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Luto na advocacia

Seis advogados foram assassinados em São Paulo em seis meses

Com a morte de Ivan Rosa Ruiz, de 37 anos, na última quinta-feira (24/6), sobe para seis o número de advogados assassinados no estado de São Paulo em apenas seis meses. Ruiz foi morto em seu escritório, na cidade de Santo André.

O presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, Luiz Flávio Borges D´Urso, divulgou nota em que lamenta o assassinato. Na nota, D’Urso registra que o crime ocorreu em circunstâncias similares às que vitimaram outros dois advogados: Walter de Carvalho, em Santos, no mês de maio, e Dorgival Rodrigues dos Santos, no município de Paulínia, neste mês.

Nos três casos os profissionais foram assassinados em seus escritórios. Segundo a OAB-SP, as investigações apontam que os três assassinatos tiveram ligação com o exercício profissional.

Ruiz chegou a ser socorrido por um colega, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O advogado deixa mulher e dois filhos. O enterro foi feito na sexta-feira (25/6), às 14 horas, no Cemitério da Vila Assunção. A seccional paulista afirmou que está acompanhando as investigações juntamente com a subsecção de Santo André.

Leia a nota

NOTA PÚBLICA

A Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo, vem a público manifestar sua inconformidade com o assassinato do sexto advogado, registrado este ano no Estado de São Paulo. O criminalista Ivan Rosa Ruiz, foi assassinado, ontem, dentro de seu escritório, no centro da cidade de Santo André, por um desconhecido que se passou por cliente. O crime foi similar ao ocorrido com os advogados Walter de Carvalho, em Santos, no mês de maio, e Dorgival Rodrigues dos Santos, no município de Paulínia, neste mês.

As investigações apontam que os três assassinatos tiveram ligação com o exercício profissional, o que exacerba o repúdio de toda a classe, principalmente porque a questão jurídica não possui cunho pessoal. O advogado criminal no exercício de seu múnus público patrocina a causa de um cliente, com os recursos técnicos da profissão, dentro da lei e sem considerar sua opinião pessoal sobre a culpabilidade do mesmo. Noé de Azevedo, um dos maiores presidentes da OAB-SP, foi explícito sobre os limites da função do criminalista: “ Ao direito de defesa assegurado a toda criatura humana, por mais odioso que seja o crime imputado, corresponde o direito de produzir essa defesa de acordo com as regras da ética e as normas regulamentares”.

A principal lição da Advocacia reside no princípio constitucional de quem ninguém é indigno de defesa. Portanto, quando um advogado é assassinado em decorrência de sua função, estamos colocando em risco o Direito e a Justiça, porque esta não se cumpre sem a ampla defesa e o contraditório. A Advocacia não se sente intimidada - assim como a Magistratura e o Ministério Público, que tiveram membros assassinatos no exercício de suas funções – mas lamenta profundamente esta série de assassinatos violentos.

Por fim, a OAB-SP espera celeridade na apuração rigorosa do crime, para que não perdure a sensação de impunidade, decorrente do desconhecimento da causa e autoria de mais este bárbaro assassinato. Neste ano, também foram assassinados os advogados: José Henrique de Lima, no município de Ferraz de Vasconcelos , Maria Luiza Machado e Silvana Barbosa de Carvalho, ambas na cidade de São Paulo.

São Paulo, 25 de junho de 2004

Luiz Flávio Borges D´Urso

Presidente da OAB-SP

Revista Consultor Jurídico, 28 de junho de 2004, 10h10

Comentários de leitores

6 comentários

Nos diversos empreendimentos e profissoes do me...

Antonio Fernandez ()

Nos diversos empreendimentos e profissoes do mercado, sabe-se bem dos risco passiveis que podem ou nao ocorrer. Nenhum medico arriscaria a vida do seu paciente diante de uma estragegia impar e arriscada. O mesmo se pode dizer do recebimento de um cliente altamente suspeito do qual este no passado ja ameaçou familias inocentes gratuitamente e no qual num futuro proximo o podera ser a sua. E um risco a ser considerado pois nada e garantido na profissao, nem o sucesso e nem o fracasso. E claro que nem sempre se pode escolher qual cliente mas fica aqui a resalva da aplicaçao do bom senso.

Quando nós vemos na televisão Delegacias de Pol...

Marcão (Outro)

Quando nós vemos na televisão Delegacias de Polícia serem invadidas por bandidos, filho de Políticos ( Governador, Vereador, Prefeito, Senador, etc) serem vítimas de criminosos, personalidades famosas serem atacadas por marginais, Advogados serem mortos enquanto trabalhavam; eu sinto uma dor no peito com falta de atitude de nossos governantes no trato com que há de mais sagrado que é a preservação da vida; seja ela na Área da Saúde ou na Área da Segurança. O trato com bandidos não pode ser feito com política, mas com atitudes firmes de igual para igual. Violência se combate com a mesma intensidade com a qual é cometida.

Tendo sido este o sentido do termo, retifico me...

Luiz Felipe (Outros)

Tendo sido este o sentido do termo, retifico meu comentário na parte em que critiquei o adjetivo escolhido.

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