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Suporte a Litígios

Infográficos ampliam poder de argumentação em petição

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O volume de informação presente na sociedade da informação inviabiliza que decisores abarrotados de informações, especialmente textuais, prestem atenção em algo que não esteja resumido e que vá direto ao ponto. É essa a razão de existir dos memoriais, por exemplo. Imagine seu poder de convencimento se os memorais contiverem gráficos, tabelas e desenhos elucidativos!

Um infográfico pronto, como os que vemos nos principais jornais e revistas do país, resumindo todo um assunto e demonstrando as principais questões com fotos, gráficos de barras, pizzas ou linhas, ilustrações e ícones, foi necessariamente produzido por uma equipe. De modo resumido, o trabalho inicia com a coleta, podendo ser feita por alguém da computação, que reúne vários dados e possibilita a análise, feita por um jornalista, possivelmente. Um especialista, que pode ser do campo jurídico, valida as conclusões produzidas; o roteirista, publicitário ou afim, faz o croqui de como devem se encaixar os assuntos a serem desenhados e destacados. Finalmente, o designer ou ilustrador faz o desenho propriamente dito e todos dão opinião nos ajustes.

A maioria das pessoas não possui o dom de desenhar. Assim como eu, os operadores jurídicos não tiverem conteúdos de artes gráficas na faculdade e sentem dificuldade em pensar de forma visual. A maioria dos escritórios e gabinetes jurídicos não possuem uma equipe especializada para a construção de infográficos em seus quadros. Também não é fácil e nem barato contratar agências de publicidade ou de jornalismo para a execução de um trabalho gráfico de cunho jurídico.

Na tentativa de facilitar os primeiros passos de como podemos utilizar pequenos resumos visuais com grande impacto e utilidade, a coluna da semana passada abordou a utilização de linhas do tempo como ferramenta para facilitar a demonstração de aspectos temporais nas peças jurídicas.

A pergunta que surgiu daquela exposição foi: e quando os elementos as serem destacados não são questões temporais, quais as visualizações que podem ser utilizadas? É normal que os assuntos em litígio não se concentrem somente em questões de tempo.

Vamos pensar de forma a separar as possíveis peças de um infográfico e, para isso, sugiro o rápido e útil resumo utilizado no livro Desenhando Negócios[1]. Já são vários os livros sobre pensamento visual (visual thinking) disponíveis no mercado; este em especial, cujo título em inglês é algo como: “de volta para o guardanapo”, sugere que saber desenhar não é uma condição para pensar visualmente, por isso a analogia com os desenhos rápidos e toscos em guardanapos de restaurantes. Mas sustenta que pensar visualmente é uma estratégia ímpar para reuniões, projetos e, especialmente, decisões.

O cerne da abordagem do livro passa por uma adaptação de uma ferramenta de gestão que é bastante utilizada para abordar e destrinchar um problema, o 5W2H.

Esta técnica da administração, originalmente japonesa, tenta, dado um problema, tarefa, projeto ou caso jurídico, identificar sete partes fundamentais:

Com base nestes quesitos, é possível identificar qual peça gráfica pode ser utilizada para sua demonstração visual. A inovação do livro não é a descoberta das técnicas, mas sim a ligação de cada abordagem com uma rápida pergunta básica. Não é novidade que o aspecto temporal (When) possa ser demonstrado em uma linha do tempo, como foi visto na coluna da semana passada.

A tabela a seguir descreve as técnicas que podem ser utilizadas em cada questão levantada:

Estas partes são maleáveis e intercambiáveis, permitindo que ao final de algumas descrições seja montado um infográfico básico, mas útil para apresentar uma ideia de forma rápida e bem organizada.

O autor ainda completa sua abordagem com uma reflexão para cada um dos quesitos levantados, indicando que cinco caminhos sejam avaliados quando da escolha de uma técnica:

— Devo construir de forma simples ou elaborada?
— Trata-se de uma abordagem quantitativa ou qualitativa?
— A perspectiva que se quer mostrar é de uma visão geral ou da própria execução?
— O aspecto da visualização será individual ou uma comparação?
— Quer se demonstrar uma situação tal como está ou em mudança?

Respondidas essas perguntas e escolhidas as ferramentas, já temos uma espécie de resumo visual sobre o tema do infográfico. Agora, mão à obra! Somente praticando que será possível encontrar as melhores visualizações para resumir, de forma contundente, seus argumentos.


[1] ROAM, Dan. Desenhando negócios: como desenvolver ideias com pensamento visual e vencer nos negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

 é diretor de produção da i-luminas – suporte a litígios, especializada em análise de quebras judiciais de sigilos. Doutor em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília, mestre em Inteligência Aplicada na Engenharia de Produção e Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Revista Consultor Jurídico, 11 de março de 2015, 11h16

Comentários de leitores

4 comentários

Parabéns pela corajosa abordagem do assunto

PimaCEP (Engenheiro)

Prezado Marcelo,
Digo que suas colocações sobre o assunto mencionado nestes artigos são esclarecedoras e importantes para enfrentar o tema, pois há muita rejeição por parte de advogados, juristas e articulistas ao uso de gráficos, infográficos, time line, entre outros, em petitórios judiciais, seja de qualquer natureza. Há muitas criticas quando se fala que os estudante de direito tem se apoiado em literatura jurídica que prega o uso de esquemas. Acho que a coletânea de Pedro Lenza e outros, sobre Direito Esquematizado, facilita o seu entendimento fazendo com que os estudantes tenham o interesse em procurar a continuidade no aprendizado de outras formas.
Por favor, continue publicando artigos desta natureza.
Parabens.

Parabéns pela coluna

Flávio Ramos (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Marcelo, escrevo para dizer que há também quem aprecie bastante conhecer novas lógicas e ferramentas para enxergar com mais clareza e expor em menos tempo. Continue-nas apresentando!
Embora eu também concorde que na grande maioria dos casos judiciais o texto resolve tudo sozinho, a imagem torna-se recomendável à medida em que aumenta a complexidade. Em processos contra associações criminosas, por exemplo, o organograma dos grupos é muito esclarecedor.

Ops. Nos importamos.

JOAOBATISTA0001 (Advogado Autônomo)

O colega diz que ninguém se importa. Vai ver pela falta de comentários.

Sinceramente acho que não há nada a ser comentado. A capacidade do professor é tamanha e a qualidade do texto próxima a perfeição que tecer comentários é naturalmente desnecessário.

Professor, continue firme nessa luta. Suas palavras colocadas de forma honesta e tranquilas já derrubou "gigantes" de audiência.

Esse desvelar do banal mostra que há muitos paradigmas forjados na comunidade jurídica atual.

Parabéns e obrigado por compartilhar esses conhecimentos publicamente.

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