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Decoro judicial

Juiz americano perde estribeiras com mãe que ajudou namorado a abusar de filhas

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Não é comum um juiz usar palavrões ao sentenciar uma pessoa. Mas o juiz Howard Simms, de um tribunal superior da Geórgia, nos Estados Unidos, não se importou com o profissionalismo ou um suposto decoro judicial, ao proferir a sentença de condenação de uma mulher que ajudou o namorado a estuprar, por várias vezes, sua filha de oito anos e abusar sexualmente, de outras formas, da filha de seis.

“Eu não sei se eu já disse algum palavrão na minha função de juiz, mas você é provavelmente a puta mais desprezível que eu já encontrei na vida”, sentenciou o juiz, depois que a americana Amanda Arellano confessou sua culpa. E completou: “há um lugar especial no inferno para pessoas que fazem o que ela e o namorado fizeram”.

O juiz sentenciou a mãe das crianças a 30 anos de prisão, sem direito a livramento condicional. Cumprida a pena, será classificada como criminosa sexual pelo resto de sua vida. O namorado, Daniel Copeland, foi condenado no ano passado a 25 anos de prisão (menos tempo porque concordou em depor contra ela), também sem direito a livramento condicional. E também manterá a classificação perpétua de criminoso sexual, depois de cumprida a pena.

O casal abusou sexualmente das crianças de 1º de setembro de 2011 a 18 de janeiro de 2012. Antes disso, faziam sexo em frente às crianças. Depois a mãe passou a segurar as filhas, para que o namorado abusasse delas sexualmente. O pai de Copeland, que ouviu a confissão do filho, denunciou o casal à Polícia e à Promotoria.

Copeland também confessou o crime à Polícia e à Justiça. Ele disse que ele e Amanda começaram a usar drogas, o que os tornou “especialmente sexuais”. Desde então, ele passou a abusar sexualmente das crianças, com a ajuda de Amanda, e a tirar fotografias das crianças nuas.

Não há notícias, pelo menos por enquanto, se a sentença do juiz, que inclui palavrões, será examinada por qualquer comissão de conduta judicial.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 24 de agosto de 2014, 8h52

Comentários de leitores

16 comentários

Sentença não é lugar para "mimimi"

FELIPE CAMARGO (Assessor Técnico)

O Bel. Antonio Alves (policial militar) poderia nos poupar daquele jargão policial surrado ("bandido" e "vagabundo" não são termos técnicos) e do apelo emocional também surrado do tipo "e se fosse com você?". Ora, quem de alguma forma está envolvido com a situação não tem condições de opinar racionalmente. O direito não pode regular comportamentos com base nos desejos vingativos de pessoas emocionalmente envolvidas. Estranha-me muito que policiais, supostamente treinados para conter suas emoções, tenham um discurso tão meloso. Policiais e juízes deveriam ser mais profissionais e menos românticos. Deixem o drama para as novelas. Sem "mimimi". Postura!

Atitude justificável...

ABSipos (Advogado Autônomo)

mas longe de louvável ou recomendável.

Vale como um desabafo diante de uma situação de extrema torpeza e apenas isso.

Humanamente justificável

Marcio Machado (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Evidentemente que do ponto de vista formal o Juiz deve simplesmente basear sua sentença em critérios técnicos, guardando para si as suas impressões pessoais. Entretanto, da para se compreender que o Juiz é um ser humano e que assistiu em audiência o relato dos fatos das vítimas e da acusação, assim como esteve cara a cara com aquela pessoa que sequer pode ser chamada de mãe, responsável por tamanha atrocidade. Dito isto , é de se compreender ter externado sua indignação na sentença, esquecendo-se de todo o formalismo e deixando aflorar o seu lado humano. Impossível julgar negativamente tal atitude aqui, longe do calor dos fatos.

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