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Tiras censuradas

Juiz suspende audiência porque autor da ação calçava chinelos

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O juiz Bento Luiz de Azambuja Moreira, da 3ª Vara do Trabalho de Cascavel (PR), decidiu cancelar uma audiência porque uma das partes calçava chinelos. Para ele, “o calçado é incompatível com a dignidade do Poder Judiciário”.

O trabalhador Joanir Pereira ajuizou ação trabalhista contra a empresa Madeiras J. Bresolin. A primeira audiência, no entanto, não foi feita porque o ex-funcionário estava com calçado impróprio para o ambiente, de acordo com o juiz.

Na ata, o juiz registrou a sua insatisfação e marcou uma nova data para a audiência. O caso foi noticiado, nesta quinta-feira (21/6), pelo site Espaço Vital.

“O juiz deixa registrado que não irá realizar esta audiência, tendo em vista que o reclamante compareceu em Juízo trajando chinelo de dedos, calçado incompatível com a dignidade do Poder Judiciário”, registrou o documento.

O presidente da Amatra da 9ª Região (Associação dos Magistrados do Trabalho), José Mário Kohler, comentou a decisão. Para ele, não tem nada de indigno uma pessoa simples calçar chinelos durante uma audiência.

Mário Kohler disse, ainda, que jamais suspenderia uma audiência por esse motivo e que a maioria dos juízes do trabalho também não.“O juiz tem de agir com o bom senso judiciário”, destacou.

Leia a ata:

Numeração única: 01468-2007-195-09-00-2

Reclamante: Joanir Pereira

Reclamada: Madeiras J. Bresolin Ltda.

TERMO DE AUDIÊNCIA

Aos treze dias do mês de junho de 2007, às 15:10h, na sala de audiências da 3ª Vara do Trabalho de Cascavel, sob a direção do Juiz do Trabalho Dr. BENTO LUIZ DE AZAMBUJA MOREIRA, foram apregoados os litigantes.

Presente o(a) reclamante, acompanhado(a) de seu(sua) procurador Dr. Olímpio Marcelo Picoli (OAB/TO 3631) .

Presente o(a) reclamado(a), por intermédio do preposto José Orlando Chassot Bresolin, acompanhado(a) de seu(sua) procurador Dr. Heriberto Rodrigues Teixeira (OAB/PR 16184), que junta procuração, carta de preposição e contrato social.

O Juízo deixa registrado que não irá realizar esta audiência, tendo em vista que o reclamante compareceu em Juízo trajando chinelo de dedos, calçado incompatível com a dignidade do Poder Judiciário.

Protestos do reclamante.

Em face da providência, o Juízo designa nova data para instauração do dissídio, dia 14 de agosto de 2007 às 14h30min.

Cientes as partes.

Nada mais.

Audiência encerrada às 16H10h.

E para constar, eu Suzeli Maria Idalgo Becegato, Assistente Administrativo de Sala de Audiências, digitei a presente ata.

BENTO LUIZ DE AZAMBUJA MOREIRA

Juiz do Trabalho

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 21 de junho de 2007, 17h58

Comentários de leitores

103 comentários

Frescura. Não basta os bingos?

Victor (Estudante de Direito - Criminal)

Frescura. Não basta os bingos?

Me desculpem , mas os colegas que apóiam a deci...

Meire (Estudante de Direito - Tributária)

Me desculpem , mas os colegas que apóiam a decisão do juiz em questão, estão sofrendo da mesma síndrome: desconexão com a realidade. Ora, como exigir de um cidadão humilde como este trabalhador rural o entendimento do que seja uma "vestimenta compatível com a dignidade do Judiciário"?.Acaso já passou pela cabeça de todos vocês que o cidadão talvez nem tenha se sentado num banco escolar? Que talvez nem tenha o que comer direito em casa? Ora, não me venham falar em dignidade, querendo tirar de um cidadão simples como este, sua própria dignidade humana, que, como devem saber os "nobres colegas", é um direito fundamental desse pobre e massacrado trabalhador.E ainda tem os que defendem tal posicionamento... Acordem!

"Dignidade do judiciário??????????? Trabalhista...

Saeta (Administrador)

"Dignidade do judiciário??????????? Trabalhista????Dignidade do Legislativo???? Dignidade do Executivo???????? Será que essa gente ainda acha que o povo (racional, claro) ainda acredita nestes "poderes" que fazem com que tenhamos vergonha de apresentarmo-nos como brasileiros? E ainda por cima um juiz trabalhista)se arvora em Deus querendo arbitrar até o vestuário com que os necessitados compareçam às audiências? Pobre reclamante...Quem sabe se tivesse comparecido de terno e gravata, gel nos cabelos, abotoaduras, etc, etc....a audiência seria mais "digna"... Do jeito que as coisas estão indo nos nossos "poderes", creio mesmo que quem leva dignidade aos órgãos públicos sejam os cidadãos comuns que lá vão tratar de algum interesse.

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