Notícias

13 junho 2008

Reação presidencial

Bush reage e quer nova lei para tratar de detidos em Guantánamo

O presidente George W. Bush vai apresentar, na próxima semana, o projeto de uma nova legislação para tratar dos detidos na prisão de Guantánamo, em Cuba, a 144 km de Miami. A proposta é uma reação à decisão da Suprema Corte dos EUA, que reconheceu o direito de presos de Guantánamo de recorrer às cortes americanas em busca de liberdade. As informações são do site Findlaw.

Bush sustentou: “Iremos estudar esta medida, tendo em mente que avaliaremos se são necessárias ou não leis adicionais para que possamos dizer com segurança ao povo americano: 'nós estamos fazendo tudo o que podemos para proteger você.'"

Em seu terceiro julgamento sobre o tema, agora em cinco votos contra quatro, a mais alta corte do país decidiu que, apesar de Guantánamo estar baseada em território cubano, ela opera como se fosse “de fato um território dos EUA, onde se deve aplicar a Constituição americana”. De acordo com a decisão, os presos de Guantánamo “possuem o privilégio constitucional do habeas corpus", o que quer dizer que podem recorrer por sua liberdade a cortes federais civis americanas”.

A prisão da base naval de Guantánamo foi criada em 11 de janeiro de 2002. Para lá, foram enviados os prisioneiros capturados pelas forças dos Estados Unidos que invadiram o Afeganistão logo após os atentados contra as torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001. Outros suspeitos de terrorismo também foram enviados para a prisão.

As oitivas desses extraditados pela CIA dispensam acompanhamento do caso por advogados. É o que é previsto pelo Ato Patriótico. O Congresso americano aprovou o Ato Patriótico, um pacote legislativo gerado pelo temor aos terroristas, 45 dias após o 11 de setembro sem nenhuma consulta à população. O significado da expressão Patriotic — Provide Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism — explica a intenção do governo Bush: gerar ferramentas necessárias para interceptar e obstruir atos de terrorismo.

A prática de esconder suspeitos de terrorismo em outros países ganhou o nome de rendition. O nome é dado para um recente fenômeno da política externa americana, que consiste em colocar em campo agentes da CIA seqüestrando suspeitos de terrorismo, em todo o mundo, e os levando em aviões a campos de tortura. Os jornalistas especializados em investigar renditions debatem leis internacionais que possam tolher esse tipo de prática.

Para manter centrais de inteligência e extração e confissões, como Gunatánamo e prisões secretas mundo afora, o governo dos EUA gastou US$ 43,5 bilhões no ano de 2007. O orçamento da espionagem americana é mais de duas mil vezes maior do que o orçamento da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência. Seu orçamento, em 2007, ficou na casa dos R$ 40 milhões.

Revista Consultor Jurídico, 13 de junho de 2008

Comentários

Comentários de leitores: 3 comentários

16/06/2008 14:48 magist_2008 (Juiz Estadual de 1ª. Instância)
Bush e Saddam Hussein só diferem na nacionalida...
Bush e Saddam Hussein só diferem na nacionalidade. Sorte de um, azar do outro. No resto, são idênticos. E a leitura de Michael Moore (exageros à parte) é obrigatória.
13/06/2008 17:54 Sérgio Niemeyer (Advogado Autônomo)
Prezado Luís de Velosa, Concordando com seu ...
Prezado Luís de Velosa, Concordando com seu comentário, adito que ao tempo da Segunda Grande Guerra os EUA não contavam com o aparato e a tecnologia hodiernos para prevenir ações quais a do ataque a Pearl Harbor. Toda essa atmosfera obscura, que lança sobre o ataque de 11 de setembro uma aura de suspeita, foi muito bem explorada por Michel Moore no seu documentário sobre o caso. O Presidente Bush parece ter feito um curso sobre o fisiologismo com os políticos sul-americanos, e tenta enganar o povo com um discurso emotivo e desconexo. Só que lá há uma Suprema Corte composta por pessoas comprometidas com o direito, e não com acomodações que possam arranjar e facilitar a vida dos governantes, como parece ocorrer por aqui em muitos casos. (a) Sérgio Niemeyer
13/06/2008 16:51 Luís da Velosa (Advogado Autônomo)
A verdade é que até a presente data o povo amer...
A verdade é que até a presente data o povo americano não sabe como o aparato de segurança do governo esteve, todo o tempo, ausente dos acontecimentos. Em outras palavras, por que diversos setores (de segurança) avisados, há alguns anos (salvo engano, desde 2005), de possíveis atentados, nada fizeram para evitá-los? O que realmente houve, ninguém explicou. Faz-nos lembrar de Pear Harbor, que foi a mesma história de incúria dos setores ligados à segurança nacional. Os orçamentos americanos para ingerencia em assuntos "aleatórios", sempre foram astronomicos. O da nossa ABIN, são 2.000 vezes menores. Claro, não andamos querendo terra de quaisquer povos.

A seção de comentários deste texto foi encerrada em 21/06/2008.