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Débito pendente

Devedor aposta na morosidade da Justiça e paga credores por sorteio

A dívida de um comerciante com 30 fornecedores será paga de uma forma inusitada, no Rio Grande do Sul. Ele firmou acordo com todos eles. Todo fim de mês sorteará três credores para pagar. Em dez meses, espera quitar o débito.

A regra imposta pelo devedor é clara: os credores podem assistir o sorteio, mas quem não se conformar com a proposta ou com o resultado e ingressar em Juízo, será excluído do critério. E com a demora na prestação jurisdicional, poderá ter que esperar muitos meses ou anos para receber a dívida.

Leia o relato do advogado porto-alegrense -- Geraldo Miller -- ao site Espaço Vital.

"Um comerciante que estava devendo para 30 fornecedores, e sem possibilidade financeira de pagar imediatamente todo o débito, mandou uma carta para os credores, convidando-os para uma reunião, quando lhes disse o seguinte:

“- Vocês sabem que eu não tenho condições de pagar todo mundo de uma vez só, e em decorrência disso comprei 30 bolinhas para sorteio, sendo que cada bolinha com um número corresponderá ao nome de cada credor.”

Então explicou que, como teria a possibilidade de, em 10 meses, pagar todos os credores, sortearia, em cada mês, três bolinhas. Aqueles que fossem sorteados receberiam, naquele próprio mês, os seus respectivos créditos.

Convicto, o devedor acrescentou: "inclusive, mandarei para vocês uma carta convite para, ao final de cada mês, presenciarem o sorteio e fiscalizarem esse modo de proceder, para que não ocorra qualquer desagrado e desconfiança".

Tanta convicção veio acompanhada de uma ressalva: "Deixo bem claro, e não a título de ameaça, mas se alguém resolver fazer palhaçada em Juízo com uma ação contra mim, para buscar o seu crédito, a bolinha com seu respectivo nome será retirada do sorteio, e não receberá, portanto, o valor a que tem direito nos dez meses ... e só Deus sabe quando receberá o seu crédito!".

Quando alguns se olharam perplexos, o devedor arrematou confiante: “Este é um aviso, não façam palhaçada!"

A lista com os 30 nomes foi feita. Os credores asseguram que o devedor vem cumprindo fielmente o acordo de cavalheiros. Seis clientes já receberam seus créditos. Outros três o farão na última sexta-feira deste mês, dia 30. Nesse diapasão, a dívida deve estar, toda, quitada em fevereiro de 2005. Devedor e credores têm um outro compromisso fechado: seus nomes não podem ser divulgados.”

Revista Consultor Jurídico, 13 de julho de 2004, 10h28

Comentários de leitores

10 comentários

O que vemos nesse caso é que muitas vezes um ad...

Massaranduba ()

O que vemos nesse caso é que muitas vezes um advogado não resolve, só complica. Se ele tivesse ido atrás de um advogado para negociar suas dívidas com os credores/fornecedores, onde e quando isso iria terminar?

Embora nem sempre um mau acordo seja melhor do ...

sampaio (Economista)

Embora nem sempre um mau acordo seja melhor do que uma boa demanda, mas é bom às vezes pensar assim. O que é preocupante é pensar que vivemos uma situaçao no País, em que o devedor em vez de dizer como pode pagar, diz como quer, quando e a quem vai pagar.Isso faz muita diferença e espalha incerteza e preocupaçao para esta e as proximas geraçoes , se nao mudarmos e pensarmos nos direitos e obrigaçoes de cada um de nós.Como o proprio artigo cita, é apostando na morosidade , que já é de conhecimento publico e de todos, das criança nas escolas aos adultos , na rotina de suas vidas. Tudo tem uma causa.Neste momento estamos vivendo uma consequencia. A morosidade ,tão citada,passa a ser o temor que norteia as transaçoes comerciais,finenceiras e outras, onde o "devo,porem pago quando quiser" virou pesadêlo.É o grande problema para que analisa creditos.Garantias ? E a morosidade tambem nao as atinge? Na teoria nao.Na prática sim.Será que os spreads sao causa,ganancia , ou sao defesa contra a morosidade, calote e perda de patrimonio, que nao teve, mas leva a culpa ? Isso é na verdade o novo termo globalizado , que para nós aqui na America Latina, a partir de 1982 tornou-se um gigante : "Custo alto", que é filho do calote, do defaut, da moratória, com muitos apelidos, e que também tem os seus filhotes ; " juros altos,"preços elevados" e podendo tambem produzir os seus netinhos: " inflaçao,desemprego e desânimo." Vamos esperar que ao ser concedido um credito a um mau pagador, ele nao venha com uma nova taxa ou um novo preço. A esperança é a unica que morre ! E se nao a tivermos , não vamos comemorarmos a vinda dos nossos tão esperados e indispensáveis salvadores da Pátria: " investimentos ".Ou seremos compulsoriamente chamados para criar a necessária poupança interna, para financiar a nós mesmos ? Vamos, portanto, sonhar, que para isso não há calote, nem juros altos. Tenhamos cuidado com o preço que teremos de pagar , se a moda pegar. Não vai haver tantas "bolinhas" para escrever tantos nomes de credores e em tantas linguas. Já pensou ?

Ora, ora, ora... E ainda acham que as pessoa...

Luiz Roberto de C. VALENTE DE BARROS ()

Ora, ora, ora... E ainda acham que as pessoas simples, leigas que não têm acesso à instrução formal e dependem de tudo o que o Governo diz pretender fazer - cuidar da educação, da saúde, da segurança etc - e não o faz, estão de mãos e pés atados para o cumprimento integral e amistoso de suas obrigações pessoais. Inobstante a aparente "proposta idecente" ora veiculada, acredito que, para o comerciante em questão, e, ainda, para todos aqueles que têm criatividade, a busca por soluções amigáveis, ainda é a melhor maneira de resolução de seus problemas. "mais vale o fio do bigode que a assinatura do MM Juiz... Assim o é, principalmente nos rincões mais distantes do País. Parabenizo a iniciativa do Brasileiro em questão !!!!

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