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30 julho 2009
Poluição sonora
Igreja Universal terá de parar com barulho em MG
A Igreja Universal em Ponte Nova (MG) não conseguiu convencer os desembargadores da 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais de que a reclamação de moradores por causa do barulho dos cultos era por conta de preconceito e intolerância religiosa. Eles entenderam que há provas nos autos de que o barulho é excessivo e determinou que a Universal não perturbe o sossego alheio com ruídos ou sons em níveis sonoros superiores a 70 decibéis durante o dia e 60 decibéis durante a noite, sob pena de multa no valor de R$ 1 mil por descumprimento.
O desembargador Alberto Henrique, relator do recurso, entendeu que os documentos anexados no processo foram “contundentes e hábeis a comprovar os ruídos que vêm sendo feitos pela igreja, que podem ser considerados mesmo poluição sonora, diante da sua magnitude, e os prejuízos sofridos pela população que reside no entorno, com tais ruídos.” Ele afirmou, ainda, que “além de retirar-lhes o sossego, tais barulhos contínuos podem ser prejudiciais à saúde de todos que ali habitam.”
A ação foi movida por um empresário que mora próximo à igreja. Segundo ele, a rua era tranquila até que, há pouco mais de um ano, foi instalada uma unidade da Igreja Universal do Reino de Deus. O morador alega que acontecem, diariamente, a partir das 7h, em horários variados, cultos e pregações “com gritarias, toques de instrumentos musicais, cânticos e orações difundidos por meios mecânicos que, sem nenhum isolamento acústico, produzem sons indesejáveis, desagradáveis e perturbadores”. Também conta que, aos sábados e domingos, tornou-se impossível descansar até mais tarde, devido aos “cânticos dos fiéis e da gritaria dos pastores, configurando autêntica poluição sonora”.
Os moradores tentaram, por meio de um abaixo-assinado, resolver o problema por meio da prefeitura da cidade com um pedido administrativo solicitando providências. Nos dias 15 e 17 de fevereiro e também no dia 1º de março de 2009, fiscais do município foram ao local munidos de um aparelho para medir o ruído e constataram que os sons produzidos pela igreja chegaram a 81,40 decibéis. Como nenhuma providência foi tomada pela prefeitura, o empresário entrou com a ação contra a igreja, com pedido liminar para que fosse suspensa a poluição sonora.
O juiz Damião Alexandre Tavares Oliveira, da 1ª Vara Cível de Ponte Nova, acatou o pedido liminar, impondo multa no valor de R$ 5 mil por descumprimento por parte da igreja.
A igreja recorreu ao TJ. Alegou a invalidade dos laudos de medição sonora por terem sido produzidos unilateralmente. A igreja afirma, ainda, que possui aparato para minimizar os efeitos da pressão sonora e que por trás das alegações dos moradores, a real motivação é o preconceito e a intolerância religiosa.
Os desembargadores do TJ mineiro apenas diminuíram o valor da multa para R$ 1 mil. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-MG.
Processo 1.0521.09.085.826-2/001
Revista Consultor Jurídico, 30 de julho de 2009
Comentários
Comentários de leitores: 4 comentários
Oração ou algazarra?
É preciso que os Poderes constituídos encontrem alguma forma de barrar a investida dessas "igrejas" que estão tomando espaço de forma assustadora. Veja o que estão fazendo com a televisão, com o rádio. Ao se ligar a TV abera, só se veem pastores e bois, o dia inteiro. Quem é que paga essa conta? Pobres fiéis!!
As vítimas são as pessoas mais simples e mais pobres, pois são presas fáceis, que, geralmente, são assediadas nos momentos de maior fagilidade, ou até de desespero.
É preciso que o Ministério Público dê atenção a essa tragédia. Eles já oferecem até cursos de pastor na TV. Absurdo!! Virou "a indústria da religião".
É também preocupante a quantidade de "pastores" que estão infestando o meio político. E, provavelmente, a julgar pela enxurrada de "igrejas" se veem por aí, nas próximas eleições, o número de "evangélicos" eleitos vai aumentar. Onde é que isso vai parar". Essa gente está transformando a nossa terra (Brasil) num inferno.
Essa atitude de Nova Ponte é um sinal de que as pessoas já estão cheias desses barulhões. Tomara que isto estimule as pessoas a tomarem providências contra essas algazarras perturbadoras, e que o povo tome consciência do que é e do que não é Igreja.
É PRECONCEITO!
O barulho...
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.
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