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Gritos e sussurros

Curitiba tentou coagir Rosa Weber com imprensa e Sergio Moro

O direito à privacidade não protege o crime. Daí que a pseudo privacidade dos procuradores de Curitiba e seus demais sócios honorários, nas conversas hackeadas, oferece duas perspectivas. A que versa sobre situações inofensivas (ou pretensamente engraçadas) e as condutas tipificadas no Código Penal.

Fellipe Sampaio /SCO/STFNem a reservadíssima ministra Rosa Weber escapou das tentativas de intimidação

Imputar desonestidade a ministros do Supremo e do STJ, por exemplo — e quebrar o sigilo, clandestinamente, usando a Receita Federal, dessas pessoas. É grave pela afirmação, mas pior ainda pelo fato de que é o que eles diziam aos jornalistas que deles dependiam para ganhar as melhores "notícias" dos últimos anos.

Desmoralizar ministros do STF e do STJ era a chave do sucesso da autoapelidada "lava jato". Assim como o político precisa do voto popular para se reeleger, Curitiba só continuaria a governar o país tendo os votos dos ministros. Não por acaso eles decretaram: "sério" é ministro que seguia Curitiba incondicionalmente. Os demais, não.

Grosseria ou falta de respeito podem não ser crimes. Mas o que transparece é mais que isso. Carregados nos ombros da opinião pública iludida, esses agentes passaram a coagir julgadores com a pena da execração perante o auditório nacional.

Esse desprezo não se dedicava apenas aos ministros mais ofensivos, como Gilmar Mendes. Mesmo as senhoras mais contidas e cautelosas, como Rosa Weber e Cármen Lúcia, foram alvo do escárnio e da prepotência incontida dos procuradores.

Em dado momento, um deles se mostra contrariado porque o ex-presidente Lula iria despachar com a ministra Rosa Weber (o que jamais aconteceu). Mas o procurador diz haver "mensagens nesse sentido". O problema, diz Roberson Henrique Pozzebon, é que a ministra "não tem a menor noção do caso". Suscita-se acionar o procurador-Geral da República, o que é descartado com uma arma muito melhor para "neutralizar" o inimigo: o juiz Sergio Moro, que fora assessor da ministra no STF. "A simples publicidade vai colocá-la na parede", arremata Deltan.

Aludindo fantasias sem informar fonte, o procurador Ângelo Villela inventa frases atribuídas ao ministro Ricardo Lewandowski, como a de que seu colega Luiz Fux "tem um guaxinim na cabeça". Para Villela, "esse Lewandowski não é nada". E o nível cai, quando João Carlos de Carvalho Rocha faz piada sem graça e intolerável sobre a vida pessoal da ministra Cármen Lúcia.

Cenas brasileiras de uma pirâmide invertida. Entra para o museu da história da Justiça em um momento que o rabo abanou o cachorro.




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Revista Consultor Jurídico, 8 de fevereiro de 2021, 11h56

Comentários de leitores

46 comentários

Curitiba tentou coagir Rosa Weber com imprensa e Sergio Moro

jcesarsiqueira (Advogado Autônomo - Civil)

Realmente a notícia parece picuinha.
A forma de agir dos Procuradores pode sim ter passado dos limites, o que a meu ver, não invalida o processo. O processo passou por todas as fases do contraditório. Agora só resta aos criminalistas que defendem os condenados, se valerem da política, das artimanhas que levem a anulação da sentença. Somente com muita propaganda contra a Lava-jato, como essa que tenta colocar os Ministros do STF contra os Procuradores é que pode abrir caminho para os que apoiam os condenados por 3 instancias, terem a Sentença anulada pelo STF.

Curitiba tentou coagir Rosa Weber com imprensa e Sergio Moro

Wesley Ribeiro da Silva (Advogado Autônomo - Criminal)

Vejo muitos dizendo que não houve ilegalidades nos julgamentos porque as condenação foram confirmadas em várias instâncias. Só não vejo pessoas dizendo que a violação ao devido processo legal gera nulidades. Que o papel do juiz é ser imparcial e que o conluio do juiz com os procuradores é crime. Infelizmente não poderão ser acusados porque foram provas obtidas por meios ilícitos. Mas as outras instâncias que confirmaram a condenação em primeiro grau de jurisdição não tinham conhecimento de como foi o andamento fraudulento do processo. É lógico que deverá ser anulado!

Ao Wesley Ribeiro da Silva (Advogado Autônomo - Criminal)

Afonso de Souza (Outros)

Você não tem provas de que houve conluio entre juiz e promotor. E não tem provas de que o processo foi conspurcado. Os diálogos roubados sequer podem ser devidamente periciados. Além disso, não há nada que indique um forjamento do conjunto probatório.

Da Lava Jato, em nota

Afonso de Souza (Outros)

Vale a pena colocar os pronunciamentos da Lava Jato:

“Jamais se apresentaram supostas mensagens, ainda que ilegais e sem autenticidade aferida, apontando sua inocência ou então a prática de crimes pelas autoridades, a forja de provas ou a existência de um consórcio para persegui-lo ou puni-lo. Nada afasta a existência de um julgamento justo.”

“A segunda instância, o tribunal de apelação, promoveu um verdadeiro rejulgamento de todas as questões fáticas, probatórias e jurídicas do caso. Em todas as discussões, nada foi encontrado de sólido exceto a prática de crimes pelo condenado.”

Lembram ainda que Sergio Moro, “por diversas vezes, negou pedidos do Ministério Público e deferiu pleitos da defesa, sempre de modo coerente com seu posicionamento jurídico em outros casos”.

Obra do governo Bolsonaro

Osvaldo Aires Bade (Administrador)

O certo é que no Governo Bolsonaro era pra Lava a Jato prosperar, os políticos se danarem, os bancos penarem, os comunistas mudarem de país e fazermos um verdadeiro judiciário

Nota ZERO

JCCM (Outros)

E seus insistentes comentários são hilários, de tão fraquinhos e nitidamente voltados a passar um pano aos desmandos dos procuradores em conluio com o juiz justiceiro.

Com todo o respeito, permita-me discordar de cada uma das suas intervenções, pois, o senhor é cansativo.

Ao JCCM (Outros)

Afonso de Souza (Outros)

Hilário é o papel de passador de pano para o corrupto que você cumpre aqui. Hilário, fraquinho e cansativo. Nem precisava usar o termo 'respeito', pois isso é algo que você não conhece, e portanto não tem.

Advogado

Rba advogado (Advogado Assalariado - Tributária)

A Conjur precisa esclarecer: como sabe que o Lulalcapone nunca se reuniu com a Rosa Weber? Quais os nomes dos jornalistas referidos na matéria? Por que essa defesa intransigente de ministros sabidamente militantes da esquerdopatia?

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