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Protesto pirata

Lideranças criticam aluguel de manifestantes

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A atitude da Nova Central Sindical de alugar manifestantes para fazer volume nos protestos e defender qualquer ideia foi repudiada por lideranças de partidos, entidade de classe e até pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. De acordo com notícia exclusiva publicada pela revista Consultor Jurídico, com R$ 40 por cabeça, é possível reunir até duas mil pessoas na Esplanada dos Ministérios para defender ou atacar qualquer coisa, tomar partido contra ou favor de qualquer um.

Deputados, a Ordem dos Advogados do Brasil e o presidente do Supremo classificaram o aluguel de manifestantes como uma crise de legitimidade nos sindicatos que adotaram esse expediente. Clique aqui para ler a reportagem da ConJur.

O presidente do STF afirmou: "Chegamos ao fundo do poço em matéria de moralidade e será muito mais grave se for constatado que estão usando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador. O caso é digno de investigação". E a investigação sugerida pelo presidente do STF acontecerá.

Após a reportagem feita pela ConJur, o deputado Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM, anunciou que o partido pedirá que o Tribunal de Contas da União investigue a Nova Central. “É uma atitude criminosa, feita com dinheiro público dado aos sindicatos, pago pelos trabalhadores. Além do ressarcimento desse dinheiro, tem que ter a dissolução desse sindicato”, disse. Para Caiado, a Nova Central Sindical perde credibilidade na hora de protestar, ao pagar pelos manifestantes. “Isso tira a representação popular dos sindicatos, na medida em que eles preferem pagar para conseguir ter gente reivindicando. É um absurdo.”

As críticas vieram também do deputado Vicentinho (PT-SP), conhecido líder da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e sindicalista há 32 anos. Vicentinho rebateu a acusação do secretário-geral da Nova Central Sindical, Moacyr Auersvald, que havia dito que todos os sindicatos adotam a mesma prática. “Sou sindicalista há muito anos e é a primeira vez que eu ouço falar disso em qualquer sindicato. É uma coisa nova”, afirmou o líder da CUT.

Vicentinho disse, ainda, que a Nova Central Sindical não consegue mobilizar os trabalhadores e prefere um jeito mais barato e prático de conseguir gente. “Essas pessoas (manifestantes) não são sindicalistas, então não tem retorno para a categoria. E é esse retorno que conscientiza. Eles não voltam para as fábricas e mobilizam mais pessoas. Talvez, eles façam isso para demonstrar”, disse.

A Ordem dos Advogados do Brasil classificou de “artificial” os protestos feitos à base de sindicalista postiço. O secretário-geral da OAB, Alberto Zacharias Toron, se manifestou sobre o tema. "A OAB registra sua estranheza diante da circunstância de existirem organizações que locam manifestantes. O fato revela que muitas manifestações são marcadas pelo artificialismo. Mais grave, prestam-se à manipulação da opinião pública, com protestos que não têm a dimensão e espessura que aparentam ter. A OAB repudia a prática", disse Toron.

A imprensa também repercutiu a notícia publicada com exclusividade pela ConJur. O jornal O Globo tentou entrevistar o secretário-geral da Nova Central e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), Moacyr Auersvald. O dirigente deu a mesma resposta: “Isso é um problema interno”. Os blogueiros Ricardo Noblat e Josias de Souza também reproduziram a notícia.

Volume e crise
A relação entre a Contratuh e a Nova Central é umbilical. Segundo Sandra Ribeiro, recrutadora dos manifestantes, as duas entidades “trabalham juntas”, na hora de pagar para fazer volume. Apesar de recorrer a manifestantes artificiais, a Contratuh não poupou emoção para defender a categoria, quando o presidente Lula chamou os senadores de “pizzaiolos”. “
O profissional suporta as altas temperaturas do forno à lenha, numa luta incansável contra o tempo, com a destreza de sempre se lembrar de individualizar cada matéria-prima para, por fim, sua obra, a pizza, representada por traços e cores, ser entregue aos clientes.” 

A crise no sindicalismo também chegou ao Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), órgão responsável por um orçamento de R$ 43 bilhões. O Codefat sofreu um racha nas últimas semanas, após um acordo de quase duas décadas ter sido quebrada. Pela tradição, o sistema de rodízio do comando do órgão passaria, em 2010, para os representantes patronais. Entretanto, a nanica Confederação Nacional de Serviços lançou candidatura própria, apesar de ter sido criada apenas em dezembro. Resultado: as quatro maiores confederações de empresários do país abandonaram o Codefat em repúdio à manobra.

