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12 maio 2004
Saia justa
Casamento com brasileira não impede expulsão de jornalista
O fato de o jornalista norte-americano Larry Rohter ser casado há mais de 20 anos com uma brasileira não deve brecar a represália do governo Lula, que decidiu cancelar o visto de permanência temporária do correspondente do The New York Times. Rohter fez uma reportagem em que acusa o presidente de ter costume de abusar de bebidas alcoólicas em público.
O advogado Jorge Nemr, especializado em Direito Internacional, considera a situação do jornalista muito complicada e nem a união com uma brasileira deve aliviá-la.
A concessão do visto é discricionária. “O artigo 7º da Lei 6.815 diz que não será concedido visto ao estrangeiro considerado nocivo à ordem pública ou aos interesses nacionais”, diz Nemr. “E ele, ao escrever a reportagem, foi considerado tudo isso pelo governo”. Uma das únicas saídas para que Rohter possa ficar em território nacional é se o Supremo Tribunal Federal resolver conceder liminar ao jornalista.
Nesta quarta-feira (12/5), o senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) impetrou Habeas Corpus no STF para impedir que o visto do jornalista seja cancelado.
“Está havendo uma grande comoção em relação ao caso, com argumentos de que a medida é grave e fere a liberdade de imprensa prevista na Constituição”, o que poderia levar o STF a decidir em favor do jornalista, de acordo com Nemr.
O professor Luiz Flávio Gomes também demonstra ceticismo quanto à permanência de Rohter. “A questão do casamento não interfere mais em questões de extraterritorialidade ou passaporte”, diz Gomes. Ele afirma, que, se o governo levar mesmo adiante a idéia de cancelar o passaporte do correspondente, ele terá de deixar o país no prazo estabelecido.
Segundo a advogada especializada em Direito Internacional, Djamila Guedes, uma outra saída para Rohter é tentar requerer o visto permanente alegando reunião familiar.
Governo diz que não volta atrás
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que não pretende voltar atrás na decisão, apesar de todas as críticas à medida do governo. Os contrários à decisão do Ministério da Justiça argumentam que ela pode ser considerada violação à liberdade de expressão e ao estado democrático de direito.
Em nota oficial à imprensa, o Ministério da Justiça classificou a reportagem escrita por Larry Rohter de “leviana, mentirosa e ofensiva à honra do Presidente da República Federativa do Brasil, com grave prejuízo à imagem do país no exterior”.
O jornal The New York Times afirmou, nesta quarta-feira (12/5), que tomará as medidas apropriadas para defender os direitos do jornalista.
Luciana Nanci é repórter da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 12 de maio de 2004
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Comentários de leitores: 14 comentários
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Por muito menos brasileiros já foram convidados...
A Justiça afirma que fere o princípio de liber...
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