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Suposta operação ilegal

Malan processa suposto empresário por calúnia e difamação

O ministro da fazenda, Pedro Malan, está processando Yussef Mahmoud Bazzi, um brasileiro naturalizado americano, por calúnia e difamação. Malan entrou com uma representação junto ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.

Desde abril deste ano, o suposto empresário e consultor, com escritórios em Brasília e São Paulo, envia com uma regularidade cartas ao primeiro escalão do governo, incluindo o próprio presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Nas cartas, ele acusa uma suposta operação ilegal de emissão de títulos públicos federais envolvendo o ministro.

Bazzi cobra do governo uma comissão de centenas de milhões de dólares, como remuneração pela suposta operação da qual teria sido parte.

As cartas mencionam quantias altíssimas, como a de uma emissão clandestina feita há três anos no valor R$ 3 trilhões, o equivalente a três PIBs brasileiros.

Ele cobra a comissão de acordo com o documento, que pode variar entre US$ 300 milhões a US$ 610 bilhões. Até o nome de Alan Greenspan, o poderoso presidente do banco central americano, entrou na história.

O processo aberto pelo ministro une-se à investigação confidencial contra Bazzi que tem sido tocada pela Polícia Federal desde agosto, a pedido da própria Fazenda.

O processo 04.472/00 está sob o comando do delegado Angelino Alves, que tem recorrido aos técnicos do Tesouro Nacional nos últimos meses para obter informações mais detalhadas sobre os títulos públicos do governo.

Segundo o relato de Bazzi, a operação envolveria transações financeiras com empresas canadenses e americanas e mais de "duas mil pessoas".

Entre elas estaria a Parenteau & Parenteau International, uma consultoria canadense com sede em Montreal, a Residential Resources Inc., a Consortim Investement Group Inc., e a Triple Infinity Asset.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) assegura que as empresas realmente existem e movimentaram apenas quantias de até no máximo US$ 4 milhões nos últimos 10 anos.

Em cartas supostamente trocadas entre Bazzi e Rita Laframboise, vice-presidente da P&P, a executiva dá detalhes das emissões. Em umas dessas cartas, Laframboise cita um encontro que teria acontecido entre ela e Malan em Nova York para combinar a operação.

Nas supostas cartas, Laframboise cita o poderoso Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve System. Ele estaria dando aval à operação. "Com a interferência do senhor Alan Greenspan, nenhum problema ocorreu até agora", escreve ela.

A executiva foi procurada duas vezes por telefone pelo site Dinheiro na Web. Nas duas ligações feitas para o escritório no Canadá, Laframboise bateu o telefone.

Um tradutor a serviço de Dinheiro descobriu, por exemplo, que parte da suposta papelada produzida pela empresa de consultoria canadense foi escrita originalmente em português. Depois foi revertida ao idioma de Shakespeare com erros grosseiros. O conteúdo se tornou incompreensível.

Para o Ministério da Fazenda, a apuração é necessária porque Yussef seria testa de ferro de um verdadeiro esquema internacional de vendas de títulos brasileiros falsos.

Enquanto isso, a PF investiga Yussef, que diz estar apenas "cobrando o seu direito de trabalhador".

Bazzi anda com seguranças e diz ter sido ameaçado de morte por gente do governo. Enquanto explica a operação, olha para os lados e aponta possíveis arapongas por onde quer que ele ande.

Após se despedir da reportagem de Dinheiro, os seguranças armados, com Bazzi à frente, seguiram e fecharam o carro da reportagem em um estacionamento de shopping de Brasília onde, a pedido dele, aconteceu a entrevista.

Bazzi saiu do carro e disse: "Já combinamos. Nada de fotos. Sei onde você mora", ameaçou. No rastro do caso, a Polícia Federal informou à repórter Deise Leobet, de Dinheiro, que Bazzi teve apenas uma conta bancária, já cancelada, e nunca declarou imposto de renda. Além disso, tem ainda dois CPFs.

Ele registrou em cartório uma inusitada declaração responsabilizando o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central e toda sua diretoria por qualquer acidente que possa acontecer com ele, "tais como atropelamentos, erros em medicações, indução ao suicídio e acidente em sanitários e banheiros".

Fonte: Dinheiro na Web

Revista Consultor Jurídico, 27 de novembro de 2000, 0h00

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