Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Zona do agrião

Jornalistas esportivos disputam partida acirrada nos tribunais

Por 

Com uma língua ferina que dispara farpas incandescentes em todas as direções e provoca a ira dos desafetos com igual intensidade, o apresentador da TV Bandeirantes, Jorge Kajuru, tem 109 processos nas costas em quatro estados -- Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em Goiás, ele tem até uma condenação definitiva por crime contra a honra.

Com base nas freqüentes notícias sobre ações judiciais contra Kajuru, a revista Consultor Jurídico resolveu pesquisar o número de processos existentes contra alguns dos mais populares jornalistas e radialistas esportivos. Foram pesquisadas as fichas de Jorge Kajuru, Milton Neves, Juca Kfouri, José Trajano e Galvão Bueno. A pesquisa abarcou processos relacionados à atividade profissional dos comunicadores, no Fórum de Pinheiros em São Paulo, no período de 25 anos.

No time de pesquisados, Juca Kfouri, apresentador de programas na TV Cultura e na Rádio CBN, já enfrentou mais de 80 ações por calúnia, injúria e difamação desde 1981. Ele é réu em processos movidos pelo técnico do Santos Vanderlei Luxemburgo, pelo ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, pelo presidente da Fifa, Joseph Blater, entre outros autores. As entidades dirigidas por seus adversários também o processam.

Kajuru tem mais de 30 ações criminais em São Paulo. Em 2003, ele foi acionado mais de 20 vezes, de acordo com os dados do Fórum de Pinheiros. Em 2004, o apresentador da TV Bandeirantes mantém a liderança: já foi processado criminalmente cinco vezes, enquanto Kfouri somou apenas mais uma ação à sua coleção. Trajano, Galvão Bueno e Milton Neves não foram acionados no mesmo período.

Kajuru é processado pelo governador de Goiás, Marconi Perillo, pelo presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, pelo empresário de Goiás, Jaime Câmara Júnior, e pela apresentadora da Rede TV, Luciana Gimenez, entre outros.

O apresentador da TV Bandeirantes conta em seu currículo com uma condenação definitiva em ação movida pelo governador de Goiás. Condenado a cumprir pena de 1 ano e 6 meses em regime aberto por crime contra a honra, perdeu a primariedade.

Milton Neves, da TV Record, é quem mais leva os colegas aos tribunais, entre os cinco nomes pesquisados. Seu maior rival é justamente Jorge Kajuru. Neves tem mais de 10 queixas-crime contra o colega e ainda o processa na área cível.

Neves também já entrou com ações contra os jornalistas José Trajano, da ESPN Brasil, Silvio Luiz, da Band Esportes, José Luís Datena, da Bandeirantes, e Roberto Avallone, da Rede TV. Na sua mira ainda está o presidente do Vasco, Eurico Miranda.

José Trajano, da ESPN Brasil, responde somente a ações ajuizadas por Milton Neves. O locutor da Rede Globo, Galvão Bueno, é só simpatia: não é processado por ninguém.

Bate-bola

Questionado pela revista Consultor Jurídico sobre a avalanche de processos que responde na Justiça, Kajuru afirma que "virou mania" processá-lo. Ele já acostumou receber notícias de que está sendo acionado judicialmente e fica "aborrecido" de ter de gastar dinheiro com advogados. "Pago R$ 27 mil por mês para advogados", conta. O valor é referente aos processos ajuizados na Justiça antes de ele entrar na TV Bandeirantes. Seu contrato agora prevê assistência jurídica.

Ele disse que é acionado constantemente por causa do seu jeito crítico. Kajuru nunca processou ninguém. "Eu critico e me defendo com argumentos no espaço que tenho na imprensa".

Perguntado sobre o fato de Milton Neves ser o recordista de processos contra os colegas, Kajuru mais uma vez não economiza palavras. "O Milton Neves é desprezível e acha que é Deus. A Justiça tem assuntos mais importantes para julgar do que analisar brigas de jornalistas", disse.

Neves devolve a bola. "Eu não sou desprezível. Ele não é desprezível. Ninguém é desprezível. Precisamos nos respeitar porque somos formadores de opinião. Eu somente entro na Justiça em último caso".

Kajuru também criticou autores de ações indenizatórias por danos morais. "Se eu pagar o valor [fixado na Justiça] vai resolver o problema da honra?", questiona.

Juca Kfouri lembrou que, no seu caso, grande parte das ações que responde na Justiça é referente a uma série de acusações feitas pela revista Placar, na década de 80, sobre a "Máfia da Loteria Esportiva". Na época, ele dirigia a publicação da Editora Abril.

“Pessoas que não aceitam críticas recorrem à Justiça na tentativa de intimidar a imprensa", diz o apresentador da CBN. As pessoas a que Kfouri se refere são, em sua maioria, dirigentes esportivos. Os cartolas são o alvo preferencial do inconformismo do jornalista. “Os processos são um resultado da linha combativa de jornalismo que o Juca adotou”, diz José Trajano, diretor e apresentador da ESPN Brasil.

Para Trajano muitos assuntos irrelevantes que são levados aos tribunais poderiam ser resolvidos com uma boa conversa. Milton Neves rebate o argumento. "Por que ele não conversou comigo antes de falar os absurdos que falou na TV a respeito de quem ele não conhece? Por que o ranço gratuito?", questiona. Para Neves, "ele é um ótimo jornalista -- um dos melhores do país. Então para que fazer o que fez? Ganhou o quê? Ganhou uma condenação criminal por injúria".