Mas não são somente os sindicatos que optam por inflar manifestações com práticas artificiais. Quem também aderiu à moda foi o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), alvo de uma saraivada de denúncias contra sua conduta e de sua família na vida pública. Segundo o jornal Correio Braziliense, o senador contratou 15 jornalistas para analisar as notícias publicadas e bolar estratégias de contra-informação. Sarney não difere muito dos sindicalistas: contratou gente para se passar por apoiadores, com usuários falsos em sites da internet como Twitter e Orkut, de acordo com o jornal. 

 é repórter da Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 5 de agosto de 2009, 12h23

Comentários de leitores

4 comentários

pobre tambem aprende

dinarte bonetti (Bacharel - Tributária)

Depois de se ver a Globo eleger Collor, e depois tirar, de ver a imprensa se alinhar com candidatos e deixar dai em frente qualquer escrupulo para defende-lo, nunca venda nada de bom no opositor, a pobresa, que geralmente assistia a tudo isso impavidamente, agora começa a praticar, dentro de seus limites financeiros, a memsa coisa.
Pois quanto a globo e seus apoiadores (os anunciantes) pagaram para cada voto de Collor, à época?
E quanto custará cada voto na campanha de 2010, que já se iniciou em grande parte da grande midia, jornais e TV, com jornalistas "especialistas", fazendo as vontades de seus patrões?
Os pobres acabaram aprendendo.

Não precisa explicar, eu só queria entender...

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

- Quer dizer que as reivindicações não são manifestações espontâneas, de quem realmente acredita no que está reivindicando?
- Quer dizer que os sindicatos não organizam manifestações com gente cooptada por um alinhamento de ideologias ou de insatisfações, mas sim contratam a prestação de um serviço: o disk protesto público?
- Qual, então, a legitimidade de representação que invocam?
- Como levar a sério tais manifestações como expressões da "opinião pública"?
- Aliá, que opinião pública é essa que só nasce mediante paga?
Não precisa explicar, eu só queria entender.
A corrupção parece mesmo ser endêmica e cultural nesse país. Até uma ideologia pode ser obtida por meio de pagamento em dinheiro.
- Do que o povo reclama, então?
- Que mal há em o Senador José Sarney ter indicado e pedido emprego para o namorado da netinha querida (se é que ele fez isso mesmo, pois pode ter sido vendido pelo próprio filho)? Ah, já sei. A indignação geral é porque ele indicou o namorado da netinha querida e não um dos que estão indignados e que desejavam a vaga... Ora, deveria ter mais competência para conquistar a netinha querida do Senador.
Num país surrealista com o Brasil, não estranham essas bizarras alienações ou ideologias de aluguel. De um povo em que medra a corrupção como algo normal, não pode esperar sejam eleitos dentre os que dele fazem parte parlamentares íntegros. As chances disso acontecer são menores do que ganhar sozinho a mega sena acumulada por três ou quatro semanas.
(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito e doutorando pela USP – Professor de Direito – Palestrante – Parecerista – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Também desta vez Lula e PT não sabiam de nada

servidor (Funcionário público)

É o mau uso da democracia. O que ocorre com o pessoal petista (e mais alguns aliados), parece com aquele antigo ditado: "Cachorro, se der o pé e quer também a mão". Se existe um mal no Regime Democrático, aí está ele: o risco de se delegar poder para que não tem competência. É o que tem feito o povo brasileiro nas últimas eleições.
São coisas curiosas que só acontecem no Brasil.Cassa-se um Presidente da República por corrupção e tantas outras trapalhadas e logo em seguida lá está elle de novo (agora como senador da República), reconduzido livremente pelos seus concidadãos. Lá está elle, de novo, espumando pela boca, expélind fogo pelas ventas. Agora, todo roxo.
Como eleitores, temos um gosto especial em manter no cenário político figuras bizarras, medonhas. Veja o Sarney e a sua corja, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Zé Jenoíno, Zé Dirceu, Lulla e seus Pelegos, e tantos outros. Por que será que temos tão mau gosto?
Imagino como será a próxima safra de políticos? Bem pior, pode apostar, já que somos um povo cada vez mais despreparados, não temos o direito de exigir que os políticos sejam melhores do que são, já que são fruto do nosso meio.
Veja a situação em que está o Senado Federal. Aquilo não é mais digno de ser chamado de Senado da República. Parece mais um "Chiqueiro", com todo o respeito que merecem os porcos.
E o Planalto... é melhor nem começar os adjetivos!
Que trágica cidadania!

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