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Forças Armadas servem à nação, não a forças políticas, diz Gilmar Mendes

"As Forças Armadas são instituições da Nação, e não de uma força política. A politização das Forças Armadas será extremamente negativa para elas e para todo o equilíbrio do sistema político."

Essa é a opinião do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, manifestada em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo publicada neste sábado (6/6). Ele comentava a predominância de quadros militares compondo ministérios e secretarias no governo do presidente Jair Bolsonaro.

Apesar do recrudescimento preocupante da radicalização política, o ministro mostrou otimismo com o desenlace dos conflitos. Para ele, a crise dos últimos meses despertou as "forças civis" com uma mensagem clara: "Vamos parar de brincar de ditadura."

"Me parece que as pessoas estão entendendo que isso não é o chamado passeio de um soldado e um cabo. É preciso que se observe que o Brasil é uma nação que tem um apreço pela democracia e que é preciso encerrar essas bravatas, essas ameaças, essa tentativa de coerção dos Poderes a partir de alguns malfeitores das ruas, que se albergaram aí em alguns partidos. Tenho a percepção que vamos superar essa crise de forma muito civilizada", afirmou Gilmar.

Na entrevista, o ministro também lamentou o tom da reunião ministerial de 22 de abril, publicizada no âmbito do inquérito 4.831, relatado por Celso de Mello. Gilmar disse ter visto a reunião com tristeza, e que viu com bons olhos a decisão do presidente de não fazer mais reuniões. "Se for para replicar esse tipo de reunião, de fato, se está realmente a jogar pérolas a porcos, não faz sentido algum. Foram muitos impropérios como esse do ministro da Educação, que, diga-se de passagem, não deu uma palavra sobre educação. Ele faz apenas considerações da crise política e da vontade que ele tinha de prender os 11 “vagabundos” que eram ministros do Supremo, e não houve nenhum reparo de nenhum dos membros."

Quando questionado sobre a comparação que Celso de Mello fez do Brasil à Alemanha nazista, Gilmar disse entender a reflexão do decano. "O que o ministro Celso quer dizer é que essa escalada, se houver o silêncio e a inércia das pessoas que defendem a democracia, daqui a pouco pode ser tarde. Foi isso que ele quis nos advertir, lembrando o que ocorreu inclusive na República de Weimar, chamando atenção para o fato de que, em princípio, Hitler chega ao poder pela via normal, mas depois obtém poderes excepcionais e passa a utilizá-los. Não vou imputar ao presidente propósitos ditatoriais, mas é claro que no seu entorno há gente que está a reverberar o fechamento do Congresso, do STF, uso das Forças Armadas. São todos propósitos inconstitucionais."




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Revista Consultor Jurídico, 7 de junho de 2020, 12h15

Comentários de leitores

3 comentários

Matou aula

Salatiel Pereira de Oliveira (Advogado Autônomo - Previdenciária)

O Ministro esqueceu-se do CONCEITO de NAÇÃO exarado na CF/1988. Que talvez ele só fez uso quando da posse no e. STF. Faço questão de lembra-lo Exc.: "Nação é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, que falam o mesmo idioma e tem os mesmos costumes, formando assim, um povo. Uma nação se mantém unida pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional." www.significados.com.br.

O mesmo vale para o judiciário???

Hugo Marquez Grama (Consultor)

Deixando a "liturgia" de lado... Gilmar, o mesmo vale para o Judiciário!!!
Vocês estão aí para servir a Nação !!!

Entrevista do ministro Gilmar Mendes

José P. Araujo (Servidor)

O ministro Gilmar Mendes pode ser criticado por tantas coisas que já comentou ou fez em julgamentos no Supremo Tribunal Federal, porém a entrevista dada por Sua Excelência ao jornal reflete a sensatez que deveria estar presente nos políticos que governam o Brasil. Tomara que dias melhores possam ocorrer para que saiamos das crises sanitária e econômica melhores do que nos encontramos hoje.

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