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16 setembro 2008
Contrato sem licitação
Ex-reitor da UnB é denunciado por desvio de verba pública
O Ministério Público Federal no Distrito Federal denunciou o ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) Lauro Morhy, a ex-diretora do Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe) Romilda Macarini, dois ex-diretores e um funcionário da Fundação Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec). Eles são acusados de desviar cerca de R$ 24 milhões da Fundação Universidade de Brasília (FUB/UnB).
Se a denúncia, protocolada na 12ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, for aceita, eles responderão pelo crime de peculato, ou seja, quando funcionário público utiliza-se do cargo para desviar dinheiro ou qualquer outro bem móvel, em proveito próprio ou alheio. A pena varia de dois a 12 anos de prisão, além de multa.
Segundo o MPF, entre 1998 e 2001, a Finatec recebeu cerca de R$ 140 milhões para operacionalizar o contrato com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Conforme as investigações, o esquema de desvio consistia na criação de mecanismos para ocultar o dinheiro a mais repassados pela FUB à Finatec.
O MPF calcula o desvio em R$ 24 milhões. Segundo a denúncia, o valor é resultado do pagamento de serviços que não foram executados ou do superfaturamento de preços cobrados pela FUB ao INSS. O dinheiro desviado teria sido aplicado em contas inativas de convênios em execução, para dificultar a localização do montante não gasto na execução do contrato e impedir sua devolução à FUB ou ao próprio INSS.
Outra irregularidade apontada pelo MPF está no fato de a Finatec ter sido subcontratada por dispensa irregular de licitação. Conforme apurado pelo MPF e pela Polícia Federal, a conduta tem sido uma prática comum para a concretização de desvios de dinheiro público por parte dos dirigentes da UnB nos últimos anos.
Segundo os procuradores da República Raquel Branquinho e Rômulo Moreira Conrado, os contratos feitos sem licitação pela FUB para a execução de todo tipo de serviços e as subcontratações de fundações de apoio tornaram-se uma forma eficaz de "captação de negócios paralelos à estrutura institucional da UnB".
O contrato da FUB com o INSS também é alvo de uma Ação Civil Pública de improbidade administrativa proposta pelo MPF em 2005. Na ação, o MPF sustenta que o INSS contratou a FUB para prover as suas agências de mão-de-obra terceirizada em detrimento da contratação de servidores públicos concursados.
Revista Consultor Jurídico, 16 de setembro de 2008
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Comentários de leitores: 1 comentário
Aí depois vem o CESPE aplicar provas em todos o...
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