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Os limites da rendição

Se não houvesse negociação não haveria seqüestro

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Há alguns anos, um dos maiores empresários brasileiros, Antônio Ermírio de Morais, determinou à família que, em caso de ser sequestrado, mesmo sob ameaça de morte, não concordasse com qualquer tipo de resgate.

Com essa atitude, Antônio Ermírio terá ficado mais seguro ou menos seguro?

Mais seguro: os sequestradores sabem que nada vão obter de sua família. Podem matá-lo, e enfrentar o poder do Estado (a segurança pública se torna subitamente eficiente quando a vítima é de porte); podem mantê-lo sequestrado, sabendo que a Polícia se aproxima, sabendo que nada obterão de lucro. Ou — esta é a opinião deste colunista — poderão optar por outra vítima.

As Organizações Globo, no caso do sequestro de sua equipe de reportagem, agiram com toda a correção: apanhados de surpresa, e nos poucos momentos que tiveram para decidir, seus dirigentes optaram por salvar a vida dos funcionários. Mas, se a decisão foi correta naquele momento, não pode servir de base a uma política a ser seguida permanentemente pelas empresas de comunicação. A menos que queiram deixar suas equipes em permanente risco de sequestro, devem decidir que não vão aceitar pedidos de resgate — seja em dinheiro, seja de que modo for; e tornar pública a decisão, para que se saiba que não haverá concessões em hipótese alguma.

O sequestro da equipe da Globo mudou a maneira de fazer jornalismo no Brasil. As empresas terão de zelar pela segurança de seu pessoal. Isso inclui proteção especializada, equipamento (coletes blindados, por exemplo), seguros para o funcionário e sua família; contratação, eventualmente, dos serviços de companhias internacionais especializadas em lidar com sequestradores.

Não é questão de orgulho, de salvar as aparências, de aparentar serenidade: é questão de segurança. E é estranho que as empresas, oficialmente, percam tempo com manifestos inócuos, e não estejam ainda debatendo com especialistas brasileiros e estrangeiros como lidarão com esses casos no futuro.

 é jornalista, consultor de comunicação e especialista em gerenciamento de crises.

Revista Consultor Jurídico, 23 de agosto de 2006, 12h39

Comentários de leitores

1 comentário

Ocorre que o Estado usurpador negligencia na co...

Marilia Giannini (Advogado Autônomo - Civil)

Ocorre que o Estado usurpador negligencia na contraprestação dos serviços para os quais ele arrecada tributos. Educação, péssimo. Saúde, péssimo. Segurança...ah a segurança, uma vergonha... Agora, cabe à sociedade civil a salvaguarda do bem jurídico maior, a vida. E o custo pela omissão do Estado. Entendo que deveriam ser descontados dos impostos que pagamos todos os gastos que são empenhados em suprir os aludidos serviços públicos (segurança privada, seguros, educação privada, planos de saúde, etc). Integralmente. Quem sabe, assim nossos governantes ficariam mais espertos, com a diminuição da receita que só tem servido para sustentar a ineficiência da máquina estatal, em todas as esferas de governo.

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