

Atualmente, as exigências para os cargos na área jurídica variam mesmo dentro da magistratura. Mas, as novas regras que vieram junto com a reforma do Judiciário podem atenuar, mesmo que levemente, essas diferenças. Hoje há mais exigências para ingressar na magistratura do que, por exemplo, no MP, mesmo com os salários equivalentes. Pela reforma, em ambos os casos, será necessário que o candidato tenha experiência forense de, no mínimo, três anos.

Apesar das alterações, o advogado Rodrigo Jacob demonstra ceticismo quanto a sua aplicabilidade. “Se o sujeito já estiver formado há mais de três anos e mesmo que não advogue consiga uma certidão na OAB comprovando que é advogado, ele poderá participar do concurso, mesmo sem experiência forense. Acho que isso não vai trazer nenhuma grande mudança”, avalia.

Se 2004 já foi um ano cheio de perspectivas e esperanças para os candidatos, que viram cerca de 6 mil vagas serem abertas só no estado de São Paulo, 2005 não será menos promissor. As boas notícias devem vir do Ministério Público Estadual de São Paulo, além de centenas de vagas de juízes federais nos estados brasileiros. E com salários que podem até ultrapassar R$ 10 mil.

 é jornalista

Revista Consultor Jurídico, 2 de janeiro de 2005, 12h53

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