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Ação conjunta

Dr. Luiz Francisco Fernandes de Souza - Procurador da República

LÚCIA MARIA DE JESUS - TESTEMUNHA

A ex-contadora foi várias vezes ameaçada: TERMO DE DEPOIMENTO, que presta A Sr.ª JESUÍNA VARANDAS FERREIRA, conhecida pelo apelido de Tereza, brasileira, divorciada, técnica em contabilidade (...). Aos 11 de janeiro do ano de 2002, nesta cidade de Brasília-DF, no edifício sede da Procuradoria Regional da República no Distrito Federal, onde se achava presente o Excelentíssimo Senhor Procurador da República, Doutor Luiz Francisco Fernandes de Souza, comigo Lúcia Maria de Jesus, Secretário Administrativo, Mat. 4615-9, escrivão "ad hoc", Testemunha compromissada e advertida das penas do Artigo 342 do Código Penal Brasileiro, às perguntas que lhe foram formuladas respondeu: Que nos meados de abril/99, quando apareceram os primeiros cheques relacionados em matéria publicada no Correio Braziliense, a respeito de três cheques emitidos pelo Grupo Monteiro de Barros para as firmas CIM – Construções e Incorporações Moradia e SAENCO – Saneamento e Construções Ltda, na matéria dizia que havia uma ligação entre o Senador Luiz Estevão e o Juiz Nicolau dos Santos Neto, cujas denúncias foram feitas pelo genro do então Juiz Nicolau, na CPI do Judiciário; Que essa publicação foi num dia de sábado; Que embora estivesse trabalhando há dezessete anos no Grupo OK, o Sr. Luiz Estevão nunca havia comparecido na residência da depoente; Que por volta das 19:h30min desse sábado, a depoente estava de camisola e dando um lanche para os seus sete filhos menores; Que, insistentemente o interfone da portaria central do prédio tocou e o porteiro avisou-lhe dizendo: “cuidado, o Senador Luiz Estevão deu um pontapé na portaria de vidro, conseguindo abrir, subindo com dois seguranças”; Que acabando de por o interfone no gancho, ouviu um pontapé na porta da sala; Que mesmo de camisola, abriu a porta e o Sr. Luiz Estevão entrou enfiando o dedo em sua cara e os dois seguranças permaneceram no saguão de entrada e o mesmo, falando alto, afirmava que a depoente havia entregue os cheques para o Correio Braziliense para que ele fosse incriminado; Que após alguns minutos de bate-boca, o Sr. Luiz Estevão afirmou que pelo o jeito da depoente falar, demonstrava que não tinha praticado tal ato; Que nesse mesmo dia, o Sr. Luiz Estevão pediu a depoente para que o ajudasse a sair desse rolo, ou seja, escriturar os cheques, “esquentando os mesmos” para que não perdesse o seu cargo no Senado Federal; Que após uns cinco meses, começaram a aparecer grande quantidade de fiscais do Serviço de Inteligência da Receita Federal para apurarem os cheques recebidos da obra do TRT/SP (Construtora Ikal); Que após escriturados aproximadamente mil e duzentos cheques, os quais estavam sendo escriturados pela depoente e mais cinco contadores do Grupo OK, a mesma recebeu o primeiro telefonema anônimo, dizendo que se falasse para alguém que estavam abrindo a contabilidade para “esquentarem” os recebimentos do TRT/SP, cujos valores já estavam em trinta e dois milhões de reais, a mesma morreria; Que consequentemente as ameaças continuavam, não só para a depoente como também mandavam recado, através de sua ajudante de contabilidade Maria de Fátima Carneiro; Que certa tarde, no decorrer do ano de dois mil, o segurança do Grupo OK, Barcelos, lotado no Edifício da OAB, onde fica o Sr. Luiz Estevão, foi até à Av. W 3 Sul, Qd. 514, onde trabalhava a depoente, e em tom de brincadeira disse que havia recebido ordens para seqüestrá-la e levá-la para a Fercal, terras do Sr. Luiz Estevão, e chegando lá deveria retirar as jóias da mesma e dois caras deveriam estupra-la, tanto pela frente como por trás, e depois dar dois tiros nas costas, para caracterizar latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte; Que já no início do ano de dois mil e um, estando a depoente com sua secretária Maria de Fátima Carneiro, onde haviam ido ao Edifício da OAB receber o salário, encontraram novamente o Sr. Barcelos, que em um tom de brincadeira disse para a Sr.ª Fátima que não perderiam uma bala para matá-las, pois as mesmas só andavam juntas; Que o Sr. Barcelos disse que passaria a faca no pescoço das mesmas; Que nos meados de maio/2001, a Sr.