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17 março 2009
Prova de honestidade
Advogado mostra contrato para receber RPV de cliente
No Piauí, os advogados têm de juntar aos autos o contrato de honorários para levantar o pagamento de requisições de pequeno valor de seus clientes. É o que determina a Portaria 8, de 3 de dezembro de 2008, expedida pelo juiz Sandro Helano Soares Santiago, coordenador dos Juizados Especiais Federais piauienses.
A Portaria foi mantida pelo Conselho Nacional de Justiça nesta terça-feira (17/3). Os conselheiros negaram pedido de liminar da seccional da OAB no Piauí, que requereu a suspensão da portaria com o argumento de que a exigência fere o Estatuto da Advocacia e a Lei Orgânica da Magistratura (clique aqui para ler a inicial).
A seccional também afirmou que a exigência coloca sob suspeição todos os profissionais. O mérito do caso deve ser julgado nas próximas sessões do CNJ. Não há data marcada para que volte à pauta.
“A regra presume que os advogados irão desviar o dinheiro de seus clientes”, afirmou o conselheiro Paulo Lôbo à revista Consultor Jurídico. Segundo Lôbo, há 40 mil processos cujo pagamento deve ser feito por meio de requisições de pequeno valor no Piauí e, na maior parte das vezes, não são nem fechados contratos formais. “Os valores são pequenos e o contrato, em muitos casos, é verbal”, disse. Técio Lins e Silva e Marcelo Nobre concordaram com Lôbo e votaram por conceder liminar para suspender a portaria.
A maioria, contudo, votou de acordo com o relator do processo, José Adonis. Para o conselheiro, não há urgência que justifique a concessão da liminar. “O cumprimento da portaria até final julgamento deste procedimento de controle administrativo não implicará danos irreparáveis às partes e aos advogados com atuação no espaço de incidência da norma”, justificou Adonis.
O secretário-geral adjunto do Conselho Federal da OAB, Alberto Zacharias Toron, afirmou que a regra é generalista e se baseia na falsa premissa de que a maior parte dos advogados não presta contas aos seus clientes. "Reconheço que há muitos processos disciplinares sobre prestação de contas, mas a maior parte dos advogados é honesta", disse. Toron participou da sessão como o representante da OAB.
Os conselheiros decidiram que é prudente aguardar a apreciação da matéria pela Comissão Permanente dos Juizados Especiais Federais, do Conselho da Justiça Federal.
Rodrigo Haidar é correspondente em Brasília da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 17 de março de 2009
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Comentários
Comentários de leitores: 4 comentários
Não vejo nada demais nisso....
Em se tratando de RPV, que, geralmente, na Justiça Federal abraça valores de gente humilde (aposentados, na sua maioria), que não tem nem CORAGEM de pedir prestação de contas ao advogado, acho justa a media e vou além...
Em se tratando de levantamento de numerário em nome de cliente, deveria ser obrigatório a juntada do contrato de honorários e um número de conta (poupança ou corrente) do cliente... Assim, os depósitos seriam feitos independentemente.
Pensem nisso.....
Advogados honestos
Mas também entendo que muitas pessoas, ao assinarem procuração, não são cientificadas de cláusulas de receber e dar quitação e ao mesmo tempo não sabem ou não tem condições de acompanhar o andamento das rpvs para saber o valor real lançado. A boa-fé, que se presume, é um princípio norteado por deveres colaterais de conduta, como o dever de informação. Quem não cumpre o dever de informação à risca não pode exigir a presunção de boa-fé em seu favor.
Por isso, com todo respeito ao Dr. Sérgio, eu concordo com a portaria.
Só falta cadastro e carteirinha para o advogado receber...
.
Francamente, tem cada uma...
(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito e doutorando pela USP – Professor de Direito – Palestrante – Parecerista – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br
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