Para o apresentador da ESPN, “Kajuru fala muito mas sem intenção de ofender". Segundo ele, "os mal entendidos poderiam ser resolvidos com o diálogo". Trajano diz que, em muitos casos, a vaidade é que leva os processos em frente. "Milton Neves criou a cultura do processo", afirma.

Por oposição à atitude de Neves, Trajano elogia o fair-play de Galvão Bueno: “Se o Galvão fosse o Milton Neves, já teria processado mais de duas mil pessoas”, compara. Motivos não faltam. Por ocupar o microfone com maior audiência do jornalismo esportivo do país, Bueno está sempre na berlinda. Na Internet é alvo de inúmeros sites “eu odeio Galvão Bueno”.

Os conflitos de Milton Neves com seus colegas de profissão são resultado de visões diferentes sobre o ofício que exercem. Para boa parte dos colegas, Neves confunde a função de comunicador com a de vendedor e transforma seus programas em um bazar em que todo merchandising é permitido. Neves se defende: “Jornalista não pode fazer propaganda? Onde está escrito isso? Tem lei? Qual o número dela?”

E acrescenta: "Sou só um apresentador e não o manda-chuva da Record, Jovem Pan e do merchandising. Não existe 'TV Milton Neves' ou 'Rádio Milton Neves'. Sou só funcionário da Record e Jovem Pan com direitos e obrigações como qualquer outro e, comercial e publicitariamente. E eu não tenho nenhum poder de veto ou de imposição de qualquer anunciante. Apenas divulgo – como outros apresentadores das emissoras – os produtos de anunciantes cujos espaços foram adquiridos ou comercializados no mercado pelos departamentos comerciais dos referidos veículos".

Perguntado sobre o fato de ser o recordista em acionar os colegas, o apresentador da TV Record responde: "Problema deles, não meu. Mas isso não é motivo de orgulho. Não pode ser. E há quem sustente que eu gosto de processar por vaidade. Pode?"

Ele enumerou as dificuldades para acionar os colegas na Justiça por injúria, calúnia e difamação: manter empresa de gravação atenta, pagar por isso, pagar advogados caros e agüentar horas intermináveis de audiências em vários Fóruns. "Dentre meus defeitos não está o de ser masoquista. Processo é um saco. Para todo mundo. Mas um preço ínfimo perto do preço da honra", afirmou. O apresentador da Record fez questão de ressaltar que ele próprio paga seus advogados e não "choraminga pelo departamento jurídico da empresa" onde trabalha.

Ele questiona: "Por que caluniam tanto?". E responde: "Além de inveja, há má informação. Sofrem muito mais pelo imaginário do que pelo real". Milton Neves faz ainda outros questionamentos: "Adianta dar um tiro na cara do xinguista -- que é a mistura de xingador com jornalista --, e matá-lo? Isso não pioraria ainda mais a situação?”. Felizmente prefere a via dos tribunais, embora contribua para atravancar ainda mais a Justiça com picuinhas.

 é editora da revista Consultor Jurídico e colunista da revista Exame PME.

Revista Consultor Jurídico, 3 de junho de 2004, 17h21

Comentários de leitores

26 comentários

Entendo que cada comentarista esportivo tem o s...

Murassawa (Advogado Autônomo)

Entendo que cada comentarista esportivo tem o seu valor, tem o seu publico em menor ou maior quantidade por simpatia ou antipatia e entendo também que o comentarista esportivo não deve e não tem o direito de fazer qualquer comentário sobre seus concorrrentes do ramo, mesmo porque, os meuis de comunicação não foi feito e muito menos serve para fuxicos e mexiricos entre eles e sim espaço para cada qual externar as suas opiniões, e tenho dito. Com relação aos merchans "propaganda", é sabido que os espaços de radio e tv são pagos pela propaganda e aquele que é mais competente e ou melhor comunicador tem a preferencia dos anunciantes, portanto, bem feito a aqueles que não tem competencia para esse fim.

quem tem mais publico não processa, mas quase, ...

advogado curioso (Advogado Autônomo)

quem tem mais publico não processa, mas quase, quase todos os jornalista esportivos são incompetentes, especialmente alguns que são mais, como o Kajuru (o pior- 1o. lugar) depois aquele corinthiano no programa da Gazeta, depois o Silvio Luiz, gente quanta mala, agora ainda colocaram aquele ex-goleiro que indicava para a torcida quem errou no lance ou falhou como jogador, hoje pseudo-comentarista Ronaldo, ó gente, ó mundo cruel, ficar ouvinda tanta besteira, discutindo quem deve sair, quem deve entrar, sempre eles estão certos e os técnicos errados, e gozado hoje tem comentarista juiz, incompetente també, discutindo absurdos, foi falta, não foi, não sei, fica vendo o vide tape 10 vezes e chega a uma conclusão errada, igual quando derrubaram o Tinga na área (InterX Corinthians), anularam os jogos, quanto motivo para jornalista esportivo falar mais besteira, incluindo o Milton Neves, ora, ainda bem que o Brasil não ganhou a Copa, senão virgem............

O pior é que quem sofre somos nós, telespectado...

Júlio Araújo (Servidor)

O pior é que quem sofre somos nós, telespectadores, com essa saraivada de indiretas dos dois lados... e o milton neves, q era excelente no rádio (com terceiro tempo e, principalmente, plantão de domingo) se torna um mala... o problema do kajuru é preferir a polêmica pela polêmica e abusar do seu carisma (notório)... aí enche o saco também... MAS Q O MILTON BAJULA CARTOLA, NÃO TENHO DÚVIDA!!!

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 11/06/2004.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.