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Crise no trabalho

OIT diz que 2,4 millhões perderão emprego na AL

Laís Abramo, diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil - por Valter Campanato/ABrCerca de 2,4 milhões de pessoas perderão o emprego este ano na América Latina e no Caribe. A previsão é da Organização Internacional do Trabalho, que divulgou a nova edição do relatório Panorama Laboral, nesta terça-feira (27/1). Segundo a entidade, este ano acaba o fim do ciclo positivo de cinco anos de queda no desemprego.

O desemprego urbano de janeiro a novembro do ano passado estava em 7,5%, o melhor nível desde 1992. Em 2007, esse número era de 8,3%. Isso pode ser explicado pelo crescimento do PIB que chegou a 4,6% na região. A taxa de desemprego já chegou a 11,2% em 2003.

Só no Brasil, segundo a OIT, entre janeiro e novembro do ano passado, o desemprego ficou em 8% — uma queda de 1,5 ponto porcentual em relação a 2007. O levantamento da OIT usa os dados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, que analisa as seis principais regiões metropolitanas do país.

Para a OIT, no entanto, o quadro está se alterado. O Panorama Laboral estipula uma queda de 1,9% no crescimento da região, o que significa uma taxa de desemprego entre 7,9% e 8,3%. A entidade diz que o número representa algo entre 1,5 milhão e 2,4 milhões de pessoas, que seriam somadas aos 15,7 milhões de desempregados atuais. “Se isso se confirmar realmente entraremos num processo muito forte de redução do crescimento e consequente aumento do desemprego”, afirmou a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo (foto).

A OIT usa cálculos da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) para projetar o crescimento do PIB. Segundo esses prognósticos, a economia brasileira deve crescer 2,1% neste ano.

Para Laís, o saldo de empregos no Brasil ainda é bom, mas o resultado de dezembro, quando foram fechados mais de 650 mil postos de trabalho formais, mostra o que deve ocorrer nos próximos meses no país em relação ao emprego. A diretora diz que a OIT não tem posição oficial sobre os acordos trabalhistas com a redução da jornada de trabalho e salários. Mas, ela defende que “a solução não pode ser a precarização do trabalho”.

Segundo o estudo, as mulheres e os jovens são os mais prejudicados quando o assunto é desemprego. O nível de desocupação entre os jovens das áreas urbanas dessa região é 2,2 vezes maior que a média geral de desemprego. Entre as mulheres, o número de desempregadas é 1,6 vez maior que entre os homens.

Quase 4 de cada 10 ocupados urbanos precisam da cobertura da proteção social, afirma a OIT. O aumento dos salários foi de 3,2% no ano passado. Em 2007, essa média era de 3,7%. No Brasil, o reajuste médio das remunerações em 2008 foi de 1,6%.

O diretor da OIT para a América Latina e o Caribe, Jean Maninat, disse que os governos precisam encontrar fórmulas urgentes para evitar uma retração grande do emprego na região. “Não podemos perder de vista o objetivo do trabalho decente. Agora é importante concentrar-se em um de seus componentes fundamentais, que é geração de emprego. Mas a superação da crise também dependerá de evitar a deterioração das condições de vida das pessoas que movem as economias”, disse Maninat.

A pesquisa é feita na Argentina, Barbados, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela.

Clique aqui para ler o relatório em espanhol

Foto: Agência Brasil/Valter Campanato

Revista Consultor Jurídico, 27 de janeiro de 2009, 19h14

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