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Vozes do Judiciário

Conheça quem faz a comunicação dos tribunais superiores

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O noticiário jurídico cresceu consideravelmente nos últimos dez anos. Foram criados veículos de imprensa, TV, rádio e internet especializados no assunto. Decisões do Judiciário estão diariamente nos principais canais de comunicação do país. A redemocratização, uma nova Constituição, a consciência dos direitos do cidadão, tudo isso contribuiu para o que os especialistas chama de judicialização da vida brasileira, um fenômeno que colocou o Direito e a Justiça no centro das atenções do homem comum.

Diante dessa nova realidade, e da necessidade de estabelecer uma ponte entre a Justiça e a Sociedade, ganhou importância nos tribunais um novo operador: o assessor de comunicação. Neste mês, a mudança na direção das principais cortes do país, trouxe novos assessores para chefiar este trabalho de porta-voz do Judiciário.

Com a renovação da cúpula do Judiciário brasileiro, a comunicação do STF e dos tribunais superiores passa ao comando de Delorgel Valdir Kaiser, no STF; Armando Cardoso, no STJ; Renato Parente no TSE e Virgínia Pardal no TST.

Ao lado de Ellen Gracie

Com a chegada da ministra Ellen Gracie à presidência do Supremo Tribunal Federal, a assessoria de comunicação da Corte passa para as mãos do gaúcho Delorgel Valdir Kaiser que já acompanha a ministra há alguns anos. Kaiser também chegou a Brasília para cuidar da assessoria da vice-presidência posto que ocupava a ministra Ellen. Na época representou o STF no projeto TV Brasil Internacional feito em parceria com o Senado, a Câmara, o Ministério das Relações Exteriores e a Radiobras.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Kaiser foi por sete anos assessor do Tribunal Regional Federal da 4ª Região a convite da ministra Ellen Gracie quando presidente da casa. Sua missão era organizar a assessoria de comunicação e os núcleos de comunicação na primeira instância da 4ª Região. Neste Tribunal, Kaiser participou da criação do centro de produção de programas da Justiça Federal para televisão.

Kaiser iniciou sua carreira no jornalismo aos 15 anos de idade. Foi por dois anos repórter da Gazeta Mercantil em Porto Alegre, de onde saiu para assumir a assessoria do TRF-4. Pós-graduado em administração pela UFRGS e em marketing pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, Kaiser assessorou o governo do estado do Rio Grande do Sul por três gestões.

No Supremo Kaiser tem duas missões: consolidar e qualificar a TV Justiça incrementando a programação e ampliando a participação dos tribunais e outros órgãos do Poder Judiciário. Segundo Kaiser, uma mudança a ser implementada ainda este ano é a ampliação do sinal da TV Justiça para que possa ser sintonizado por antena parabólica na tv aberta. Também é objeto da gestão a ampliação da freqüência da Rádio Justiça para todo o país.

Estão nos planos da presidente Ellen Gracie e seu braço direito, Kaiser, apoiar a divulgação das reuniões do Conselho Nacional de Justiça e estabelecer um sistema de comunicação do CNJ com a magistratura, além de consolidar a TV Brasil Internacional.

Kaiser acredita que as assessorias de imprensa dos tribunais são vitais para garantir a transparência e facilitar a divulgação de informações de forma objetiva e organizada.

Transferência de competência

Com cinco anos de experiência no comando da assessoria de imprensa do Tribunal Superior Eleitoral e dois anos no Supremo Tribunal Federal, o jornalista carioca Armando Cardoso acaba de assumir a Secretaria de Comunicação Social do Superior Tribunal de Justiça.

“O Judiciário tem de mostrar a cara e o nosso papel é esse, de levar para a sociedade o que se passa dentro do Tribunal”, afirma Cardoso, jornalista há mais de 20 anos, formado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso, do Rio de Janeiro.

Cardoso vê o processo de abertura do Judiciário, agora mais ainda impulsionado com a internet, um caminho sem volta. “Não há como retroceder, a assessoria de imprensa dos tribunais é fundamental para a sociedade. E hoje nós temos um site muito atuante, que mostra para a sociedade aquilo que sai dos gabinetes do Tribunal”.

Sob o comando de Cardoso está a assessoria de imprensa, a comunicação interna, o núcleo de TV e Rádio do Tribunal. Muito ao contrário do se esperava do novo presidente da casa Raphael de Barros Monteiro Filho, homem discreto e recatado, a atenção e preocupação do Tribunal com a Secretaria de Comunicação Social continua a mesma da gestão anterior, do ministro Edson Vidigal, sempre muito aberto com a imprensa. “O presidente Barros Monteiro pretende colocar o STJ na mídia nas questões institucionais”, explica Cardoso.