ª Maria de Fátima e a depoente se dirigiram para a OAB para receberem os salários; Que na tesouraria encontraram o sr. José de Arimatéia Cunha, D. Helena, Barcelos e outro segurança de nome Cleber; Que o segurança Cleber tem uma caneta prateada que na realidade é um revolver, cujo projétil parece mais um comprimido tipo oval, e que dentro tem um chumbinho que penetra no indivíduo, não sangra e que, em duas horas, a pessoa está morta, com as vísceras estraçalhadas e envenenada; Que esta caneta quando disparada não faz barulho; Que o Sr. Cleber a carregava em seu bolso; Que em tom de brincadeira, o Sr. Cleber mostrou a “caneta” para a depoente, para D. Maria de Fátima, para D. Helena e para o Sr. Barcelos e disse que havia ganho do “patrão”, pois era ele que fazia segurança; Que, após o depoimento ao MPF, a mesma verificou que era seguida por um Fiat prateado, sempre reconhecendo que um dos motoristas era segurança do Grupo OK; Que certo dia em que veio ao MPF e tendo estacionado sua Blazer na garagem do edifício do MPF, o Sr. Luiz Estevão, em um Santana velho, acompanhado de seguranças e sentado no banco traseiro, tentou invadir a garagem; Que os vigilantes do MPF informaram às Procuradoras de São Paulo, que na ocasião estavam no prédio, e tal ocorrência foi registrado no depoimento de Acareação entre o Sr. Pedro Ramos e a depoente; Que por diversas vezes o Sr. Luiz de Oliveira Neto ofendeu a depoente, nos seus sessenta anos de idade, com palavras de baixo calão, como: imprestável, “merda fedorenta”, “mulherzinha” e ainda hoje, continua desmerecendo-a, diante dos veículos de comunicação, jornais e televisão, afirmando que o problema da mesma é dinheiro, como o que aconteceu no Jornal de São Paulo, no qual afirmou que a mesma queria estorquir seiscentos mil reais de suas empresas, e que após dezenove anos de trabalho, a considera uma técnica irresponsável, pois afirma que foi a depoente a autora da falsificação dos documentos do TRT/SP, dizendo que esta operação foi feita a seu belprazer, pois os cheques estavam depositados nas contas das empresas; Que a depoente jamais fez algum lançamento por conta própria, pois a contadora responsável pelos lançamentos era a Sr.ª Eliana Suely; Que com isso, o Sr. Luiz Estevão está caluniando e difamando a depoente; Que ontem, dia 10 de janeiro de 2002, a depoente tendo se dirigido ao dentista, sito no SIA, no prédio onde a mesma possui duas salas comerciais, com os escritórios de contabilidade e advocacia, de sua irmã e sobrinha, e acompanhada de dois filhos menores, o Lucas e o Vitor; Que ali permaneceu aproximadamente duas horas e quinze minutos, deixando sua Blazer branca estacionada em frente a uma cerca, com terreno vazio e um pouco abandonado, pois fica perto da Feira dos Importados, um lugar quase sem movimento; Que ao sair, verificou alguns homens sentados dentro de um veículo Fiat, cor prata, aspecto velho e com os vidros laterais escuros; Que abriu a porta da Blazer, colocou os seus dois filhos no banco traseiro e sentando-se à direção levou um grande susto, pois nesta hora notou que este Fiat estava com seu pára-choque dianteiro grudado com o pára choque dianteiro da sua Blazer; Que a sua primeira reação foi de susto, pois quem estavam na sua frente, dentro do veículo, no banco dianteiro, nada mais eram que os dois seguranças do Sr. Luiz Estevão, de nome Barcelos e Cleber, e no banco traseiro, mais dois homens que a depoente não conhece; Que os mesmos estavam com os vidros fechados e o Sr. Barcelos, para chamar a atenção da depoente, deu umas batidas no pára-brisa do veículo e fingiu jogar um beijo para a mesma; Que a depoente fingiu que não reconheceu aqueles quatro homens, deu uma marcha ré bem depressa, saiu e fez um retorno na quadra para que pudesse assim voltar para o Plano Piloto; Que ao fazer o retorno, como sua Blazer é alta, via pelo visor que o carro lhe acompanhava um pouco mais atrás; Que com os seus dois filhos menores, um de sete e outro de dez anos, entrou no cemitério e os mesmos passaram reto, seguindo para Asa Sul; Que também está estranhando, porque colocou seus apartamentos à venda, e recebeu vários telefonemas de uma pessoa que se diz chamar Bernadete, perguntando por que está vendendo os apartamentos e se a mesma não tem interesse de alugar para ela, pois a conhece; Que não reconhece como a voz da Bernadete que trabalha como diretora do Grupo OK; Que acha estranho este tipo de perguntas, porque está anunciado à venda dos apartamentos. Que nada mais disse e foi perguntado razão pela qual foi encerrado o presente termo. Srª Jesuína Varandas Ferreira - Depoente

Revista Consultor Jurídico, 8 de fevereiro de 2002, 22h08

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