Notícias
21 fevereiro 2008
Noticiário Jurídico
Notícias da Justiça e do Direito nos jornais desta quinta-feira
Em editorial, o jornal O Estado de S. Paulo critica a postura do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de “apoiar” a Igreja Universal nas ações ajuizadas para intimidar jornalistas.
“O presidente Lula pode ser perdoado por não saber, talvez, o que são liberdades negativas — expressão que designa, entre outras, a liberdade de não sofrer abusos ou de não ser intimidado. Já o que não se pode perdoar a Lula é a sua solidariedade, acondicionada em transparente hipocrisia, aos atos intimidatórios desencadeados contra a Folha de S.Paulo e outros jornais pela Igreja Universal do Reino de Deus, ou, nominalmente, pelos seguidores do notório fundador da seita, o autoconsagrado bispo Edir Macedo”, diz o jornal.
A crítica foi feita porque Lula disse em entrevista que, no dia em que a “Folha se sentir atingida pela Igreja Universal, ela vai processar a Igreja Universal”. “E no dia que a Igreja Universal se sentir atingida pela Folha, ela vai processar a Folha. E, assim, a democracia vai se consolidando no Brasil.” Para o Estadão, tais afirmações mostram que Lula “não é bem um baluarte da liberdade de imprensa” e que agora, “foi além das tamancas”.
Repercussão
A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) divulgou comunicado, publicado pela Folha de S. Paulo, em que manifesta preocupação com o excesso de ações judiciais em nome de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus contra jornais brasileiros. Para Earl Maucker, presidente da SIP, "para além do respeito que devemos ter pelo direito de cada cidadão de recorrer à Justiça quando se sente ofendido por uma publicação, nesse caso concreto, e considerando-se o contexto, suspeitamos seriamente de que se trata de uma manobra cujo objetivo é intimidar e restringir a liberdade de expressão".
O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que não vê nenhum problema e que as pessoas "têm o direito de responder, de acionar e de contestar ação" . Gonzalo Marroquín, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, classificou que o conjunto de ações da Universal contra os jornais como fato inédito. "É uma tentativa sem precedentes de forçar os jornais a ter gastos financeiros e investimento de tempo extraordinários para que possam se defender. O que eles realmente querem é comprar o seu silêncio".
Os Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro e dos Jornalistas da Bahia disseram em nota, também reproduzida pela Folha, que as ações da Universal contra os jornais e jornalistas "incitam à intolerância". "Imprensa não pode se confundir com partidos políticos, crenças religiosas ou visões particulares de mundo", disseram os sindicatos.
Até a Associação dos Magistrados Brasileiros (a que representa os juízes que julgam essas ações) manifestou apoio. Em entrevista dada à Folha, Mozart Valadares, presidente da AMB, diz que "a magistratura brasileira não permitirá que o Judiciário sirva como mecanismo para intimidar o pleno exercício do jornalismo". "Nenhum juiz, nem a Constituição, proíbe que alguém ingresse em juízo quando se sentir prejudicado. Agora, nós não poderemos admitir que o Judiciário seja mecanismo para cercear ou limitar a ação de um segmento da sociedade, como a imprensa", afirma Valadares.
Novo ataque
O Globo publica que o jornal Extra voltou a ser alvo de ações por causa de reportagens sobre a Igreja Universal. A repórter Gabriela Moreira e a Infoglobo, empresa que edita o jornal, estão sendo processados em função da reportagem “Fiel conta como foi enganada pela Igreja Universal”. Outras cinco ações são movidas por pastores contra o diretor de Redação, Bruno Thys.
A reportagem conta a história de uma fiel, de 54 anos, que recorreu à Justiça para recuperar um carro que doara à Iurd em troca de milagre. Na decisão, o juiz Jeová Sardinha, da 7ª Vara Cível de Goiânia, afirma que a Universal agiu de má-fé contra a fiel, pois prometeu “retribuição divina” pela doação do automóvel, o que nunca aconteceu. A Universal alega que o intuito da reportagem é denegrir a sua imagem.
