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"Eu sou a Constituição"

PF desmarca depoimento de Boulos sobre tuíte que contrariou Bolsonaro

Por falta de sala em Brasília, a Polícia Federal desmarcou o depoimento de Guilherme Boulos, que está sendo investigado com base na Lei de Segurança Nacional por críticas feitas ao presidente Jair Bolsonaro. As informações são da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

ReproduçãoGuilherme Boulos, líder do MTST

O ex-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSol foi intimado na semana passada para depor no inquérito que apura se ele "ameaçou" Bolsonaro em postagem no Twitter, em abril do ano passado, quando o presidente da República participou de um ato em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, onde os manifestantes pediam intervenção militar. O presidente então afirmou: "Eu sou a Constituição".

A declaração remeteu a frase atribuída a Luís 14, rei da França por 72 anos no século 17: "O Estado sou eu". O líder do MTST então escreveu: "Um lembrete para Bolsonaro: a dinastia de Luís 14 terminou na guilhotina...".

O presidente não gostou. Então o deputado José Medeiros (Pode-MT) representou contra Boulos no Ministério da Justiça. Por determinação do então ministro da Justiça, André Mendonça, agora advogado-geral da União novamente, a PF abriu um inquérito contra o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. E o intimou a depor.

Semana passada, assim que a notificação a Boulos foi feita, o advogado dele, Alexandre Pacheco Martins, questionou se o depoimento poderia ser virtual. A PF avisou que uma portaria obrigava que ele fosse presencial.

Nesta quarta (28/4), porém, a instituição informou que não tem sala disponível em Brasília para o depoimento, já que a cidade está em lockdown.




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Revista Consultor Jurídico, 28 de abril de 2021, 19h56

Comentários de leitores

1 comentário

Deve estar faltando serviço para o deputado e PF

João Afonso Corrêa (Advogado Autônomo)

O delegado que deu abertura a um inquérito esdrúxulo como esse deve ser responsabilizado pela lei de abuso de autoridade, bem como o deputado que requereu a sua abertura.

Art. 27. Requisitar instauração ou instaurar procedimento investigatório de infração penal ou administrativa, em desfavor de alguém, à falta de qualquer indício da prática de crime, de ilícito funcional ou de infração administrativa:

Art. 30. Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa fundamentada ou contra quem sabe inocente: (Promulgação partes vetadas)

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