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Concurso público

Segurança jurídica prevalece sobre princípio da legalidade

O princípio da segurança jurídica assegura direito de servidores sem concurso a ficar no cargo. O entendimento é da 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça. A Turma assegurou a 12 servidores o direito de permanecer em seus respectivos cargos na Assembléia Legislativa da Paraíba e, entre os já aposentados, o de preservar suas aposentadorias.

O relator, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, afirmou que a efetivação dos servidores sem concurso foi, sem dúvida, ilegal, mas o transcorrer de quase 20 anos sem que a administração se manifestasse tornou a situação irreversível, impondo a prevalência do princípio da segurança jurídica.

Segundo o processo, os servidores foram empossados nos cargos em 1989, sem ter sido aprovados em concurso público. Eles recorreram ao STJ devido a uma decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba segundo a qual, por força do artigo 37 da Constituição Federal, o ato de nomeação para cargo efetivo sem a realização de concurso público é nulo de pleno direito, não sendo alcançado o instituto da prescrição. Com isso, manteve um ato da Assembléia Legislativa da Paraíba e do Tribunal de Contas da Paraíba que determinou a suspensão de qualquer despesa com os servidores.

A defesa deles sustentou que o fato de terem sido nomeados pela Assembléia Legislativa da Paraíba há quase 20 anos torna seguros os atos de admissão por força do princípio da segurança jurídica, que impede que os administrados fiquem sujeitos indefinidamente ao poder de autotutela da administração. Alegaram, ainda, que prescreveu o direito da administração de rever seus atos, uma vez transcorrido o prazo de cinco anos previsto pela Lei 9.784/99.

O Napoleão Maia Filho considerou que os argumentos tinham plausibilidade jurídica. Ele afirmou ser certo que a administração atua sob a direção do princípio da legalidade, que impõe a anulação do ato que contenha vício insuperável para o fim de restaurar a ilegalidade malferida. Porém, não é menos certo que o poder-dever da administração de invalidar seus próprios atos encontra limite temporal no princípio da segurança jurídica, porque os administrados não podem ficar indefinidamente sujeitos à instabilidade originada do poder de autotutela do Estado.

O ministro disse ainda que a singularidade do caso impõe a prevalência do princípio da segurança jurídica na ponderação dos valores em questão (legalidade e segurança). Para ele, os olhos não poderiam ficar fechados à realidade e aplicar a norma jurídica como se incidisse em ambiente de absoluta abstração.

RMS 25.652

Revista Consultor Jurídico, 24 de setembro de 2008, 11h44

Comentários de leitores

8 comentários

Reiterando: segurança jurídica prevalece quando...

Nicoboco (Advogado Autônomo)

Reiterando: segurança jurídica prevalece quando há BOA-FÉ do interessado.

STJ parece aplicar a principiologia de ocasião....

Nicoboco (Advogado Autônomo)

STJ parece aplicar a principiologia de ocasião. Quando instado a se manifestar sobre princípios constitucionais, o faz mal e de forma superficial. Nesse caso deveria ter prevalecido o postulado da moralidade. Seria diferente uma situação onde houvesse a boa-fé do servidor/administrado. Nesta situação, prevaleceria a segurança jurídica. Decisão que abre, a meu ver, lamentável precedente, privilegiando o servidor que sabia desde o início de sua condição irregular (irregular, ilegal, imoral e inconstitucional), ou no mínimo deveria saber, a menos que alguém alegue desconhecimento da constituição, especialmente o princípio da moralidade administrativa (conceito que ainda não temos formação cultural suficiente para aplicar).

Essa decisáo viola o princípio da moralidade e ...

analucia (Bacharel - Família)

Essa decisáo viola o princípio da moralidade e os direitos sociais. Corrobora as pesquisas em que o povo acha que o Judiciário também é responsável pela corrupçao.

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