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Financiamento de campanha

OAB contestará doação de empresas nas eleições

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A Ordem dos Advogados do Brasil irá ao Supremo Tribunal Federal defender que empresas sejam proibidas de doar dinheiro para campanhas eleitorais. A decisão de propor ação contra o financiamento de campanhas por pessoas jurídicas foi tomada por unanimidade, nesta segunda-feira (22/8), pelo plenário do Conselho Federal da OAB.

Os conselheiros aprovaram parecer da conselheira federal Daniela Teixeira, que acolheu representação apresentada à Ordem pelo advogado Cláudio de Souza Neto e pelo procurador regional da República Daniel Sarmento. Os dois provocaram, além da OAB, a Procuradoria-Geral da República a se manifestar sobre o tema.

De acordo com a representação, a permissão para que empresas façam doações para campanhas eleitorais “compromete a higidez do processo democrático, promove a desigualdade política e alimenta a corrupção”. O documento foi aprovado por unanimidade e a Ação Direta de Inconstitucionalidade da Ordem deve ser proposta em breve.

Para o presidente do Conselho Federal, Ophir Cavalcante Junior, a ação é um passo no combate à corrupção eleitoral. “Procuramos com este ato dar uma pancada forte na corrupção, atacando esse comprometimento, essa promiscuidade entre empresas e candidatos já a partir das campanhas eleitorais”, disse Ophir ao comemorar a decisão do plenário.

Segundo o estudo elaborado por Cláudio de Souza Neto e Daniel Sarmento, a participação de empresas em campanhas prejudica a capacidade de sucesso eleitoral dos candidatos que não possuem patrimônio expressivo para suportar a própria campanha e tenham menos acesso aos financiadores privados. De acordo com eles, a doação de dinheiro por empresas “cria perniciosas vinculações entre os doadores de campanha e os políticos, que acabam sendo fonte de favorecimentos e de corrupção após a eleição”.

O advogado e o procurador ressaltaram que em recente seminário sobre reforma política feito pela OAB, o advogado constitucionalista Luís Roberto Barroso, relator das conclusões do evento, anotou que “a conjugação de campanhas milionárias e financiamento privado tem produzido resultados desastrosos para a autenticidade do processo eleitoral e para a transparência das relações entre o Poder Público e os agentes econômicos”.

Na representação, os dois sustentam que o Supremo deve declarar inconstitucionais os diversos artigos de lei que permitem que o financiamento de campanhas eleitorais seja também feito por pessoas jurídicas. Para eles, apenas pessoas físicas devem poder doar dinheiro para os partidos e seus candidatos.

O advogado e o procurador propõem também que seja alterado o limite de doações que podem ser feitas por pessoas físicas. Hoje o limite é de 10% do rendimento bruto obtido pelo cidadão no ano anterior ao da eleição. “Não há qualquer problema quando uma pessoa de rendimentos modestos faz doação que supere o patamar de 10% dos seus rendimentos brutos percebidos no ano anterior. Porém, o mesmo critério de 10% da renda, quando aplicado a um doador bilionário, se afigura excessivamente permissivo, por possibilitar que o poder econômico exerça uma influência desproporcional na eleição”, argumentam.

Apesar de pedirem para que o limite também seja declarado inconstitucional, Souza Neto e Sarmento propõem que as regras atuais continuem válidas por até 24 meses, para evitar o que chamam de “lacuna jurídica ameaçadora na disciplina do limite às doações”. Os dois sugerem que, em caso de decisão favorável aos seus pedidos, o Congresso Nacional seja provocado para fixar novas regras em relação aos limites de doação no prazo de 18 meses, sob pena de o Tribunal Superior Eleitoral ter de regular provisoriamente a matéria.

Ao menos dois ministros do STF já se manifestaram favoráveis à proibição de doação de recursos financeiros de empresas para partidos políticos e candidatos. Em recente entrevista sobre reforma política concedida à revista Consultor Jurídico, o ministro Ricardo Lewandowski afirmou: “Sou favorável ao financiamento público das campanhas. Entendo que ele deve ser predominante, embora não exclusivo, eliminando-se apenas as doações das pessoas jurídicas”.

O ministro Dias Toffoli também já defendeu essa mudança, em mais de uma ocasião. Em palestra que proferiu em outubro do ano passado no XIII Congresso Brasiliense de Direito Constitucional, o ministro disse ter dúvidas se a Constituição Federal possibilita a participação de pessoa jurídica no processo eleitoral por meio de doação de recursos financeiros. “Pessoa jurídica não vota. Quem vota é o cidadão. Por isso, é preciso discutir a participação das empresas neste processo”, afirmou.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 22 de agosto de 2011, 16h28

Comentários de leitores

3 comentários

FINANCIAMENTO PÚBLICO É RETROCESSO

Milton Terra (Advogado Sócio de Escritório - Eleitoral)

Sou contra o financiamento público exclusivo para campanhas eleitorais porque acho que seria um retrocesso no sistema eleitoral brasileiro. Na eleição presidencial de 1989 havia a proibição de doações de empresas que gerou o escandalo PC Farias levando a deposição do Presidente Collor. Na França existe o financiamento público eleitoral e eles já concluiram que esse modelo promove um aumento da corrupção nas eleições. Na minha opinião trilhamos um caminho certo e que precisa ser aperfeiçoado com maior controle sobre os candidatos e doadores. Partir para o financiamento público exclusivo seria involuir no sistema de financiamento eleitoral que permitiu um avanço democratico no país desde a redemocratização.

É bem verdade que algumas empresas financiam Campanhas...

Liz ASP (Professor)

É vedade, muitos dos governadores, prefeitos, entre outros recebem doações de empresas, isso não é novidade para minguém, é claro tem um preço depois de eleitos, basta ter trabalhado em alguma empresa pública, ou numa Secretária de Estado para saber, qual é a cobrança. Mas pergunto quem vai bancar estas campanhas? Se assim acontecer só entraram pessoas na política da Classe A e mais uma pergunta quem irá financiar a canditatura do atual Presidente da OAB de São Paulo, D'Urso, a prefeito de SP pelo PTB??????? Os advogados? As incrições do Exame de Ordem da OAB? A Igreja Evangélica, Católica? Quem? Alguém saberia me responder?
Dra. Elizabeth Holzmann - bacharel em Direito, fisioterapeuta.
AFEBD- Associação Federativa dos Bacharéis de Direito. www.afebd.com.br

doação propicia corrupção

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal (Advogado Autônomo - Criminal)

Até parece que descobriram a América! Os financiadores de campanhas são sempre os mesmos, a vida inteira metidos em falcatruas, da mesma forma que circulam na sociedade primeira classe e chapa branca com desenvoltura, paparicados por quem deve ou deveria impedir atos de improbidade.

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