Notícias

17 fevereiro 2009

Fora do governo

TSE confirma cassação de Cássio Cunha Lima

Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba - Fabio Pozzebom/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral confirmou, nesta terça-feira (17/2), a cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e de seu vice José Lacerda Neto (DEM). Os dirigentes paraibanos devem deixar o cargo imediatamente, dando lugar aos segundos colocados na eleição ao governo do estado em 2006, o hoje senador José Maranhão e Luciano Cartaxo.

Os ministros rejeitaram todos os recursos do governador e de seu vice contra decisão do próprio TSE, que em 20 de novembro do ano passado determinou a cassação pela prática de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2006. Cássio Cunha Lima ainda estava no governo graças a liminares da corte, que garantiram seu mandato até o julgamento final dos recursos.
O advogado de Cunha Lima entrou imediatamente com um pedido de Mandado de Segurança, durante a própria sessão de julgamento no TSE. A defesa do governador e de seu vice ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

O julgamento foi retomado nesta terça com o voto do ministro Arnaldo Versiani, que pediu vista do processo em 17 de dezembro passado. O ministro rejeitou os recursos e votou no sentido de que fosse realizada eleição indireta pela Assembléia Legislativa da Paraíba, no prazo de 30 dias, para preencher o cargo de governador. Pra Versiani, por faltar menos de dois anos para o término do mandato de Cássio Cunha Lima, deveria ser realizada eleição indireta, com base nos artigo 81 da Constituição Federal e do artigo 83 da Constituição do estado da Paraíba.
 

A proposta de nova eleição foi criticada pelos ministros Joaquim Barbosa e o relator do processo, Eros Grau. O cima esquentou no plenário. Barbosa classificour o voto de Versiani como “absurdo” e Grau o definiu como uma “afronta” à jurisprudência da Corte. “Não me parece adequado estabelecer nova eleição quando não houve nulidade de mais de 50% dos votos”, afirmou o relator. Apenas o ministro Felix Fischer acompanhou o entendimento de Versiani.

Arnaldo Versiani reclamou da descortesia de Joaquim Barbosa, ao classificar seu ponto de vista de. "Num Tribunal Superior, não cabe de taxar de absurda a opinião de um ministro só por ser divergente", disse Versiani, visivelmente irritado. Barbosa, por sua vez, respondeu dizendo que fez a ressalva do "data venia". E autorizou Versiani a chamar qualquer um de seus votos de “absurdo”, se assim os considerasse.

Os recursos foram apresentados pelo governador Cunha Lima, pelo vice Lacerda Neto, por seus respectivos partidos (PSDB e DEM) e por Gilmar Aureliano, ex-presidente da Fundação Ação Comunitária (FAC), entidade de assistência social do estado envolvida nas irregularidades que levaram à cassação.

O governador teria se valido, durante o período eleitoral de 2006, da distribuição de cheques para cidadãos de seu estado, por meio de um programa assistencial. Segundo o Ministério Público Eleitoral, os eventos conhecidos como cirandas de serviços, que se caracterizavam pela distribuição de cheques para os eleitores, ocorreram em diversos municípios com a presença do governador. Cunha Lima teria chegado a entregar pessoalmente benefícios.

O relator, ministro Eros Grau, assinalou no julgamento de mérito que cheques foram distribuídos acompanhados de mensagens do governador nas quais o benefício era tratado como“um presente” do agente político.

Com informações da Agência Brasil
Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

RO 1.497

Revista Consultor Jurídico, 17 de fevereiro de 2009

Comentários

Comentários de leitores: 3 comentários

18/02/2009 15:20 Cananéles (Bacharel)
A lama e a imundície
Lendo sobre a cassação do governador da Paraíba, de imediato lembrei-me do trecho de um belíssimo soneto do poeta paraibano Augusto dos Anjos, que sempre foi muito cantado pelo patriarca dos Cunha Lima (toc, toc, toc): "Acostuma-te à lama que te espera!".
18/02/2009 07:52 Júnior Brasil (Advogado Autônomo - Consumidor)
TSE
FINALMENTE ESSE E. TRIBUNAL PRESTOU PARA ALGUMA COISA...
MAS NÃO SE ANIMEM, AGORA VEM UM RECURSINHO AO STF, QUE SEMPRE FOI UMA GIRÂNDOLA DE LIMINARES EM ASSUNTOS SEMELHANTES...
18/02/2009 06:20 acrisio soares (Outros)
Absurdo...
Bom dia a todos...
Absurdo..., talvez o voto do ministro não seja tão absurdo quanto a decisão, que hora se pronuncia plenamente em concordância com a justiça. A proposta de uma nova eleição marcaria a verdadeira mão no bolso. Saberiamos quem realmente consegui distribuir mais dinheiro.
Sou Cassio Cunha Lima (No Brasil, o melhor interprete do Príncipe) Um político nato. A justiça uma fonte de insegurança. A política uma vergonha a sociedade.
Que Brasil é esse meu povo. Se for para governar que seja o que é pelo povo.
Data vênia,Srs. Ministros, a discordância ainda há de prejudicá-los, nao deveria ocorrer Brinques over entre vós e sim equijustiça.

A seção de comentários deste texto foi encerrada em 25/02/2009.