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Saiba como funcionava organização criminosa de Rocha Mattos

Os magistrados ADRIANA PILEGGI e CASEM MAZLOUM também ocupam funções peculiares na quadrilha, pois têm jurisdição em processos de interesse dos mentores da organização criminosa, bem como utilizam "serviços" prestados pela quadrilha para obter vantagens e/ ou favores ilícitos. Aproveitam-se da função jurisdicional para proteger os interesses ilícitos da quadrilha armada.

JOÃO CARLOS DA ROCHA MATTOS atua também como um dos mentores da quadrilha, organizando e planejando parte de suas atividades, que incluem o exercício da atividade jurisdicional voltada para a realização de ilícitos praticados pela ou em prol da organização criminosa, além da própria intermediação de negócios ilícitos.

Constatou-se ainda que JOÃO CARLOS utilizava também a juíza federal ADRIANA PILEGGI SOVERAL para atender a seus interesses, a qual se envolveu na prática de ilícitos, atuando como longa manus de JOÃO CARLOS DA ROCHA MATTOS.

Citado magistrado galgou alguns degraus na estrutura da organização criminosa, seja por sua intestina vinculação com os escritórios de AFFONSO PASSARELLI e WAGNER ROCHA - centros de operações da quadrilha - e com os investigados do chamado "escândalo dos precatórios", seja por seu estranho relacionamento com sua ex-companheira NORMA REGINA, administradora dos ganhos da organização.

CÉSAR HERMAN RODRIGUEZ, além de mentor, é o braço operacional da quadrilha armada, encarregando-se de fazer contatos, buscar informações inclusive as protegidas por sigilo funcional e garantir a ocorrência de ilícitos, além de realizar atos com o objetivo de beneficiar e/ ou ocultar a participação dos magistrados federais JOÃO CARLOS (também. através da juíza ADRIANA SOVERAL) , ALI MAZLOUM e CASEM MAZLOUM.

Sua atuação é facilitada pelo fato de ser policial federal, ser um dos proprietários do escritório PASSARELLI e GUIMIL Ltda. e também pelo fato de estar à disposição dos juízes CASEM MAZLOUM, que o requisitou à SR/ DPF/ SP, e JOÃO CARLOS na Justiça Federal.

Os mentores são auxiliados por alguns intermediários, auxiliares e informantes. Os mentores acima nominados são auxiliados na quadrilha por DIRCEU BERTIN,

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econômica a funcionários públicos, além de cobrarem valores para remunerar a própria intermediação dos serviços ilícitos.

VAGNER ROCHA, NORMA REGINA EMÍLIO CUNHA, CARLOS ALBERTO DA COSTA SILVA, AFFONSO PASSARELLI FILHO e SÉRGIO CHIAMARELLI JUNIOR atuam na execução dos crimes planejadas pela quadrilha, intermediando a ação da organização, atuando como advogados em ações judiciais perante os magistrados envolvidos, obtendo e repassando informações sobre andamento de inquéritos e ações penais e mantendo contatos com os "usuários" dos serviços da quadrilha, ou ocultando bens adquiridos pela organização criminosa.

NORMA REGINA EMÍLIO CUNHA ainda ocupa posição especial na estrutura da organização: inicialmente tida como integrante periférica do grupo, com o andar das investigações - e, principalmente, após

mandado de busca e apreensão em sua residência - ficou nítido

que ala efetivamente atua, com seus conhecimentos de auditora da Receita Federal aposentada, como verdadeira CAIXA da organização criminosa, inclusive ficando encarregada de promover a remessa de dinheiro obtido pela organização criminosa ao exterior.

Parte das atividades da quadrilha consiste em infiltrar-se, através de seus membros ou de seus auxiliares eventuais, em companhias telefônicas, órgãos da Justiça, Ministério Público, Polícia e outras instituições públicas e privadas para que tenham, acesso a dadas cadastrais de pessoa física ou jurídica, alvarás de autorização de monitoramento telefônico, dados de procedimentos criminais diversos, Inquéritos e outras procedimentos administrativos.

Nesse ramo de atuação, com participação efetiva, ainda que não intensa, encontram-se os seguintes integrantes: JOSÉ GUILHERME CAVALHEIRO (ex-PF, funcionário do escritório de AFFONSO PASSARELLI), ÉDIO PEREIRA DA SILVA (Telefonia), JULIO CÉSAR JUSTO (PF), LUIZ EDUARDO MACHADO (DPF DELEMAF), AUGUSTO MAGNUSSO JÚNIOR (PF), LÚCIA (PF DELEMAF), SILVIA REGINA JASMIN UEDA ROMANO (PF), SEBASTIÃO MONTEIRO JUNIOR (PF), JOÃO, PAULO ROBERTO DOS SANTOS e DELAIR (DEIC SP).

Aparecem como beneficiários ou vítimas das atividades da organização criminosa: SÍLVIO CONCHON e LEONE PICCIOTTO da METRON, GABRIEL CLAUDE JOSEPH DAOU e HUSSEIN ALI JABER (libaneses), LAW KIN CHONG (LAW chinês), ANTÔNIO OLIVEIRA CLARAMOUNT (TONINHO ou TONINHO DA BARCELONA), DAVID WULKAN (Israelense), JOSÉ ANTÔNIO DALMOLIN da COTRELZ, ISMAR MACHADO ASSALY SOUZA da empresa SARDINHAS GOMES DA COSTA, VALDEMAR da SUPER LIGA, JOSÉ D' ÂNGELO COSTA e JOÃO ABUJAMRA JUNIOR da ACESS SYSTEM ou AFFAIR SYSTEM TELECOMUNICAÇÕES e HUGO STERMAN FILHO, ARY KARAN JOSÉ, SÉRGIO CHIAMARELLI JUNIOR, ENRICO PICCIOTTO RICARDO MONTEIRO VALENTE, FAUSTO SOLANO WAGNER BATISTA RAMOS, LUÍS ESTEVÃO, PAULO MALUF, ITAYGUARA NAIFF GUIMARÃES, ARI NATALINO DA SILVA, MARCO ANTÔNIO SGAMBATO, entre outras pessoas que aparecem na investigação como autores ou partícipes de crimes como: contrabando e descaminho, sonegação fiscal, Lavagem de dinheiro, corrupção ativa etc.. Por outro lado, às vezes alguns aparecem na investigação como vítimas da ação da organização criminosa (concussão, ameaças, extorsão etc).

