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1 julho 2009
Imprensa osmótica
Adversários de Dantas não sabem por que o destestam
Aonde o boi vai, a manada vai atrás
Pedro Alexandre Sanches, crítico de música, repórter, escreve um artigo interessantíssimo em seu blog de 25 de junho. O título é "Simonal e a ditabranca”, e o tema, trazido pelo filme "Ninguém sabe o duro que dei”, é Wilson Simonal. Mas o que nos interessa, neste momento, não é saber se Simonal foi ou não informante, nem analisar por que a imprensa, fosse qual fosse sua tendência ideológica, preferiu sepultá-lo vivo. O que chamou a atenção deste colunista foi um excelente depoimento do próprio Sanches, que encarava Simonal com hostilidade e acabou descobrindo que não sabia por que não gostava dele – um problema enfrentado não apenas por Simonal, mas por inúmeros alvos da artilharia da imprensa.
Este colunista, em CPIs, já viu coisas fantásticas. Viu repórteres arrumando as unhas, sem prestar a menor atenção aos depoimentos, para depois ouvir os acusadores, só os acusadores, e escrever a matéria. Viu, certa vez, um parlamentar exigir que os colegas de trabalho do investigado levantassem as mãos, para identificá-los; e repórteres gritando "manda ficar de pé pra gente escrachar!” Outra vez, graças aos esforços de um parlamentar cujo caráter não chega a ser imaculado, foi vítima de um engraçadíssimo interrogatório, movido pela segurança da Casa: embora fosse conhecido de todos, embora tivesse todos os documentos em ordem, embora estivesse com o crachá da CPI pendurado no pescoço, queriam provar que se tratava de outra pessoa, com outro nome, mas que também era gordo. Os repórteres assistiram à cena, mas não a narraram: afinal de contas, não era nada que pudesse prejudicar o investigado, de quem não gostavam.
Faça um teste, caro colega: pergunte a alguém quais são os crimes pelos quais o banqueiro Daniel Dantas foi condenado, e por quais outros é investigado. Não é questão de discutir culpa (isso já foi decidido pelo juiz que o condenou): apenas de ganhar a certeza de que alguns dos mais ferozes adversários do banqueiro entre os repórteres não têm a menor idéia do motivo pelo qual o detestam.
Tudo bem, cada um gosta de quem quer. Só que isso não é jornalismo. Jornalismo é o que fez Pedro Alexandre Sanches (e, em sentido oposto, sustentando a culpa de Simonal, é o que fez Mário Magalhães). O resto é achismo.
[Texto publicado originalmente na coluna de Carlos Brickmann, no Observatório da Imprensa, em 30 de junho de 2009.]
Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e especialista em gerenciamento de crises.
Revista Consultor Jurídico, 1º de julho de 2009
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Comentários
Comentários de leitores: 6 comentários
ETA MANADA !!!!
Vai fazer um ano de Santiagraha e até agora não saiu nenhuma denúncia. Sendo que os réus já foram indiciados, pelo mesmo fato, duas ou três vezes. Deve estar difícil de achar crime em atividades financeiras iguais àquelas que o mercado financeiro todo faz normalmente todos os dias e que são legais.
Mas se houver denúncia podem ficar felizes, pois o juiz do caso vai agir de acordo com o determinado pela Constituição Federal aos titulares da ação penal pública (art. 129 I) (Estou sendo sutil, este não deveria ser o papel dele, mas ele faz assim mesmo). Ele irá ajudar a acusação e condenar, pois ele é adepto da escola do Nicolau Eymerich, Inquisidor mor da Espanha na época da Inquisição da Igreja Católica.
Para esses juízes o princípio a seguir é “na dúvida pau no réu”.
Ah e para os desavisados. EU TENHO O DIREITO DE PENSAR DIFERENTE!!!!! E VOU UTILIZAR.
estranho
Mas ainda não entendi o objetivo do texto: Será que foi para demonstrar que quem o escreveu defende Daniel Dantas?
Pois agora eu é que pergunto: porque tanto jornalista defende Daniel Dantas? Acho que esta pergunta é mais fácil de responder...
Francamente!
Os que defendem estão na FOPAG de DVD
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