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Estranhas coincidências

Defesa de Palocci questiona mudança em testemunho combinado com MPF

A defesa de Antonio Palocci afirma que foi surpreendida com uma série de eventos estranhos na operação "lava jato". Eles questionaram o fato de Pedro Novis, testemunha de Marcelo Odebrecht, ter participado presencialmente de audiência nesta quarta-feira (22/3), quando estava previsto que ele testemunharia por videoconferência de São Paulo.

Ex-ministro é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por suposto favorecimento ao grupo Odebrecht.
Reprodução

Os advogados José Roberto Batochio e Guilherme Octávio Batochio, que defendem Palocci, estranharam a mudança porque a testemunha, em plena audiência, disse que sua participação presencial foi combinada há dias com os membros do Ministério Público Federal. “Encontro este que se realizou, ademais, à revelia da defesa constituída dos demais acusados”, destacam os defensores do ex-ministro.

Outro ponto que os alarmou foi que a sessão desta quarta não foi gravada, como de praxe. “Qual não foi a nova surpresa desta defesa, entretanto, ao ser informada de que tais atos processuais não constarão dos autos da ação penal em que se deram, sob forma eletrônica (como acontece com todos os demais), mas deles foram omitidos do feito, porque não teriam sido gravados”, afirmam os advogados.

Os advogados afirmam que todas essas coincidências são suspeitas, e adicionam à trama alguns fatos. Por exemplo, nota divulgada pela coluna Radar, da revista Veja, noticiando que o Ministério Público Federal não gostou do depoimento de Emílio Odebrecht, que afirmou que o caixa dois vem desde os tempos de seu pai, vô de Marcelo Odebrecht.

Segundo a coluna noticiosa, essa afirmação teria diminuído a importância da operação “lava jato”. A partir disso, a defesa de Palocci cita hipóteses sobre suposta pressão do MPF para “fazer caber” a acusação.

“A tudo isso se adicione a circunstância de que circulam insistentes rumores de que a Odebrecht teria sido admoestada pela 'força-tarefa' no sentido de que se aludido depoimento de Emílio não fosse ‘consertado’ pelos demais diretores, os benefícios das delações poderão ser revistos e cancelados... Teriam fundamento? Não se pode e não se quer acreditar”, afirmam José Roberto e Guilherme Batochio.

“Circula também a cogitação de que as testemunhas ‘de defesa’ de Marcelo Odebrecht serviriam, na verdade e como última oportunidade acusatória, como testigos ‘de acusação’ contra Antonio Palocci Filho e Branislav Kontic, já que nada contra eles se comprovou até agora nestes autos”, complementam os defensores de Palocci.

Os advogados até ponderam que essas informações ainda estão nos campos dos rumores, mas, mesmo assim, destacam que, em meio a tantas coincidências, “não seria exagerado se preocupar a defesa com aquilo que poderia ter sido o temário da mencionada reunião inesperadamente revelada por Pedro Novis em plena audiência no dia de hoje”.

“A se conferir quando essa testemunha depuser: defenderá, dentro da verdade, quem a arrolou, ou seja, Marcelo Odebrecht, ou estará a serviço da industriada incriminação de Palocci? É esperar para ver”, finalizam.

Acusação contra Palocci
Palocci e seu ex-assessor Branislav Kontic, também representado por José Roberto e Guilherme Batochio, são acusados de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por suposto favorecimento ao grupo Odebrecht. Na denúncia, o MPF afirma que o ex-ministro atuou em favor da empreiteira para que o estaleiro Enseada do Paraguaçu, que pertence à companhia, fosse contratado pela Petrobras para fabricar sondas.

Os advogados do ex-ministro consideram essa acusação um sofisma. “Tudo orbita na penumbra indevassável do hermetismo acusatório, Esfinge ávida de devorar vidas e biografias a desafiar os mais habilidosos criptógrafos”, afirmam, reforçando que o MPF não apresenta qualquer prova ou indício de interferência de seu cliente para a conclusão do negócio entre a Petrobras e a Odebrecht.

Clique aqui para ler a peça.

Revista Consultor Jurídico, 22 de março de 2017, 21h54

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