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8 julho 2007
Olho por olho
Dakota do Sul, nos EUA, faz a sua primeira execução em 60 anos
O estado norte-americano de Dakota do Sul vai fazer a sua primeira execução em 60 anos. A morte de Elijah Page por injeção letal estava marcada para 29 de agosto de 2006, mas o governador do estado Mike Rounds a adiou. O argumento foi o de que ele sofreria demais com esse método, que leva ao menos 14 minutos até a morte. As informações são do site Findlaw.
Page, de 25 anos, deve ser executado ainda nesta semana. Já se esgotaram todas as suas apelações no caso em que é acusado pela morte de Chester Allan Poage, de 19 anos de idade. Ele foi brutalmente assassinado em março de 2000.
Dakota do Sul, curiosamente, está indo contra a maré em voga nos Estados Unidos, que condena cada vez menos à morte. As sentenças caíram para 114 casos no ano passado. Em 2005, foram 128. O ano de 1976, em que a Suprema Corte reinstalou a pena de morte no país, registrou 137 condenações. O recorde ficou com o ano de 1996, que teve 317 penas de morte decretadas.
Em 2006, foram levadas a cabo 53 execuções nos EUA, 60 casos a menos se comparado ao ano anterior. O recorde foi em 1999, com 98 execuções.
O assassinato de Chester Allan Poage guarda requintes de crueldade. Page e outras duas pessoas decidiram matá-lo porque ele testemunhou o roubo de um carro Chevy Blazer, uma televisão, uma coleção de moedas e um viodeogame, de sua própria casa. Briley Piper, de 25 anos, também está na fila da morte. Darrel Hoadley, o terceiro participante do assalto, foi condenado à prisão perpétua.
De acordo com o processo, Poage implorou de joelhos por sua vida. Mas os três retiraram suas roupas e o forçaram a mergulhar num riacho coberto de gelo. Durante duas horas ele foi torturado. Teve, inclusive, as suas orelhas cortadas.
A pena de morte surgiu em Dakota do Sul em 1889 e abolida em 1915. Em 1939 a pena capital foi readmitida naquele estado, mas abolida de novo em 1977. Em 1979, a pena de morte foi admitida novamente.
Claudio Julio Tognolli é repórter especial da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 8 de julho de 2007
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