Notícias
11 março 2009
Exercício da função
Ajufesp repudia investigação do TRF-3 contra juiz
A Ajufesp (Associação dos Juízes Federais de São Paulo) divulgou nota em que repudia a abertura de procedimentos administrativos contra o juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, pela Corregedoria-Geral do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Uma investigação foi aberta para apurar a forma como o juiz conduziu a ação resultante da Operação Satiagraha, contra o banqueiro Daniel Dantas. A outra seria para investigar a desobediência do juiz no caso MSI/Corinthians.
A revista Veja, em sua última edição, divulgou que um dos procedimentos pretende investigar a existência de um consórcio formado entre Polícia, Ministério Público e Judiciário na operação que investigou Daniel Dantas.
Depois da apuração pelo corregedor, desembargador André Nabarrete, o Órgão Especial do TRF-3 vai decidir se abre ou não processo administrativo disciplinar contra o juiz.
A diretoria da Ajufesp, na nota, reitera solidariedade ao juiz e diz que confia “no senso de justiça e na independência” dos integrantes do Órgão Especial. “Os atos tomados por um juiz no exercício da função jurisdicional não são passíveis de medidas disciplinares, sendo esse um dos pilares da independência judicial e da ordem democrática”, defende a Ajufesp.
Defesa pessoal
Na segunda-feira (9/3), o juiz De Sanctis divulgou nota em que nega que esteja sendo investigado pela corregedoria do TRF-3 por acusação de ter participado de consórcio na Operação Satiagraha. O juiz observou que textos jornalísticos não podem ser usados como prova judicial. “Matéria jornalística não pode servir de lastro para conclusões judiciais, à exceção dos casos de crimes contra a honra ou de ações cíveis indenizatórias”, escreveu.
Segundo a assessoria da Justiça Federal de São Paulo, De Sanctis aceita apenas 2,4% dos pedidos de quebra sigilo que chegam da Polícia. Na Satiagraha, essa média foi mantida. De Sanctis afirmou, também, que ataques de parte da imprensa podem impedir que o juiz julgue com independência.
Leia a nota
NOTA PÚBLICA: FAUSTO DE SANCTIS
Em razão de recentes matérias jornalísticas, que tratam da proposta de abertura de dois procedimentos administrativos disciplinares pela COGE-TRF3 - Corregedoria Geral da Justiça Federal da 3ª Região contra o juiz federal Fausto De Sanctis, um por suposto desrespeito à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no caso MSI/Corinthians e outro em decorrência da atuação do magistrado na Operação Satiagraha, a Ajufesp – Associação dos Juízes Federais de SP e MS esclarece que:
1 – Entrou em contato pessoal com o juiz federal Fausto De Sanctis e com o Corregedor-Geral da Justiça Federal da 3ª Região, desembargador federal André Nabarrete;
2 – Foi informada de que a COGE-TRF3 instaurou três expedientes em relação ao juiz federal Fausto De Sanctis, dos quais um foi arquivado pelo Corregedor e que os outros dois podem resultar na abertura de processo administrativo disciplinar, segundo deliberação a ser tomada pelo Órgão Especial do TRF da 3ª Região, composto pelos 18 desembargadores federais mais antigos;
3 – Os expedientes em questão estão sob sigilo;
4 - Reitera sua solidariedade ao juiz federal Fausto De Sanctis e aguarda a manifestação do Órgão Especial do TRF da 3ª Região, confiando no senso de justiça e na independência de seus integrantes;
5 - Reconhece a autoridade do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e a seriedade do Corregedor-Geral da Justiça Federal da 3ª Região, André Nabarrete, mas se reserva o direito de discordar de suas atitudes;
5 – Os atos tomados por um juiz no exercício da função jurisdicional não são passíveis de medidas disciplinares, sendo esse um dos pilares da independência judicial e da ordem democrática;
6 - Considera que o momento requer serenidade, união e uma postura firme dos juízes federais, pois várias informações contraditórias e, muitas vezes, infundadas, vêm sendo divulgadas pela imprensa em relação ao juiz federal Fausto De Sanctis;
7 – Manterá sua atuação independente e intransigente na defesa das garantias constitucionais da magistratura federal.
A Diretoria
Revista Consultor Jurídico, 11 de março de 2009
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 11/03/2009 Juiz dos EUA manda desbloquear parte do dinheiro do Opportunity
- 10/03/2009 Delegados da PF reclamam de vazamento de inquérito contra Protógenes
- 10/03/2009 CPI dos Grampos é prorrogada por 60 dias para investigar Protógenes
- 10/03/2009 Mulher de Protógenes estava em restaurante onde Nélio foi fotografado
- 10/03/2009 Tarso afirma que Protógenes pode ter cometido graves irregularidades
- 10/03/2009 Protógenes será indiciado por grampo ilegal e por violar sigilo funcional
- 10/03/2009 Ajufe defende Fausto De Sanctis após Veja apontar rede de espionagem
- 09/03/2009 PF promete finalizar relatório sobre atuação de Protógenes Queiroz
- 08/03/2009 Entrevista: Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado e militante de esquerda
- 07/03/2009 Reportagem de Veja mostra que Protógenes criou rede de espionagem
Comentários
Comentários de leitores: 0 comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 19/03/2009.