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Procurador disse não se sentir "confortável" em defender amigo de Moro

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, ex-coordenador da "lava jato" no Paraná, disse em 2017, durante conversa com colegas do Ministério Público Federal, que não se sentia "confortável" em endossar totalmente a defesa que Sergio Moro fazia de seu amigo Carlos Zucolotto Júnior. A informação é da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo

Santos Lima disse não se sentir "confortável" em defender amigo de Moro
Otavio Conci

Zucolotto é advogado trabalhista, ex-sócio de Rosângela, esposa de Moro, e padrinho do casamento deles. Ele foi acusado de intermediar negociações paralelas na "lava jato" em troca de pagamentos por meio de caixa dois. 

Embora não tenha sido citado na acusação, Moro rapidamente saiu em defesa do amigo.  "O advogado Carlos Zucolotto Jr. é meu amigo pessoal e lamento que o seu nome seja utilizado por um acusado foragido e em uma matéria jornalística irresponsável para denegrir-me", disse o então juiz em uma nota publicada na Folha

O "acusado foragido" citado por Moro é Tacla Duran, ex-advogado da Odebrecht e responsável por acusar Zucolotto do esquema de caixa dois. Segundo Duran, Zucolotto intermediava negociações de delação premiada com o MPF em troca de dinheiro. 

Logo após a defesa de Moro ser publicada na Folha, Dallagnol passou a discutir com outros procuradores se o MPF deveria se posicionar em relação à denúncia feita contra Zucolotto. Na conversa, o então chefe da "lava jato" primeiro copia aos colegas mensagens enviadas a Moro. 

"A princípio não íamos fazer nada, pois uma nota acaba gerando uma segunda onda de notícias. Que Mônica Bergamo ia publicar, não tinha dúvida. Da maneira como publicou fica claro que não foi adianta [adiante] na tentativa de investigar os fatos. Estamos monitorando as repercussões. Se a reportagem reverberar em outros órgãos de imprensa sérios, é o caso de posicionamento. Mas se você quiser que façamos nota, nós faremos hoje mesmo", disse Santos Lima a Moro.

Em seguida, o procurador complementa aos colegas de MPF: "Talvez seja o caso de fazermos uma nota, apesar de objetivamente não ser o caso, somente para dar suporte ao Moro. Prefiro notas curtas, pois não me sinto confortável em endossar totalmente o Moro em relação ao Zucolotto."

No fim das contas, a "lava jato" de Curitiba divulgou uma nota com 11 parágrafos repudiando as acusações de Tacla Duran contra o padrinho de casamento de Moro.

*O procurador que não se sentia confortável em endossar totalmente a defesa que Sergio Moro fazia de Carlos Zucolotto Junior era Carlos Fernando dos Santos Lima, e não Deltan Dallagnol, como constava em versão anterior deste texto. A informação foi corrigida nesta segunda-feira (11/1). 




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Revista Consultor Jurídico, 4 de fevereiro de 2021, 12h16

Comentários de leitores

7 comentários

Podrião-a-jato

Flávio Marques (Advogado Autônomo)

Pimpolhos da República + pseudojuiz ético = "podridão" e nulidades!!!

Doutor carlos zucolotto júnior

O ESCUDEIRO JURÍDICO (Cartorário)

O eminente e culto Doutor advogado Carlos Zucolotto Júnior, OAB/PR 15.717, com escritório na Rua Nilo Peçanha, 897, Centro Cívico, Curitiba, Paraná, Região Sul, resolveu sair da área trabalhista e ir ao setor penal do direito, antes de ter lido as obras de Cezar Roberto Bittencourt, Damásio Evangelista de Jesus, Guilherme de Souza Nucci e do patrício Renê Ariel Dotti (obra muito bem escrita).

Tecla Duran foragido

PatLobo (Administrador)

Por que Tecla Duran não vem ao Brasil prestar depoimento cara a cara e apresentar provas? Porque se vier será presoooooo. Então fica de longe jogando bomba pra ver se cola.

Simples

José C. de Oliveira (Advogado Autônomo)

Porque não é necessário. Aliás, mostra apenas desconhecimento de sua parte. Não há necessidade de vir ao Brasil, assim como não há necessidade sequer de se sair da comarca para prestar depoimento.
Ah, era apenas uma ironia para "desqualificar" o Duran e proteger o ex-mafioso de toga e seu padrinho de casamento que aprenetemente resolveu ganhar uma graninha se aventurando pelo direito penal.

Além de foragido, é confesso

Schneider L. (Servidor)

Sim, ele confessou os crimes no exterior

https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2019/02/22/na-espanha-advogado-reu-na-lava-jato-admite-lavagem-de-dinheiro-para-a-odebrecht.ghtml
<br/>E ele tinha um dos maiores esquemas de lavagem dentro da Odebrecht. Tinha esquemas até com os doleiros da Câmbio Desligo, além de lavar dinheiro juntamente com o operador do PSDB. Só torna mais irônico quando algum lulista se apropria das falas dele. Alas, agora não só lulistas fazem isso, mas bolsonaristas também

Tecla Duran Foragido

Wocosta-Advogado (Advogado Autônomo - Civil)

A resposta é simples, é só ver o conteúdo das conversas ocorridas entre Sérgio Mouro e Dallagnol, iriam persegui-lo implacavelmente, sem ele ter o Direito ao contraditório. É simples assim.

Tacla Duran

João Mezzomo (Auditor Fiscal)

Tacla Duran não vem pois seria preso, se injusta ou justamente é o fulcro da questão. E por que a Espanha deu asilo a ele e não levou em conta a Lava Jato? Em qual justiça vc confia mais? Qual das duas tem interesse político no caso? Me parece bem óbvio para quem quer ver....

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