Notícias

6 outubro 2007

Preços iguais

Livrarias e editoras jurídicas do DF são acusadas de cartel

As livrarias e editoras jurídicas, além de associações de classe, que atuam em Brasília estão sendo acusadas de cartel pela Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal. A Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, recomendou que elas sejam condenadas, em parecer encaminhado à Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça.

De acordo com a denúncia apresentada ao Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, a Caixa de Assistência sofreu diversas retaliações por oferecer seus produtos a preços inferiores aos praticados pelas demais livrarias atuantes no mercado brasiliense, o que estaria alterando o ambiente competitivo do mercado. A acusação é de infrações previstas pela Lei de Defesa da Concorrência (Lei 8.884/94).

Para a Seae, ficou demonstrado que as livrarias exerceram pressão sobre as editoras e distribuidoras para que discriminassem a postura da Caixa de Assistência. Além disso, no curso do processo, também teria ficado claro que as livrarias usaram a influência que possuem sobre a Associação Nacional das Livrarias e sobre a Câmara do Livro do Distrito Federal para convencê-las a intensificar as pressões sobre as editoras e distribuidoras de livros jurídicos com esse mesmo propósito.

Os indícios constantes nos autos, no entender da Seae, demonstraram que as editoras aderiram às pretensões das livrarias do Distrito Federal, com a redução dos descontos sobre o valor de face dos livros fornecidos àquela empresa. Com essa prática, o objetivo era fazer com que a Caixa de Assistência nivelasse seus preços aos praticados pelos demais concorrentes no mercado.

Por isso, a Seae concluiu que as ações praticadas pelas empresas investigadas estão enquadradas nas infrações descritas na lei de defesa da concorrência, entre as quais a prática de cartel, sendo passíveis de punições.

Após a emissão de parecer pela SDE, o processo será encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica para julgamento.

As empresas e associações que podem ser condenadas no processo administrativo são: Livraria do Advogado de Brasília Ltda.; Livraria Acadêmica Ltda.; Livraria e Editora Brasília Jurídica Ltda.; Livraria Edições Jurídicas Ltda.; Livraria Universitária de Brasília Ltda.; Valdinar da Costa Veras – ME; Associação Nacional das Livrarias; Câmara do Livro do Distrito Federal; Saraiva S/A Livreiros Editores; Editora Atlas; Malheiros Editores Ltda.; Editora Revista dos Tribunais Ltda.; e Companhia Editora Forense.

Procuradas, as editoras Atlas, Saraiva e Revista dos Tribunais não se manifestaram até o fechamento desta notícia.

Revista Consultor Jurídico, 6 de outubro de 2007

Comentários

Comentários de leitores: 5 comentários

9/10/2007 16:44 Nanda (Estudante de Direito - Ambiental)
Também estranhei a LUB estar na lista. Como o c...
Também estranhei a LUB estar na lista. Como o colega falou, eles sempre dão 20% de desconto...geralmente, os preços que pesquiso em outros sites na internet é quase o mesmo...algumas livrarias virtuais oferecem desconto maior mesmo com o frete.
9/10/2007 08:05 Gui Rodrigues (Economista)
Qualquer ação no sentido de punir cartéis é alt...
Qualquer ação no sentido de punir cartéis é altamente louvável, mas quanto à Livraria Universitária, a LUB, é estranho que conste na lista, porque é conhecida por vender, por tabela, todos os livros com 20% de desconto sobre o preço da Saraiva.
8/10/2007 10:57 Bruno (Advogado Autônomo - Civil)
Realmente os livros jurídicos têm ficado mais c...
Realmente os livros jurídicos têm ficado mais caros de uns 2 anos para cá, no entanto imaginem quanto sofrem acadêmicos da área de saúde. Sou formado também em Odontologia, área em que livros chegam a custar 400, 500 reais. E não são livros muito específicos, tratam-se de livros básicos à formação profissional. Os médicos e estudantes de medicina também sofrem com esse problema. Os preços dos atlas de Anatomia são absurdamente exorbitantes (chegando a R$ 800,00). A prática de "xerocar" livros, embora ilegal, torna-se o único meio de conseguir acesso a tais obras para estudo pormenorizado, uma vez que empréstimos em bibliotecas (quando as mesmas possuem as obras, diga-se de passagem) nem sempre suprem as necessidades do acadêmico e, posteriormente, do profissional.

Ver todos comentários

A seção de comentários deste texto foi encerrada em 14/10/2007.