No olho do furacão

Em ano de eleições para presidente, a Justiça Eleitoral terá todos os holofotes voltados em sua direção em 2006. No carro chefe da assessoria do Tribunal Superior Eleitoral, estará o publicitário paulista Renato Parente, que deve assumir o posto em algumas semanas.

Graduado pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, Parente é dono de uma experiência de mais de 15 anos em assessoria de imprensa de tribunais. Foi assessor do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) por 12 anos e assessor do STF por três anos, onde teve fundamental participação na criação da TV e da Rádio Justiça.

Em 2001, Parente foi convidado pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, para assumir a chefia da assessoria de imprensa da Corte. Naquela época o setor já possuía uma estrutura de comunicação, herança da gestão do ministro Sepúlveda Pertence que pretendia profissionalizar a assessoria. O STF tinha o clipping, administrava um horário na Voz do Brasil, tinha produção própria de vídeo e sonoras para fornecer às rádios e TVs.

A missão de Parente era incrementar a estrutura que já havia e ampliar a divulgação dos julgamentos do Supremo, o que fez com extrema dedicação e sucesso. Na sua gestão, a pedido e incentivo do presidente da Corte, ministro Marco Aurélio, foi criada a TV Justiça, projeto que coordenou desde a parte operacional até a editorial.

Terminada a gestão de Marco Aurélio na presidência do Supremo, Parente seguiu na chefia da assessoria a convite do então novo presidente da Corte, ministro Maurício Corrêa. Gestão em que desenvolveu a Rádio Justiça nos moldes da TV Justiça.

Parente deixou o Supremo, em 2004, com uma herança de desenvolvimento e 115 pessoas trabalhando nos mais variados setores da comunicação institucional como a rádio, tv, fotografia e clipping.

No TSE Parente afirma que sua missão é ajudar a Corte a desempenhar seu papel institucional de conduzir as eleições 2006. “Neste ano o TSE é muito requisitado e a comunicação social tem um papel importantíssimo junto à instituição durante as campanhas de orientação à população e de divulgação das decisões do Tribunal”, afirma.

Comando feminino

Depois de três anos como repórter setorista do Judiciário na rádio CBN Brasília, dois anos na assessoria de imprensa do STJ e outros dois na assessoria do TSE, Virgínia Pardal assumiu a assessoria de comunicação social do Tribunal Superior do Trabalho.

Está também sob o comando de Virgínia, a TST Atual, revista eletrônica de comunicação do presidente da Corte, Ronaldo Lopes Leal, com os servidores do Tribunal.

Uma de suas metas frente à assessoria de comunicação social do TST é regularizar o programa do Tribunal na TV Justiça. Para Virgínia, o assessor de um tribunal tem duas grandes missões. A primeira, de aproximar a população da Justiça tornando-a mais transparente e compreensível. E a segunda, traduzir o juridiquês para a imprensa mostrando de forma clara e direta as decisões do Tribunal.

“Essa proposta de tradução das decisões vem, de uns tempos pra cá, influenciando os próprios juízes que mostram uma mudança de cultura com decisões mais claras para aproximar a Justiça do cidadão”, revela Virgínia, formada em jornalismo pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso, do Rio de Janeiro.


 é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 27 de abril de 2006, 15h00

Comentários de leitores

1 comentário

Acredito que este seja um dos melhores caminhos...

Sydney (Técnico de Informática)

Acredito que este seja um dos melhores caminhos, para aproximar a sociedade e os tribunais, ou seja a presença do assessor de comunicação. Eu Como Leigo fico triste em ver a AMB que deveria se preocupar com o nivel dos atuais magistrados, e com o baixo nível técnico e cultural dos novos Magistrados, soltar uma Campanha pela Simplificação da Linguagem Jurídica - o chamado “juridiquês”. e dizer que é para melhor entendimento da Populaçao, quem deve estar com dificuladades são os atuais magistrados e tambem a imprensa, vou repetir sou leigo e não vejo nenhuma dificuldade em entender a cultura lingüística do Direito, O chamado e muito criticado “juridiquês”, a linguagem erudita do ambiente jurídico que deixa não a população leiga confusa, mas a imprensa e alguns operadores do direito confuso, Quem tem a obrigação de entender é o advogado, pois o cliente nem pode tratar direto com o Juiz, é como vejo essa intenção da AMB em querer reduzir o nivel de qualidade de nosso Judiciario, para acomodar os atuais magistrados, eu como leigo não me enquadro nessa colocação da AMB, ela deveria assumir que está preocupada com o nivel tecnico dos atuais, magistrados e não transferir essa falta de conheciemtno para a população, nessa eu não me enquadro. Gostaria de ver mais assessores de comunicação para melhor entendimento da imprensa e alguns advogados. Abraços de Sidney.

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