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Acordo reservado

Chefes de 26 seccionais apoiam Lamachia para presidente da OAB nacional

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Ao discursar na abertura da XXII Conferência Nacional da Advocacia, o anfitrião do evento, presidente da seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, homenageou o vice-presidente do Conselho Federal da OAB, Claudio Lamachia. O cumprimento pode ter passado despercebido por quem acompanhava o evento, mas o destaque a Lamachia é intencional.

Enquanto a programação oficial do evento trazia temas como os filtros nos tribunais superiores, o uso do Habeas Corpus ou o trabalho infantil, os presidentes das seccionais da OAB por todo o Brasil travaram outra discussão cara à Ordem: a sucessão do Conselho Federal. Uma carta de apoio à candidatura de Claudio Lamachia (foto) a presidente da OAB nacional foi assinada, durante o evento, pelos chefes de 26 seccionais (todas, exceto São Paulo). A busca por apoio a candidaturas já é algo tradicional nas conferências da advocacia, segundo figuras escoladas na política da Ordem.

O documento, entregue ao atual presidente do Conselho Federal, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, deixa claro que o apoio é exclusivamente ao nome do Lamachia, sem qualquer outro apoio a posições de diretoria, afirma um dos que assinaram o documento. Segundo um importante nome do Conselho Federal da OAB, é um apoio histórico, por ter tantas assinaturas com tanta antecedência das eleições, que serão só em 2016 — até lá, no entanto, será formado outro colégio eleitoral, depois das eleições das seccionais. Procurado pela reportagem, Lamachia não quis fazer nenhum comentário.

Caminho próprio
Mesmo não assinando a carta, o presidente da OAB de São Paulo declarou sua amizade a Lamachia e disse que o via como um grande nome da advocacia. No entanto, disse que precisaria conversar melhor com seus conselheiros antes de declarar apoio. Vale lembrar que na última disputa pelo Conselho Federal, a OAB-SP ficou do lado oposto ao de Marcus Vinícius. À época, a seccional incentivou Alberto de Paula Machado, até então vice-presidente do Conselho Federal, a registrar sua candidatura, quebrando o acordo de fazer eleições de chapa única, com Marcus Vinícius à frente.

Chapa única, aliás, foi a palavra de ordem para colher o apoio a Lamachia. Assim, foi colocada a possibilidade de evitar o desgaste nas eleições — que, pela primeira vez na história, têm chance de serem via eleição direta — negociando espaço para os apoiadores na chapa.

Ex-presidente da seccional gaúcha da OAB, eleito pela primeira vez em 2007, Lamachia foi reeleito para a gestão 2010/2012, com 82% dos votos. Em 2012, ano em que sua gestão foi classificada como ótima ou boa por 90% dos advogados, entrou como vice na gestão de Marcus Vinícius Furtado Coêlho.

Formado em Direito na PUC-RS, Lamachia sempre trabalhou na advocacia pública como advogado concursado do Banco do Brasil, cargo do qual se afastou para exercer atividades de classe. Paralelamente, toca o escritório do avô desde o início da carreira e se especializou em Direito Empresarial. De uma família de advogados, Lamachia restabeleceu a tradição interrompida pelo pai, que optou pela administração de empresas. O sangue jurídico falou mais alto, inclusive na hora de casar. “Meu tataravô era advogado, assim como meu bisavô, meu avô, meus tios, meu irmão, minha esposa, e até o pai e o avô dela”, contou, em entrevista publicada pela ConJur em 2010.

 é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 27 de outubro de 2014, 19h39

Comentários de leitores

14 comentários

Forma "democrática" e "pluralista"

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Embora eu não conheça o advogado Claudio Lamachia, o nome não me pareceu estranho. Fique pensando por alguns dias, até que me recordei o motivo da familiaridade do nome. Há alguns anos eu recebi uma intimação do Tribunal de Ética da OAB, em São Paulo, dando consta da instauração de um procedimento administrativo disciplinar 05R000362012 contra mim, a partir de um ofício enviado pela Ordem dos Advogados do Rio Grande do Sul assinado pelo advogado Claudio Pacheco Prates Lamanchia, Presidente da OAB/RS. Tinha o seguintes conteúdo, direcionado ao Presidente da OAB/SP:
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"Ao comprimentá-lo, tendo em vista ter chegado ao conhecimento da Ordem Gaúcha manifestação do advogado Marcos Alves Pintar, OAB/SP nº 199051, publicada no site Espaço vital, em referência à matéria 'TJRS concede liminar para suspender ação penal contra advogado', no dia 15/12/2011, venho encaminhar o referido comentário para conhecimento e eventuais providências por parte do eminente Presidente"
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Enviei a resposta, e logo chegou aqui uma decisão de arquivamento repudiando a tentativa de censura por parte do então Presidente da OAB/RS. O parecerista disse que também não concordava com o que eu tinha escrito, mas que a discordância não transformava a opinião divergente em falta disciplinar ou conduta reprovável. A pergunta que eu faço aos advogados é: qual seria o destino dessa representação visando impor censura caso tivesse em curso no Rio Grande do Sul na época que o então Presidente Cláudio Lamachia tinha total controle por todos os Tribunais de Ética da Entidade? Por outro lado, será que é dessa forma "democrática" e "pluralista" que ele pretende governar o Conselho Federal da OAB?

Eleições diretas já!

AlexandrePontieri (Advogado Sócio de Escritório)

Eleições diretas já!

Discurso contraditório

Diego S. de Oliveira (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Confesso não ter entendido o discurso de apoio (ainda que velado) do Presidente da OAB-RJ à candidatura deste Senhor, considerando que a OAB-RJ lançou campanha por "Diretas Já". O órgão que tanto luta por democracia e liberdade é o único em que os profissionais cadastrados não podem votar no presidente do conselho federal. Estou sendo representado?

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