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Atividade intelectual

Advogados do Senado não precisam mais bater ponto para controlar jornada

A partir deste mês, os advogados do Senado não precisarão mais bater ponto. Conforme decisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) do dia 11 de janeiro, o ponto eletrônico será substituído por um sistema de controle de produtividade com metas. A decisão foi publicada no dia 19 de janeiro, no Boletim Administrativo do Senado Federal.

Segundo Renan, o trabalho dos advogados do Senado é de “natureza exclusivamente intelectual”. Ele também afirma que as prerrogativas dos advogados, descritas no Estatuto da Advocacia, se aplicam aos profissionais da Casa, conforme o artigo 270 do Regulamento Administrativo do Senado.

De acordo com a decisão, a nova forma do controle de atividades se aplica “aos servidores da área fim da Advocacia do Senado Federal, por meio de autorização individual do advogado-geral do Senado”.

O controle de produtividade foi criado no dia seguinte à decisão e publicado no mesmo dia, no Boletim. Segundo a Instrução Normativa 1/2017, os advogados do Senado têm cinco dias úteis para entregar suas manifestações em processos urgentes e oito dias úteis para os demais. No caso de processos que envolvam cumprimento de prazo judicial, a manifestação do Senado deve estar pronta dois antes de o prazo da Justiça se esgotar.

Fim do ponto para advogados do
Senado é um pleito já antigo da classe.
cnmp.gov.br

As metas também serão avaliadas de acordo com o cumprimento de tarefas complementares de gestão e comparecimento a reuniões, grupos de trabalho e comissões internas. As regras foram criadas pelo advogado-geral do Senado, Alberto Cascais.

O fim do ponto eletrônico para os advogados da Casa Alta do Congresso é um pleito já antigo da classe. Por causa dele, em 2012 o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil editou uma série de súmulas da advocacia pública. Entre elas, a de número 9, segundo a qual “o controle de ponto é incompatível com as atividades do advogado público”.

Em agosto de 2015, o então presidente da seccional do Distrito Federal da OAB, Ibaneis Rocha, enviou um ofício ao Senado contestando o ponto para os advogados do Senado. No texto, ele afirma que a atividade dos advogados, regida pelo Estatuto da Advocacia, são “essencialmente intelectuais”.

“Impor limites artificiais e desnecessários ao exercício da advocacia, notadamente de caráter físico e temporal, não concorre para a realização do melhor desempenho técnico-profissional em benefício justamente daquele que contrata ou remunera o profissional da advocacia”, diz Ibaneis.

O ex-presidente da OAB-DF também cita o exemplo da Advocacia-Geral da União, que tem mais de 8 mil membros e não tem controle de ponto para seus funcionários. Lá, desde 2009, o trabalho dos advogados é controlada por um relatório de atividades mensal, preenchido pelos próprios profissionais.

Na decisão de janeiro, Renan Calheiros leva em conta as súmulas da OAB, o ofício de Ibaneis e um processo administrativo no qual os advogados do Senado pedem o fim do controle de ponto. Nesse mesmo processo, eles fizeram uma proposta de controle das atividades por metas de produtividade e relatórios.

Revista Consultor Jurídico, 31 de janeiro de 2017, 19h52

Comentários de leitores

4 comentários

Produtividade

Observador.. (Economista)

Em tese é algo louvável.
Mas quando se trata de dinheiro público, será mesmo controlada a tal produtividade?
Somos um país com deficiências astronômicas. Falam tanto no ralo da corrupção e - me parece - não são vistos os ralos dos altíssimos e desproporcionais salários, luta de agentes públicos para não serem controlados...e por aí vai.
Uma empresa quando dá esta liberdade, tem também a liberdade de demitir sumariamente em caso de ausência da contrapartida.
Parece que a luta por benefícios e privilégios, usando o suado dinheiro do contribuinte, não tem fim.
Nesta toada, o país tem tudo para, em 2018, acabar por escolher alguém "a lá Trump". Pois aqui, a cegueira continua.

Pura balela!

Serpico Viscardi (Professor)

Já não fazem nada, agora não precisam nem cumprir horário!

O ponto não é incompatível com nenhum tipo de atividade desenvolvida pelos advogados do Senado.

Aliás o Congresso Nacional é uma piada sem limites! São 28 mil servidores, consumindo 10 bilhões por ano.

É isso mesmo, 28 mil! Só pra ter uma ideia, a Polícia Militar de Santa Catarina, para cuidar de 295 municípios e quase 7 milhões de habitantes, contam com um efetivo de 11 mil pessoas. O Congresso Nacional, numa única sede, tem 28 mil pessoas.

Se fossem 2,8 mil (10%), já davam conta do serviço.

Não é preciso dizer mais nada!

Decisão correta

LUCAS FREIRE (Procurador Autárquico)

O controle das atividades de natureza eminentemente intelectual, como a advocacia, deve ser focado na produtividade apresentada pelo profissional, não em sua mera presença física no ambiente de trabalho. Corretíssima a decisão do Senado Federal.

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