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Canhedo na berlinda

Vasp: Wagner Canhedo é acusado de golpe na Argentina.

O empresário Wagner Canhedo, alvo de diversos processos na Justiça deve ter mais uma interpelação a responder, nos próximos dias.

Trata-se, agora, do empresário Ricardo Sturno, que adquiriu do polêmico Canhedo a Tansa (Transportes Aéreos de Neuquén S/A), a mais tradicional das empresas aéreas regionais da Argentina.

Depois de comprar a empresa, o argentino teria constatado que a contabilidade apresentada pelos vendedores é, ligeiramente, diferente do que se vê na vida real.

A empresa deteria um alto passivo trabalhista; peças e turbinas declaradas não existem; e até despesas pessoais de dirigentes estariam agora sendo cobradas à empresa, judicialmente.

Outras dívidas haveria por conta de tributos e taxas aeroportuárias não recolhidas, tanto na Argentina quanto no Chile.

A Tansa estaria ameaçada de ser impedida de operar nas regiões de Temuco, Concepción e Puerto Montt, no Chile.

Ao ser privatizada, a Tansa possuía seis aviões. Hoje, apenas três aeronaves estão operacionais. Dos dois SAAB 340 (bimotores para 30 passageiros), só um encontra-se em condições de vôo. Dos dois Rockwell Turbo Commander (bimotores para 10 passageiros), só um voa. Dos dois Swaeringer Metro II (bimotores para 19 passageiros), o mesmo ocorre.

Das mais de vinte cidades servidas na Argentina e Chile, somente onze hoje recebem os vôos da Tansa, nem sempre regulares.

Vendida por US$ 14 milhões, segundo divulgou Wagner Canhedo à imprensa, a Tansa enfrenta sérios problemas. O comprador, Ricardo Sturno, de Buenos Aires, procurou o escritório do advogado Cosme Becaveraque, especialista em direito comercial do Mercosul, para processar a Vasp e o seu presidente, pessoalmente.

Sturno pretende responsabilizar criminalmente a Vasp Argentina Sociedad Anônima, de propriedade do Canhedo e o próprio empresário por omissão de informações e indução a erro.

Uma das primeiras empresas privatizadas no país, em 1995, a Tansa tem sede em uma rica província petroleira, encravada entre a Patagônia e os Andes.

A Vasp assumiu o controle acionário por exatos US$ 1,5 milhão, quantia considerada uma pechincha por todos os observadores do mercado da aviação.

A família Canhedo nomeou para a presidência da empresa o brasileiro Patrocínio Valverde, dono de uma agência lotérica de Brasília, sem grande experiência no ramo da aviação e que, durante os cinco anos em que comandou a Tansa, acumulou um sem-número de conflitos tanto com governantes argentinos, quanto com a imprensa local.

Revista Consultor Jurídico, 1 de outubro de 2000, 0h00

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