Revista Consultor Jurídico, 4 de fevereiro de 2004, 15h34

Comentários de leitores

4 comentários

Parabéns ao Conjur pela Riqueza de detalhes, de...

DOUTORA ANDRÉIA PEREIRA DA SILVA, ADVOGADA DOUTORA CRIMINALIST (Advogado Autônomo)

Parabéns ao Conjur pela Riqueza de detalhes, demonstrando com isso o respeito e a transparência pelo público que realmente acredita neste site tão sério. Eu acho, friso, repito e quero que anotem, que ainda aparenta que novos nomes aparecerão nesta relação, para desepero de muitos e alegria de todos nós que estamos vendo a justiça tratar os diferentes como iguais, diferentes porque tratam-se de pessoas com elevada cultura, e que a justiça não está privilegiando ninguém, justiça seja feita, moralização no Judiciário como vem acontecendo! e-mail:andreiapereiradasilva@adv.oabsp.org.br

Com a devida vênia das autoridades policiais qu...

Zé Carioca ()

Com a devida vênia das autoridades policiais que elaboraram o relatório, mas o dito trabalho, segundo se verifica, apresenta pouco ou nada de fatos concretos e muito de conjecturas, insinuações e criatividade. Há afirmações por parte dos relatores que, “data vênia”, chegam a pasmar. Por exemplo, o advogado CARLOS ALBERTO DA COSTA SILVA, citado uma única vez, seria intermediador da organização, porque “atua como advogado em ações judiciais perante os magistrados envolvidos” (!?). Quais “informações sobre andamento de inquéritos e ações penais” ele obteve e para quem repassou? Qual a relação dele com os juizes Adriana, Casem e Ali? Quem são os “‘usuários’ dos serviços da quadrilha”? Não vi a resposta em lugar algum. Nem mesmo na denúncia oferecida pelo Ministério Público, publicada neste mesmo site, salvo engano. Outra afirmação de pasmar: “Os magistrados ADRIANA PILEGGI e CASEM MAZLOUM também ocupam funções peculiares na quadrilha, pois têm jurisdição em processos de interesse dos mentores da organização criminosa.”. Ora, nada mais natural que juízes tenham jurisdição sobre processos (milhares deles) e, se estes são ou não “de interesse dos mentores da organização criminosa”, isto, por si só, não quer dizer, jamais, que dela façam parte. Quais foram as “vantagens e/ou (e/ou??) favores ilícitos” que lhes foram prestados pela quadrilha? O que significa “participação periférica” na atuação do juiz ALI MAZLOUM? Por fim, e afinal de contas, QUAIS FORAM AS SENTENÇAS QUE ESTES JUÍZES NEGOCIARAM?? Afinal de contas é a “máfia das sentenças”. Até agora não foi apontada qual ou quais sentenças foram “vendidas” pelos juízes ADRIANA, CASEM e ALI. Nem o relatório da PF e nem a denúncia do MP apontam. Alguém pode responder?

Não posso deixar de lembrar a interpretação dad...

Fernando J C Pereira ()

Não posso deixar de lembrar a interpretação dada pelo então Senador Bisol a um documento ordinário de planejamento estratégico da construtora Odebrecht no qual o senador, desavisado, entendeu que estava diante de um importante documento de formação de quadrilha a investir contra o Brasil na famosa CPI do Collor. O "detalhamento" das funções da quadrilha feito pela Pol. Fed.- pelo menos como descrito no Consultor Juridico parece se servir do mesmo tipo de vies que FAZ, com criatividade adjetiva, os nexos de fatos de significado possivelmente ordinários. Peguem o texto e substituam os nomes de Juizes pelo de procuradores, estofe-os com os inumeros abusos cometidos por membros daquela classe e teremos a imagem de uma quadrilha organizada no MP sempre de plantão para praticar delitos do mesmo tipo (escutas ilegais, falsificação de documentos, distorção da verdade, calúnias de conveniência política, divulgação de mentiras, invasão de privacidade, benefícios pessoais de natureza material e política etc. PORTANTO, QUEM QUER O VERDADEIRO ESTADO DE DIREITO CUIDADO. É CLARO QUE TODOS OS JUIZES MANTINHAM RELAÇÕES PROXIMAS, AFINAL MILITAVAM NOS MESMOS TRIBUNAIS. COMO HOMENS QUE SÃO, COMETEREM DESLIZES UNS MAIORES E OUTROS MUITO GRAVES E DEVEM SER PUNIDOS NA MEDIDAS DE SEUS DELITOS. MAS DAI A VER UMA QUADRILHA ORGANIZADA COM DISTRIBRIBUIÇÃO DE FUNÇÕES, HIERARQUIA, PLANOS DE ASSALTO E CONTROLE DE EXECUÇÃO FRANCAMENTE É DEMAIS PARA ACREDITAR SEM A MEDIAÇÃO DE UMA VISÃO MAIS CRITICA DAS COISAS

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