Consultor Jurídico

O joio e o trigo

Empresa de ranking coloca uma cachorra entre os 10 melhores advogados dos EUA

Por 

Recentemente, a banca Davis Law Group, de Seattle, EUA, recebeu um comunicado da firma Lawyers of Distinction, indicando que Lucy Davis poderia se qualificar para receber uma placa de “distinção” em 2020. Os advogados do escritório apenas riram. Em 2017, Lucy Davis recebeu uma placa que a classificou como “Lawyer of Distinction” e a colocou entre os melhores 10% dos advogados dos EUA na área de danos pessoais. Um problema: Lucy Davis não era uma advogada. Era uma cachorra poodle.

Poodle 

O diretor de operações da Davis Law Group disse ao Jornal da American Bar Association (ABA) que inscreveu a cachorra para testar a seriedade da premiação – isto é, se a firma realmente fazia pesquisas e entrevistas para avaliar o merecimento dos candidatos.

Ao submeter o pedido de nomeação para o prêmio, a banca informou que Lucy Davis era uma cachorra, que tinha um “Juris Doctor” (doutorado em jurisprudência), e era inscrita na seccional da ABA no Condado de King. Para qualificá-la para receber o prêmio, a banca teve de pagar uma taxa de filiação. A mais barata, atualmente, custa US$ 475 por ano, segundo o Jornal da ABA.

O presidente da Mockingbird Marketing, Conrad Saam, disse ao jornal que há um esforço na comunidade jurídica para ensinar os advogados a separar o joio do trigo, ao avaliarem organizações que fazem ranking de escritórios de advocacia e concedem distinções a advogados. E, se for necessário, testá-las.

Ele escreveu no blog da firma que, em 2018, ele indicou para uma placa “Lawyer of Distinction” a Zippy, galinha de estimação de seu filho, usando o website inexistente deshickeenlaw.com. Ele chegou, com sucesso, à página em que teria de pagar US$ 775 pela filiação de Zippy, para que ela recebesse os melhores benefícios, incluindo uma placa. Mas não pagou.

A diretora da Bame Public Relations Cheryl Bame disse ao jornal que há uma proliferação na comunidade jurídica de organizações que cobram para conceder distinções ou colocar escritórios entre os 10 mais em cada categoria, mas há também organizações que têm uma equipe que faz pesquisas e entrevistas e, realmente, distingue advogados e bancas que se destacam.

Os advogados precisam apenas saber diferenciar uma coisa da outra, porque uma distinção é uma ferramenta de marketing que pode ajudar um escritório a florescer ou um advogado se destacar na multidão.

Um problema dos advogados e escritórios que compram distinções de qualquer tipo é que podem estar enganando os futuros clientes, que não têm ideia se uma distinção é falsa ou verdadeira. “Os clientes tendem a valorizar advogados cujas biografias apresentam várias credenciais e reconhecimentos”, disse ao jornal da diretora de desenvolvimento de negócios da Troutman Sanders Marissa Grignon.

O diretor de operações da Lawyers of Distinction, Keith Allen, disse ao jornal que a firma implementou um novo processo de verificação em 2018, em resposta às críticas que foram feitas a seu sistema de concessão de distinções e ao reconhecimento dos erros cometidos.

“Antes, estávamos usando um sistema automático para avaliar as indicações de advogados. O sistema enviava um e-mail automático aos indicados, notificando-os que podiam se afiliar para receber a distinção. Agora, implementamos um sistema de revisão manual das indicações”, ele disse.

Segundo Allen, agora a plataforma avalia os indicados com base em fatores que consideram suas realizações e também avaliações de colegas. Além disso, é feito um exame de antecedentes, para se certificar de que os indicados não têm histórico de problemas disciplinares nos últimos 10 anos.

Topo da página

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 6 de setembro de 2020, 14h31

Comentários de leitores

5 comentários

Empresa coloca cachorra ...

Arlete Pacheco (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Guardadas as devidas proporções, essa narrativa fez-me lembrar da fábula "O Corvo e a Raposa". Embevecido com os falsos elogios da esperta raposa, o corvo abriu o bico para exibir sua voz, deixando cair o queijo que portava. A esperta raposa então aconselha o corvo a aprender que os oportunistas sobrevivem graças ao crédulos que neles acreditam. Quem paga para obter um premio age como um corvo que perdeu o alimento!

Juris Doctor

Guilherme de Oliveira de Barros (Advogado Associado a Escritório - Internacional)

Apenas para registro, o título de Juris Doctor (J.D.) é equivalente ao nosso bacharelado, vez que é obtido com a conclusão do curso de Direito, não devendo ser traduzido como "doutorado em jurisprudência". Inclusive porque "jurisprudence" não corresponde ao que entendemos como "jurisprudência", mas sim ao conceito amplo de "teoria do Direito".

Aqui no Brasil OAB, criou o selo da vergonha

VASCO VASCONCELOS -ANALISTA,ESCRITOR E JURISTA (Administrador)

Por Vasco Vasconcelos , escritor, jurista.
E aqui no Brasil OAB criou o selo da vergonha, para premiar as faculdades que mais aprovam no seu fraudulento caça-níquei$ exame da OAB.
Durante o lançamento do livro ‘Ilegalidade e inconstitucionalidade do Exame de Ordem do corregedor do TRF da 5º Região, Desembargador Vladimir Souza Carvalho, afirmou que exame da OAB é um monstro criado pela OAB. Disse q nem mesmo a OAB sabe do que ele se trata e que as provas, hoje, têm nível semelhante às realizadas em concursos públicos
“DE TODOS OS ASPECTOS DA MISÉRIA SOCIAL NADA É TÃO DOLOROSO, QUANTO O DESEMPREGO ( Janne Adms)
Senhores membros da ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO – OIT, ajude-nos abolir de vez o trabalho análogo a de escravos no Brasil, a escravidão moderna da OAB e inserir no mercado de trabalho cerca de quase 400 mil cativos ou escravos contemporâneos da OAB, devidamente qualificados pelo Estado (MEC) jogados ao banimento sem direito ao primado do trabalho. "O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso". Antes da promulgação da Lei Áurea, era legal escravizar e tratar as pessoas como coisa, para delas tirarem proveitos econômicos. A história se repete: Refiro-me ao jabuti de ouro da OAB, o famigerado caça-níqueis exame da OAB, cuja única preocupação é bolso dos advogados devidamente qualificados pelo Estado (MEC), jogados ao banimento, sem direito ao primado do trabalho, renegando pessoas a coisas.
Segundo o Egrégio STF a violação do direito ao trabalho digno impacta a capacidade da vítima de realizar escolhas segundo a sua livre determinação. Isso também significa “reduzir alguém a condição análoga à de escravo” (STF)

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 14/09/2020.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.