Estatuto da OAB
A OAB vem acompanhando de perto, por meio de uma comissão especial, alguns projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e que alteram o Estatuto da Ordem para reforçar a inviolabilidade do sigilo profissional dos advogados, segundo notícia publicada pelo Valor Econômico. Uma das propostas é o Projeto de Lei 5.476/05, em tramitação no Senado. A proposta estabelece como crime esta violação, prevendo pena de até dois anos. Segundo Marcus Vinícius Furtado Coelho, líder da Comissão Especial e presidente da Comissão Nacional de Legislação da OAB do Piauí, apesar de este direito estar assegurado no Estatuto da OAB, não há responsabilidade criminal para a questão. “Muitas vezes não conseguimos ter acesso ao inquérito policial, o que inviabiliza a defesa”, diz Coelho.
Revista Consultor Jurídico, 21 de fevereiro de 2008
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 20/02/2008 Igreja usa meio legal para alcançar objetivo ilegal
- 20/02/2008 Uso do Judiciário para impor censura traz alerta
- 20/02/2008 Deputado pede a STF revogação da Lei de Imprensa
- 19/02/2008 Universal diz, em nota, ter cinco milhões de fiéis
- 19/02/2008 Equipe da Universal orienta fiéis a processar imprensa
- 19/02/2008 Universal mal disfarça seus interesses comerciais
- 18/02/2008 ABI e ANJ condenam assédio judicial da Igreja Universal
- 18/02/2008 MPF processa acusados de fraude a licitações na Saúde
- 17/02/2008 Exame da Ordem é fundamental para exercício da advocacia
- 11/02/2008 Responsabilidade pela alta reprovação é de todos
- 08/02/2008 Roberto Requião atropelou pilares do jogo democrático
- 03/02/2008 Não é Exame que barra entrada de bacharel no mercado
- 31/01/2008 TRF-4 ratifica direito de resposta de desembargador
- 31/01/2008 Exame de Ordem já não atende necessidades da advocacia
- 31/01/2008 Crise está no ensino fundamental e não nas faculdades
- 27/01/2008 Livro sobre imigração japonesa pode ser censurado
- 26/01/2008 Juiz condena fiel em ação movida contra a Folha
- 24/01/2008 TV Educativa foi degradada na briga entre Requião e Lippmann
- 23/01/2008 RVTE veiculou direito de resposta de desembargador
- 22/01/2008 Procuradora-geral pede demissão após crítica de Requião
- 21/01/2008 Ação de fiéis da Universal contra a Folha beira a má-fé
- 19/01/2008 Fiéis da Universal processam a Folha de S. Paulo
- 18/01/2008 Juiz multa Requião por desobedecer decisão
- 17/01/2008 Suspensa liminar que permitiu a bacharéis exercer advocacia
- 17/01/2008 MEC corta vagas e diz querer melhorar ensino de Direito
- 15/01/2008 Requião ataca desembargador que vetou promoção na TV
- 13/01/2008 Seis conseguem inscrição na OAB sem Exame de Ordem
- 09/01/2008 Roberto Requião não pode se promover em rede estatal
- 13/12/2007 Títulos antigos emitidos pela União são ativos estratégicos
- 03/12/2007 Prisão de menina mostra retrocesso dos Direitos Humanos
- 23/11/2007 CJF discute na segunda lei de execuções fiscais
- 18/11/2007 Audiência pública debate Dívida Ativa da União
- 07/10/2007 Novas formas alternativas de extinção do crédito tributário
- 09/09/2007 Legislador esqueceu da extinção do crédito tributário
- 08/05/2007 OAB parte para o ataque contra escutas em escritórios
- 27/04/2007 Editora abre mão de Roberto Carlos em Detalhes
- 05/03/2007 Recorrer à Justiça para proteger imagem não é
- 23/02/2007 Juiz carioca manda recolher biografia de Roberto Carlos
- 08/02/2007 Juiz nega pedido de apreensão de biografia
- 10/01/2007 Roberto Carlos decide processar autor de sua biografia
- 15/12/2006 STJ suspende contrato entre Novacap e Instituto Candango
- 23/11/2006 Supremo barra crédito de ICMS para empresas gaúchas
- 15/03/2006 MP-DF é vítima de grampo, afirma procurador-geral
- 08/03/2006 Novos benefícios tributários para investidores estrangeiros
- 11/10/2005 Justiça autoriza contribuinte pagar IPVA com precatório
- 06/02/2005 Dispositivo esclarece prescrição em caso de execução
- 27/08/2003 Ministro impede quebra de sigilo de advogado de Recife
- 21/05/2003 Dispositivo tributário do Código Civil é revogado
- 19/03/2002 Justiça autoriza uso de créditos de ICMS sem restrição
Comentários
Comentários de leitores: 0 comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 29/02/2008.