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Vítimas de Madoff

Banco deve ressarcir investidores por perdas

Os grandes bancos do mundo admitiram ter vendido produtos financeiros relacionados ao gestor Bernard Madoff, acusado de fraude estimada em US$ 50 bilhões. O espanhol Santander foi o primeiro a apontar publicamente uma solução para os clientes lesados. A instituição anunciou um plano onde os investidores que tiveram prejuízo poderão ter o capital inicial ressarcido mediante a condição de aceitar ações preferenciais do banco que pagam juro de 2% ao ano por dez anos. Caso o cliente queira revender o papel antes desse prazo, terá de aceitar um deságio de valor ainda não definido. A proposta não é válida para investidores institucionais (fundos de pensão, de investimento etc). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O advogado Otto Lobo, do escritório Motta, Fernandes Rocha Advogados, avaliou que a decisão do Santander pressiona as outras instituições financeiras, da qual os clientes foram vítimas de Madoff. “É a primeira vez que um banco faz uma proposta dessas publicamente. De forma sigilosa, outros acordos já foram acertados na Justiça”, disse.

Lobo diz que o escritório dele tem sido procurado por clientes brasileiros que perderam dinheiro com a fraude. “Estamos formando grupos para entrar com ações conjuntamente, o que dá mais força à causa”, afirmou. De acordo com ele, as ações serão apresentadas na Suíça e nos Estados Unidos.

O Estado de S. Paulo diz que um porta-voz do Santander explicou que o total do valor estimado pela operação de ressarcimento é de 1,38 bilhão de euros, mas a provisão já feita pelo banco (que aparecerá no balanço de 2008, a ser divulgado na semana que vem) é de 500 milhões de euros. Segundo ele, a diferença se deve ao fato de que os 500 milhões de euros representam o valor atual de mercado das ações preferenciais. Os clientes do banco que tinham investimentos de 1,38 bilhão de euros no fundo Optimal Strategic, se venderem as ações assim que as receberem, terão 500 milhões de euros, se aceitarem a proposta.

A assessoria do banco informou que os clientes que tiverem interesse na solução proposta devem procurar os gerentes de suas contas. A nota diz que o “Grupo tomou essa decisão dadas as excepcionais circunstâncias que envolvem este caso e com base em razões exclusivamente comerciais, pelo interesse que tem em manter sua relação de negócio com os referidos clientes”.

O caso

Bernard Madoff, ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq, em Nova York, foi preso no dia 11 de dezembro de 2008, acusado de comandar um esquema de pirâmide financeira que teria causado um prejuízo mundo afora de cerca de US$ 50 bilhões. A Justiça livrou o gestor, de 70 anos, da cadeia e determinou que fique em prisão domiciliar.

Segundo agências internacionais, a grande maioria das vítimas do Santander fica na América Latina. O banco espanhol está se esforçando para evitar que a questão prejudique sua reputação em uma região onde obtém cerca de um terço de seus lucros. O Santander é o segundo maior banco em valor de mercado da Europa.

Revista Consultor Jurídico, 28 de janeiro de 2009, 14h36

Comentários de leitores

1 comentário

Santander

Jajá (Contabilista)

Bem, acho que por isso as taxas de juros estão a 6% ao mês no crédito pessoal. É para ajudar!

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