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Marketing jurídico é uma evolução em andamento dentro do Direito

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Identidade visual, marca, paleta de cores, tipografia, calendário editorial, gestão de redes sociais, autoridade, relevância, nicho, engajamento, atendimento ao cliente, customer experience. Essas são apenas algumas expressões que, até pouco tempo atrás, eram exclusivas das áreas de comunicação e marketing e, portanto, desconhecidas dos profissionais do Direito.

Uma breve busca pelos termos "marketing jurídico" e "marketing para advogados" no Google Trends, ferramenta que permite acompanhar a evolução do número de buscas de determinada palavra ou tópico ao longo do tempo, é suficiente para justificar que a tendência vem aumentando e, certamente, terá uma importância para advocacia muito maior do que se supõe. Mas quais os motivos que favoreceram o surgimento de uma área que sequer era imaginada dentro do Direito? 

Bem, os possíveis motivos para isso vão desde uma excessiva oferta de profissionais no mercado a uma alta especialização de áreas jurídicas, impulsionada pela hiperdigitalização compulsória provocada pela pandemia da Covid-19. Explico melhor. Há tempos verificam-se os sinais do excesso de oferta de advogados na área do Direito, e, com o setor cada vez mais saturado, a própria classe passou a adotar técnicas para mostrar a sua distinção aos demais colegas.

Surgem, então, os cursos de especialização e as áreas de atuação dentro dos escritórios, uma nova forma de disposição social que pautou a advocacia nos últimos anos e que tinha muita aderência com os modelos de negócio do século 20. Nesse formato, os escritórios e profissionais tinham a sua excelência reconhecida pelo mercado por resolverem diversos assuntos pelas mãos e mentes daqueles tecnicamente mais bem preparados, e isso bastava.

Mas, com a transformação digital que estamos vivendo desde 2010, e com o aparecimento das tecnologias disruptivas que começaram a fazer parte do nosso dia a dia, potencializadas pela pandemia de 2020, as fronteiras que limitavam o acesso às informações foram ficando cada vez mais apagadas. Junto a isso, as redes sociais propiciaram a comunicação horizontalizada, que encontrou forte aceitação nessa sociedade mais colaborativa, autoconsciente e livre das correntes impostas pelo tradicionalismo.

Ou seja, as pessoas no meio digital estão se conectando entre si sem levar em consideração seus cargos, títulos ou diplomas, mas, sim, se determinado profissional ou empresa atende às suas necessidades com base em valores, desejos e anseios em comum.

Agora, nasce a consciência entre os profissionais do Direito de que possuir uma boa formação acadêmica, um bom currículo ou até mesmo um escritório com uma arquitetura bonita em um prédio de altíssimo padrão pouco significam se os profissionais não dispuserem de uma boa comunicação e empatia na demonstração de que a advocacia é um suporte legítimo de sua expressão.

E é dentro desse cenário que o marketing jurídico encontra uma terra fecunda para prosperar, pois é a ferramenta necessária para o desenvolvimento desta nova linguagem ao profissional do Direito, que vão além do tecnicismo convencionado há anos na advocacia, até à ajuda na organização e divulgação de maneira sutil dos valores intangíveis do profissional ou escritório.

Esse termo, marketing jurídico, é um pouco incômodo para alguns colegas, justamente por misturar conceitos que antes eram impensáveis. Como associar "marketing", uma palavra que define uma ação de promover, chamar a atenção (muitas vezes a qualquer custo) e entregar valores às pessoas, com a palavra "jurídico", expressão que por si já define uma profissão austera, rígida e com forte apelo moral?

E é por esse motivo que o marketing jurídico deve ser conduzido por profissionais que tenham sólidos conhecimentos dos dois assuntos, com o propósito de fazer a comunicação dentro dos limites impostos pelo Código de Ética e que reúna informações jurídicas sem viés comercial, mas que consigam encontrar as afinidades necessárias para estabelecer a conexão certa com o público desejado.

Eis os novos tempos que se aproximam do Direito.




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 é advogada e especialista em Marketing Jurídico e proprietária da Bureau Lab.

Revista Consultor Jurídico, 1 de maio de 2021, 6h34

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