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Eleições 2020

Partido Libertário pode ter tirado
vitória de Trump nos EUA

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A vitória do presidente-eleito Joe Biden nas eleições de 2020 nos EUA só foi anunciada, extraoficialmente, depois de contados os votos em alguns estados em que a votação foi apertada. Entre esses estados, estão o Arizona, a Pensilvânia, Wisconsin e Geórgia. Inversamente, o presidente Donald Trump pode ter perdido a eleição por causa desses mesmos quatro estados. Republicanos se queixam de que a vitória lhes foi tirada pela candidata do Partido Libertário, Jo Jorgensen.

O Partido Libertário (LP – Libertarian Party) e o Partido Verde (GP – Green Party) são dois partidos pequenos dos EUA. Considera-se que o Partido Libertário tira votos do Partido Republicano e o Partido Verde tira votos do Partido Democrata. Em 2000, o democrata Al Gore perdeu a Flórida para o republicano George Bush por 537 votos — o Partido Verde, que promove a “democracia social”, supostamente tirou 97.421 votos de Gore.

O slogan do Partido Libertário é o “Partido dos Princípios” — muito de seus princípios são semelhantes ao do Partido Republicano. O LP desfralda bandeiras eleitorais tais como capitalismo de livre mercado (laissez-faire), redução de impostos, controle da dívida pública, liberdades civis, governo pequeno em tamanho e escopo, não intervencionismo do governo na vida dos cidadãos (nem para ajudar, nem para atrapalhar), liberação da compra e porte de armas, sem controle legislativo. Tudo na esfera do Partido Republicano.

O partido dá uma guinada para a direita, em relação aos republicanos, quando defende o fim do IRS (Internal Revenue Service, a receita federal dos EUA). E, porque é contra o Estado Previdenciário (welfare state), defende o direito do cidadão de se excluir do sistema de previdência (que faz parte da Social Security Administration.

O LP, como os políticos mais à direita do Partido Republicano, defende a ideia de que cada cidadão, não o estado, deve cuidar de si mesmo. Quando muito, pode utilizar os serviços de entidades beneficentes.

O Partido tem também algumas bandeiras que coincidem com as do Partido Democrata, como a reforma da justiça criminal, fim da pena de morte, descriminalização do consumo de drogas, casamento entre pessoas do mesmo sexo e extinção das leis que proíbem a prostituição. Mas os democratas não penetram no território do Partido Libertário.

Faça as contas
Se nenhum resultado for alterado (como não é esperado) por recontagem de votos ou por decisão judicial, Biden fez 290 delegados para o Colégio Eleitoral — 20 a mais do que os 270 necessários para eleger o presidente dos EUA — em 14 de dezembro. Trump fez 217 delegados.

Os resultados, por estado (com sua quantidade de delegados), número e percentagem de votos, podem ser conferidos no mapa eleitoral divulgado pela MSN (coloque o cursor sobre cada estado para ver os detalhes).

Nos quatro estados (Arizona, Pensilvânia, Wisconsin e Geórgia) em que a candidata do Partido Libertário, Jo Jorgensen, provavelmente tirou votos de Trump, os resultados atuais são os seguintes:

Estado (nº de delegados)

Biden (nº de votos)

Trump 

(votos)

Diferença 

(votos)

Jo Jorgensen 

(votos)

Arizona (11)

1.655.278

1.642.664

12.614

50.642

Pensilvânia (20)

3.381.608

3.331.125

50.483

78.005

Wisconsin (10)

1.630.570

1.610.030

20.540

38.414

Geórgia (16)

2.471.945

2.457.856

14.089

62.053

Total de delegados: 57

 

 

 


 

Nesses estados, o número de votos de Jo Jorgensen foi substancialmente maior do que a diferença de votos entre Biden e Trump.

Se parte dos eleitores do Partido Libertário (o número correspondente ao da coluna da “Diferença” mais um) tivessem votado em Trump, ele teria conquistado os 57 delegados desses estados. Subiria de 217 delegados para 274 (4 a mais do que os 270 necessários para ganhar o Colégio Eleitoral). Nesse campo das possibilidades, o número de delegados de Biden baixaria de 290 para 233.

A sina dos partidos pequenos
O sistema político dos EUA é multipartidário, segundo artigo publicado no site da Biblioteca do Congresso. No entanto, apenas dois partidos, o Republicano e o Democrata, dominam o território. E o crescimento de partidos alternativos é mirrado. Além do LP e do GP, existem o Partido da Constituição, com cerca de 100 mil eleitores registrados, o Partido Socialista, que está desaparecendo, e o Partido da Reforma, sem expressão. Antigamente, o país tinha um Partido Comunista, do qual não se houve mais falar.

Democratas e Republicanos tentam convencer os eleitores a optar pelo voto útil, em vez de votar em partidos pequenos, porque podem dar a vitória ao Partido Democrata (como aconteceu agora) ou ao Partido Republicano (como aconteceu em 2000). Os candidatos dos partidos pequenos se defendem, dizendo que não faz diferença, porque republicanos e democratas são todos farinha do mesmo saco.

No entanto, começam a surgir alternativas. O estado de Maine adotou um sistema, chamado “segundo turno instantâneo”, em que o eleitor pode classificar seus candidatos na cédula por ordem de preferência: candidato número um, número dois, etc. Assim, se seu candidato de preferência não tiver uma votação vencedora no estado, seu voto vai automaticamente para seu segundo candidato de preferência ou mesmo para o terceiro.

Nesse caso, seu voto acabaria indo para o candidato democrata ou republicanos, de qualquer forma. No entanto, o eleitor pode exercer seu direito de escolher um candidato alternativo, ajudar na promoção de seu partido de preferência, sem ser forçado a optar pelo voto útil. Não terá de abrir mão de sua predileção por um partido pequeno, que poderá crescer com o tempo.




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 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 12 de novembro de 2020, 11h20

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