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"Gesto de reverência"

Leia o discurso do ministro Celso de Mello em homenagem a Teori Zavaski

A homenagem feita pelo Supremo Tribunal Federal ao ministro Teori Zavascki não deve ser vista como um gesto despedida, mas “como um gesto de reverência à memória de um grande juiz que tanto honrou a Suprema Corte”. A mensagem é do ministro Celso de Mello, que fez o discurso em homenagem ao colega, morto em janeiro, num acidente de avião.

O tribunal decidiu usar a sessão de abertura do ano para homenagear a memória de Teori. “O momento nos impõe simplicidade”, disse a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF. Por tradição, a primeira sessão do ano no Supremo é uma cerimônia com a presença de autoridades e chefes de poder, com a leitura de discursos do presidente da corte, do procurador-geral da República e, mais recentemente, do presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

Em seu discurso, decano do Supremo fez também críticas à corrupção.
Gervásio Baptista -SCO/STF

Segundo Celso, o momento é “pleno de significação e de sentimentos pessoais”, mas deve ser encarado com a simplicidade com que Teori encarava “esses singulares momentos da vida”.

E citou o discurso que Teori Zavascki fez quando deixou o Superior Tribunal de Justiça para assumir uma cadeira no Supremo: “As despedidas são momentos da vida com os quais ainda não aprendi a lidar. É que, mesmo quando partimos rumo a um destino aspirado, as despedidas põem a nu, com a clareza do sol e a crueza da verdade mais verdadeira, o insuperável paradoxo da vivência humana; ela tem, lado a lado, como irmãos siameses, a coluna dos ganhos e a coluna das perdas. A cada nova etapa da vida, deixamos de ser o que fomos e o que somos, deixamos para trás um pouco de nós mesmos. Por isso é que se diz: quando nos despedimos, despedimo-nos também um pouco de nós mesmos”.

Celso de Mello também lembrou da música Tocando em Frente, na qual Almir Sater escreveu que “cumprir a vida é compreender a marcha ir tocando em frente”. “E é o que esta Corte Suprema já está a fazer, Senhora Presidente e Senhores Ministros, agora estimulada, ainda mais, pelo exemplo dado a este País pelo eminente ministro Teori Zavascki, que sempre teve presente, com a gravidade que o tema exige, o alto significado do Poder Judiciário para a preservação do Estado Democrático de Direito e para a vida de nossos cidadãos e a integridade de nossas instituições.”

O decano do Supremo falou ainda da atuação do ministro Teori na relatoria dos processos relacionados à operação “lava jato”. O Supremo, disse o decano, também lembrará de Teori “na repulsa vigorosa a atos intoleráveis que buscam capturar, criminosamente, as instituições do Estado, submetendo-as, de modo ilegítimo, a pretensões inconfessáveis”. “As práticas delituosas assim cometidas não podem ser admitidas nem sequer toleradas”, continuou Celso, “corrompem os valores da democracia, da ética e da justiça e comprometem a própria sustentabilidade do Estado Democrático de Direito”.

Clique aqui para ler o discurso

*Texto atualizado às 2/2/2017 para correção de informações.

Revista Consultor Jurídico, 1 de fevereiro de 2017, 14h45

Comentários de leitores

1 comentário

Enorme foi a perda.

José R (Advogado Autônomo)

Certamente não cabe em palavras a lástima que a todos engolfa pela trágica perda desse magistrado exemplar que foi o Min. Teori Zavascki.
Além de justa e sinceramente reverenciar sua memória, deve o STF , como é de seu dever, observar fielmente a ordem constitucional e nāo car na tentação do manejo de expedientes para recompor turmas com o propósito de direcionar a quem deseja o acervo e a relatoria dos feitos que lhe estavam encarregados... É o que espera a sociedade, que pranteia e se espelha no grande Juiz.
Nada de, contornando o juiz natural, convocar Lava Jato em
"Operaçao Paraná" por conveniências da hora...

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