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Quinta-feira, 13 de junho de 2002.

Primeira Leitura: taxa de risco do Brasil é a terceira maior do mundo

O dólar e o real

O dólar fechou, na quarta-feira (12/6), com alta de 2,98%, a R$ 2,795. A taxa de risco do país subiu 7,53%, para 1.299 pontos básicos, e já é a terceira maior do mundo. O Brasil só é hoje menos arriscado do que a Argentina e a Nigéria.

No mercado futuro de juros, os contratos de outubro e janeiro bateram no teto, e os negócios foram suspensos pela BM&F. Em resumo, a crise tomou uma nova face: é agora financeira e tem duas vertentes: o dólar e o real.

Buraco nas contas

No caso do dólar, o que está claro é que as empresas não vão renovar suas dívidas no exterior, a taxas de juros elevadíssimas. Vão é pagá-las, o que abrirá um buraco nas contas externas.

Overnight

No caso do real, a falta de demanda por títulos públicos com vencimento de longo prazo obriga o governo a se financiar no overnight. Na quarta-feira, o Banco Central, acertadamente, tomou recursos por 20 dias úteis no over pagando a taxa Selic.

Lexotan

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que é preciso "dar um calmante" ao mercado e, numa entrevista coletiva, afirmou que a situação do país é sólida.

FMI urgente

Sólida ou não, Primeira Leitura considera imperioso que o Brasil saque a parcela de US$ 10 bilhões a que tem direito no acordo com o FMI, ainda em vigor. Essa providência daria mais segurança para o país atravessar o período eleitoral.

Ninguém ligou

Quarta-feira foi um dia também de boas notícias. A inflação oficial (IPCA-IBGE) caiu de 0,8% em abril para 0,21% em maio. A arrecadação, também em maio, foi recorde para o mês, informou a Receita. E o Senado aprovou em segundo turno a CPMF. Pena que ninguém no mercado ligou.

Bomba caseira

O candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva comparou a turbulência do mercado ao caso Riocentro, uma reação da ala mais à direita dos militares à abertura política. "O mercado tem de parar de brincar com a fabricação de bombas caseiras", disse.

Cobrança externa

O jornal inglês Financial Times, na edição de quarta-feira, cobrou do PT medidas para tranqüilizar o mercado. Como uma espécie de resposta, a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, leu na rádio CBN uma declaração do PT à nação.

O texto defende a estabilidade, o respeito a contratos, a responsabilidade fiscal, a busca de superávit primário e a abertura da economia.

Dívida sagrada

O candidato tucano José Serra prometeu, se eleito, honrar o pagamento da dívida e disse que, se preciso, elevará o superávit primário para mostrar solidez para os credores.

Culpas...

Uma das reportagens de capa da edição de fevereiro de 2001 da revista do site Primeira Leitura chamava a atenção para a vulnerabilidade externa do país. A questão, portanto, não é nova. A culpa é do modelo adotado pelo fernando-malanismo. O PT não tem nada a ver com isso.

Como aquelas autoridades orientais que se enchem de brios e vergonha, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, deveria vir a público para pedir desculpas à nação e praticar um haraquiri político. Em vez disso, arrota arrogância, dá conselhos, distribui pitos.

...e responsabilidades

Luiz Inácio Lula da Silva e José Serra não têm culpa nenhuma, só responsabilidades. Candidatam-se a resolver o problema. Têm de apresentar um plano de transição com urgência.

O PT precisa se livrar de suas ambigüidades. Serra precisa parar com a conversa de "argentinização". Insistir nisso, agora, como mera técnica de marketing eleitoral, é irresponsabilidade.

Assim falou...José Serra

"Não vejo razão para ansiedade. Até porque nós vamos ganhar as eleições"..

Do candidato do PSDB à presidência, comentando o nervosismo do mercado financeiro e tentando associá-lo ao pleito de outubro.

Tudo é história

Com a falta de demanda por títulos públicos com vencimento de longo prazo, o governo será obrigado a se financiar no overnight. É bom lembrar que essa palavra, que foi tão comum no passado, parecia fora do dicionário dos analistas de economia.

O over teve seus dias de glória em 1989. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Collor de Mello (PRN) disputavam a Presidência. E, sob o governo José Sarney, o Brasil estava à beira da hiperinflação. A volta do over, como se vê, é sintoma mais do que evidente de que as coisas não vão bem.

Revista Consultor Jurídico, 13 de junho de 2002, 11h18

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