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Jornalistas do presidente

Lula respeita Gaspari, gosta de Mino e não lê Mainardi

O presidente Lula não lê jornal — porque lhe dá azia. Mas tem jornalistas de sua preferência e de seu desagrado. Em entrevista ao repórter Mário Sergio Conti, da revista Piauí, cuja íntegra foi colocada no site do Planalto pelo serviço de comunicação do governo, Lula declara sua preferência e até amizade por Clóvis Rossi, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif e Mino Carta. E não dissimula sua aversão por Merval Pereira, Ali Kamel, Jânio de Freitas e Diogo Mainardi. Acima das preferências pessoais, coloca apenas Elio Gaspari.

Sobre Elio Gaspari, colunista da Folha e de O Globo, o presidente disse que tem um profundo respeito por ele. “Acho um dos grandes jornalistas brasileiros, independentemente de gostar dele”, diz. Sobre Merval Pereira, também colunista de O Globo, Lula afirma que ele é “às vezes, um jornalista de um pensamento só, ou seja, contra o governo”.

O presidente demonstra certo ressentimento com Ali Kamel, diretor executivo de jornalismo da TV Globo: “O Ali Kamel já fez artigos me defendendo do preconceito, mas eu tenho profundo ressentimento da campanha de 2006”. Já sobre Diogo Mainardi, Lula simplesmente diz que não o lê.

No grupo dos amigos, Lula coloca explicitamente dois jornalistas: Clóvis Rossi (Folha) e Mino Carta (CartaCapital). Sobre o segundo, o presidente até se declara suspeito para comentar algo sobre ele. “Eu sou muito amigo do Mino Carta. Eu sou amigo do Mino Carta antes da CartaCapital”, afirma Lula, confirmando que vai às festas da empresa de Mino por amizade.

O mesmo gosto é demonstrado a Nassif. “Eu gosto muito do Nassif. Independentemente de qualquer coisa, eu acho o Nassif um dos grandes analistas econômicos do país”. Sobre Jânio de Freitas (Folha) ele diz que é um admirador, mesmo quando ele fala mal do governo.

Já a opinião de Lula sobre Paulo Henrique Amorim é mais complexa: “sempre tive admiração pelo Paulo Henrique Amorim, desde o tempo em que ele era analista econômico da Globo. Eu acho que quando ele foi trabalhar na Bandeirantes ele enveredou por um caminho, assessorado por um jornalista que já não trabalha mais com ele, que cometeram erros crônicos na imprensa. Agora, ele está com um bom programa de debates, que eu acho que... mesmo quando ele critica, você percebe que tem fundamento”. O jornalista a que se refere o presidente é Joaquim de Carvalho.

Leia a transcrição da entrevista

Jornalista: Presidente, é o seguinte: eu queria saber... o senhor está com a imprensa aí há quase 40 anos na sua cola. Estando no Planalto, muda a sua relação, piora, o senhor sente que a imprensa é melhor ou pior do que o senhor achava antes ou não?

Presidente: Eu não vejo, Mário Sérgio, melhora ou piora na imprensa. Eu acho que a imprensa brasileira tem um comportamento, que não é um comportamento de agora, é um comportamento histórico. Eu, por exemplo, sou um cidadão brasileiro que nunca tive a grande mídia brasileira com preocupação de fazer coisas favoráveis a mim, e nunca me preocupei muito com isso, porque antes de tudo eu acredito na inteligência de quem assina uma revista, de quem assina jornal, de quem vê televisão e escuta rádio. Possivelmente, ainda tenha gente inocente, que acredita que tudo o que ele fala, tudo o que ele escreve é recebido pelo leitor como a verdade mais absoluta, ou seja, ele não acredita na capacidade de análise do leitor, que pega uma matéria e percebe se há má fé, se não há má fé, se a matéria está informando corretamente ou se não está informando corretamente. Hoje a informação é muito plural, não tem mais apenas a informação de tal revista, a informação de tal jornal. A informação é veiculada por diferentes fontes. Então, quando o cidadão pega o jornal de manhã, aquela matéria ele já viu na televisão, ele já ouviu no rádio, ele já viu em vários blogs (incompreensível) diferentes, então aumenta a capacidade de interpretar do cidadão que lê.

Jornalista: Agora, o senhor falou uma vez, eu fiz uma matéria com o senhor, eleição municipal 2000, 2001. A gente percorreu várias cidades, uma semana, dez dias. Eu, o senhor, tinha mais gente, o Zé Dirceu... Mas aí o senhor... a relação que o senhor tinha com a imprensa, eu observava, o senhor todo dia lia o jornal no avião, lia a parte de esportes. O senhor comentava comigo, o senhor comentou duas vezes comigo: “olha, esse Painel, petista adora o Painel da Folha, até o Kennedy Alencar, eles botam nota”. O senhor tinha uma coisa que curtia a imprensa, o senhor achava, vamos dizer, engraçado. O senhor disse: “se eu tivesse até mais tempo – eu me lembro disso – se eu tivesse mais tempo eu lia isso com mais vagar”. Hoje o senhor tem tempo, o senhor curte mais, curte menos, como é que é hoje?

Presidente: Bem menos, bem menos.

Revista Consultor Jurídico, 9 de janeiro de 2009, 17h04

Comentários de leitores

11 comentários

O que mais poderiamos esperar

Bira (Industrial)

ninguem gosta de ouvir verdades...

A Anta de estimação do Mainardi lê?

jorge.carrero (Administrador)

Que importância tem para o Brasil se esse cara lê fulano ou beltrano? Mais: Já tá lendo alguma coisa?

Ignorância.

César10585 (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Ler essa entrevista me deu vontade de.......vomitar. Etâ presidente tosco. E pensar que votei nele. Por esse desatino sei que ainda tenho que pagar muita penitência.

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