Notícias

2 janeiro 2007

Regras para adotar

Comissão da Câmara aprova adoção por casais homossexuais

A Comissão Especial da Lei de Adoção, da Câmara dos Deputados, aprovou relatório que prevê a criação de dois cadastros nacionais de adoção. O primeiro com nome de crianças e adolescentes que podem ser adotados. O outro, para as pessoas interessadas. De autoria da deputada Teté Bezerra (PMDB-MT), o texto também garante o direito a licença de 15 dias para adotantes e permite a adoção por casais homossexuais.

Criada em abril de 2004, a comissão analisou dois projetos de lei, um do Senado (PL 6.222/05) e outro da Câmara (PL 1.756/03), além de 14 propostas. O relatório aprovado segue agora para apreciação do Plenário da Câmara dos Deputados.

A prioridade no cadastro será para adoções em território nacional. Para agilizar a inclusão das crianças nessa lista, serão fixados prazos para o decreto de perda do pátrio poder.

No texto aprovado, foram inseridas regras para os casos de arrependimento dos pais biológicos, o que não existe na legislação atual. De acordo com a comissão, o julgador deve avaliar o que representa maior vantagem para a criança ou adolescente.

Teté Bezerra destaca que as modificações propostas vão tornar mais transparentes os procedimentos de adoção e evitar problemas que hoje afligem as famílias interessadas. Ela lembra que o relatório aprovado tem coerência com a legislação internacional vigente e preserva o sistema de proteção garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei 8.069/90).

Para os casos de adoção internacional, o texto prevê que o estágio de convivência seja de, no mínimo, 30 dias. Além disso, a adoção por estrangeiros só pode acontecer quando não houver nenhum brasileiro interessado na criança, o que já está previsto na legislação atual.

O relatório aprovado também diz que a morte dos adotantes não restabelece a paternidade biológica. Nesse caso, os pais biológicos que quiserem restabelecer a relação de filiação terão de se sujeitar ao processo de adoção.

O texto ainda estabelece regras simplificadas para a adoção de maiores e capazes, buscando evitar a lentidão dos atuais processos regidos pelo Código Civil. "Não se justifica que a adoção de maiores e capazes esteja necessariamente sujeita a toda máquina do Judiciário que trata das adoções de crianças e adolescentes, pois cria sobrecarga ao Judiciário e ao Ministério Público", diz a deputada Teté Bezerra.

Guia de abrigamento

Em relação aos abrigos de crianças e adolescentes que aguardam adoção, o texto institui o Guia de Abrigamento. "O objetivo é fazer com que toda criança ou adolescente abrigado só esteja na instituição com concordância e fiscalização do Juizado correspondente."

A proposta proíbe os abrigos de receber benefícios pelo critério per capita. Essa proibição, segundo a deputada, vai desencorajar abrigamentos prolongados apenas por razões financeiras.

Revista Consultor Jurídico, 2 de janeiro de 2007

Comentários

Comentários de leitores: 6 comentários

6/01/2007 11:32 Band (Médico)
"Inclusive sob o sofisma do "melhor algum lar d...
"Inclusive sob o sofisma do "melhor algum lar do que nenhum".” Colaborando com este tópico, vemos que não se abandona a avaliação dos casais “heterossexuais” na hora da adoção por esta desculpa de agora. Avaliação que leva anos e em que a recusa é freqüente. Todos sabem da enorme dificuldade para conseguir adotar no Brasil e conseguir dar “um lar” para uma criança abandonada! Assim como a recusa de permitir a adoção por casais estrangeiros heterossexuais. Não se considera nestas horas que é melhor uma família do que nenhuma! Então, em que bases vão ser as avaliações dos pares homossexuais se não existem parâmetros para medir a normalidade ou patologia destas relações como se faz entre os casais atualmente? Não temos nem mesmo experiência sobre a união homossexual que ainda luta pela sua aprovação legal, se parte para a adoção invertendo a ordem das coisas.
6/01/2007 10:57 Band (Médico)
Caro amigo Richard Smith Não concordo com tu...
Caro amigo Richard Smith Não concordo com tudo que disse, mas admiro nestes tempos de ditadura sexual, em que o terceiro sexo virou TABU, ter a coragem de se expor! Quanto aos fundamentos psicanalíticos que o senhor tangenciou, pois é, se muda conforme a vontade do freguês! Uma hora era doença, outra ora é virtude! Uma ciência que não se sabe nada. Só serve para tirar dinheiro do freguês. Só espero, como o seu Cardeal, que não cheguem a conclusão que só é normal quem é! Abraços
4/01/2007 18:55 Richard Smith (Consultor)
Muito obrigado amigo Paul. Um abraço e f...
Muito obrigado amigo Paul. Um abraço e feliz 2007 richardsmith@ig.com.br

Ver todos comentários

A seção de comentários deste texto foi encerrada em 10/01/2007.