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A crise é grave

Dewey & Le Boeuf deve fechar as portas na terça-feira

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A advocacia norte-americana assistiu mais uma semana de hemorragia da banca Dewey & Le Boeuf. E esta pode ser a última. Na quarta-feira, foi a vez dos advogados Richard Shutran e Jeffrey Kessler abandonarem o barco, dois dos quatro últimos sócios dirigentes que ainda permaneciam à frente da agonizante banca, que está em dificuldades para negociar suas dívidas ao passo em que perde sócios para concorrentes

Restam agora Charles Landgraf e Martin Bienenstock como os únicos sócios diretores. O primeiro atua em Washington e cuida da prática envolvendo políticas legislativas e públicas. Bienenstock é responsável pela logística de negócios e gestão.

A publicação The Recorder, dos Estados Unidos, informou que os sócios remanescentes da Dewey devem nos próximos dias agendar uma votação para discutir a dissolução da banca. A expectativa é que o escritório encerre suas atividades, formalizando a falência, na semana que vem, terça-feira (15/5), dia em que as filiais localizadas na Califórnia devem fechar simultaneamente.

O portal na internet The Asian Lawyer noticiou que os escritórios da Dewey & Le Boeuf em Hong Kong e Pequim seguem operando normalmente sem qualquer previsão de encerramento. São filiais pequenas, que não ultrapassam 12 advogados. O boletim de notícias The Am Law Daily informou que, apesar da crise não ter sido sentida até então nos escritórios de fora do país, nas filiais de Pequim e Hong Kong foi distribuido um memorando em que é comunicado que, por conta de “desenvolvimentos adversos”, as atividades na Ásia podem também ser encerradas. Oficialmente, a Dewey ainda sustenta que está procurando negociar a efetivação de algum tipo de fusão com concorrentes e ainda negociar com seus credores. Extra-oficiamente, a imprensa americana garante que, sócios no mundo inteiro, têm sido recomendados a procurar oportunidades em outras bancas.

Conforme vem noticiando a Consultor Jurídico, ao passo em que a crise na Dewey se acirra, toda sua esperança de sobrevivência está na mão dos chamados rainmakers, sócios capazes de apagar incêndios pela capacidade singular de realizar negócios, atraindo clientes. Contudo, Berge Setrakian, apontado como o maior gerador de negócios da Dewey, comunicou sua intenção, também esta semana, de se mudar para a concorrente DLA Piper, de acordo com o que contou uma fonte anônima ao The AmLaw Daily.

Com ele, vai Joseph Tato, diretor de gestão de finanças globais da banca. Tanto Setrakian  quanto Tato levam seus times com eles. Até o momento, 112 sócios deixaram a banca desde janeiro.

No último ranking de 100 maiores bancas dos EUA, feito pela revista mensal The American Lawyer, o Dewey Le Boeuf ocupava o 28º lugar em faturamento quando  contava com mais de 1000 advogados (destes, cerca de 300 sócios). Desde 30 de abril, os dirigentes da Dewey & Le Boeuf têm aconselhado sócios e associados remanescentes a procurar outros negócios.

 é repórter da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 13 de maio de 2012, 7h24

Comentários de leitores

17 comentários

Sou otimista.

Leitor1 (Outros)

Sou otimista, Dr. Marcos Pintar (advogado autônomo - previdenciária). Afinal de contas, são juízes que estão anulando atos de outros juízes. A transparência hoje é maior que antes. Há inúmeros mecanismos para cobrança da observância da lei à disposição dos interessados (o que bem denota esse caso específico, mencionado pelo doutor). Há muita coisa para corrigir, sem dúvida. Mas estamos no caminho... e isso é melhor do que termos 'salvadores da pátria', 'caçadores de marajás' etc., que, não raro, apenas aplicam discursos demagogos de autoveneração... Solução? Aplicar fielmente a lei (mesmo as tais filigranas - para alguns, por sinal, a Satiagraha teria sido anulada por conta de filigranas... eu discordo. As leis devem ser cumpridas, salvo quando inconstitucionais! Logo, sou contra relativismos - mas reconheço que o conteúdo das leis sempre depende de interpretação (e há interpretações melhores que outras...).

Filigranas da lei

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

A questão, prezado Leitor1 (Outros), é que desde quando Cabral aqui aportou há 500 anos, as "filigranas" da lei tem sido vastamente utilizada por aqueles que agem como se fossem donos do país. Veja-se a questão dos concursos públicos da magistratura, que menciono abaixo por ser a bola da vez diante da suspensão do concurso do TJSP feita pelo CNJ. Para começar o fato parece um segredo, tão pouca é a divulgação pela imprensa. Em segundo, vemos que a Constituição determina claramente que tudo o que envolve a atividade administrativa dos tribunais deve ser feita às claras, sem conchaves, falcatruas e favorecimento pessoal. Mas se você perguntar a um desembargador qualquer, ou mesmo a qualquer um dos 16 mil juízes em atuação todos vão dizer que todos os concursos cumprem as determinações da Constituição, ao pé da letra. Mas como, se há relatos de que são feitas entrevistas individuais, fechadas, e as notas dos candidatos são atribuídas sem qualquer fundamentação, conforme foi exposto pelo candidato que pediu a suspensão do concurso? É nesse ponto que o cidadão comum precisa participar e opinar. Se querem que o concurso público sirva tão somente para aprovar apadrinhados, que vão julgar errado e de forma parcial? Ótimo, então que assim o seja. Mas, a meu ver, tal tipo de situação não pode ser deixada de ser levada aos cidadãos comuns em democracias, sob pena de, sob a bandeira democrática, se viver uma ditadura (como tem acontecido entre nós), lembrando que se mudanças dependerem das cúpulas dos tribunais brasileiros o cidadão comum pode esperar sentado.

Mas a vontade popular é manifestada pelas leis, não é?

Leitor1 (Outros)

Esse debate é relevante, Dr. Marcos. No geral, concordamos. Aliás, gosto de pessoas indignadas. Apenas assim é que o sistema evolui.
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Temo, porém, os assembléismos (ao estilo bolchevique...). O povo é a fonte de todo o Poder. Assim há de ser em toda democracia. Mas o respeito ao passado, a formulação de expectativas seguras a respeito do futuro também são da essência de um regime democrático (democracia não se resume a votos, não se resume à vontade popular... há também uma obrigação de 'conteúdo' - o que a maioria que vence faz com a minoria que perde...).
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Ao que releva: a vontade popular é manifestada pelas leis. Aliás, pela maior de todas as leis (a Constituição - supostamente escorada em um 'poder constituinte originário'. Digo 'supostamente' porque isso faz muito sentido em rupturas institucionais - revoluções -, mas faz pouco sentido em transições como a nossa, em que o lider da Arena ingressa no MDB e, tempos depois, se converte em Presidente da República com transformação de um Congresso (e alguns tantos senadores biônicos) em Assembleia Constituinte. Mas deixo isso de lado, no momento. Gosto da Constituição, e é perigoso colocá-la em causa...
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O que enfatizo é que cabe aos juízes aplicar a lei, sem que sejam insuflados pela opinião pública/publicada. Quanto a isso, creio que estamos de acordo.
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Quanto aos temas que o Dr. suscita, não tenho maiores informações. Respeito à presunção de inocência e boa-fé individual. Caso tais suspeitas procedam, são ilegais e devem ser censuradas.
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A ilegalidade também é componente do direito. Dificilmente será totalmente eliminada. Não devemos nos acostumar com arbítrio. Mas há um lento caminho para tanto. Indignemo-nos, portanto! Mas com correção de rumos dentro da estrita legalidade...

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