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Respeito ao próximo

Advogados públicos repudiam fala de Jefferson sobre ministros

O Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (Ibap) divulgou uma nota pública repudiando tanto a fala do ex-deputado Roberto Jefferson, que ofendeu ministros do Supremo Tribunal Federal, quanto os posts homofóbicos de um procurador do estado de São Paulo ligando gays à pedofilia.

Em entrevista, Roberto Jefferson chamou o ministro Luiz Edson Fachin de "Cármen Miranda"; Luís Roberto Barroso de "Lulu Boca de Veludo",; Gilmar Mendes de "Sapão" e Luiz Fux de "Beija Pé". Ele se referiu aos ministros como "sodomitas".

Leia a íntegra da manifestação:

Nota Pública em defesa do respeito ao próximo, qualquer que seja o seu gênero ou orientação sexual

1. Diante de recentíssimas manifestações advindas de ex-político conhecido nacionalmente, atingindo a honra de ministros do Supremo Tribunal Federal, bem como de advogado público paulista, ofendendo genericamente pessoas em razão de sua orientação sexual, o Instituto Brasileiro de Advocacia Pública - IBAP vem a público manifestar seu repúdio a toda manifestação que, sob o falso pretexto de liberdade de expressão, estimula o desrespeito aos valores democráticos protegidos pela Constituição

2. A propagação de ódio e intolerância, notadamente aquela que tem por alvo grupos minoritários ou vulneráveis, não se situa no campo do livre fluxo de pensamentos que caracteriza o Estado Democrático de Direito; pelo contrário, busca aniquilar o pluralismo de ideias ao mesmo tempo em que insulta, ofende e destrói aquele que pensa diferente.

3. Não se está diante de um conflito entre pensamentos diversos. O respeito ao outro, qualquer que seja seu gênero ou orientação sexual, é valor indiscutível e inegociável que, por sua dimensão humana e democrática, merece a defesa intransigente por parte de todos aqueles que integram a Advocacia Pública.

4. Invocar orientações sexual e de gênero para desqualificar pessoas é duplamente condenável. Em primeiro lugar, ignora o trabalho e as ideias dos acusados para ofendê-los. Em segundo lugar, toma orientações sexuais divergentes como se fossem abjetas e ofensivas, para menosprezar toda a comunidade lgbtqiap+. Esse tipo de atitude só envergonha quem, de forma violenta e arrogante, foge ao verdadeiro embate político e à vida em sociedade. 

5. Em uma sociedade marcada pela desigualdade em múltiplas dimensões, o compromisso com a promoção da igualdade de gênero compreende a necessidade de se garantir que nenhuma pessoa sofra preconceito, discriminação ou violência e, ao mesmo tempo, o desafio de se assegurar a todas igualdade de direitos e oportunidades.

São Paulo, 24 de julho de 2020.




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Revista Consultor Jurídico, 24 de julho de 2020, 13h56

Comentários de leitores

3 comentários

Advogados públicos ...

Arlete Pacheco (Advogado Autônomo - Trabalhista)

O povo, em sua sabedoria e simplicidade desprovidas de diplomas e títulos acadêmicos, diz uma verdade contundente - "quanto mais mexe, mais fede" -, ou seja, às vezes é preferível o silêncio às defesas acaloradas, que podem levantar dúvidas, talvez antes inexistentes!!!

Defesa seletiva?

AC-RJ (Advogado Autônomo)

Não entendi porque o referido instituto decidiu defender os ministros do STF. Os ministros não possuem elevadíssima capacidade de se defenderem por si próprios ou por suas assessorias? Qual o critério para ser defendido por este instituto?

Não há como negar que pelo Brasil afora há pessoas e instituições desamparadas que também precisam ser defendidas e não encontram apoio.

Também posso citar o Presidente Bolsonaro que é perseguido diariamente e nunca vi nenhuma defesa por parte desse instituto.

Se eu estiver errado, por favor, me corrijam.

advogados publicos...,

Regina Neves (Advogado Autônomo - Civil)

Boa tarde a todos.
Bem, diante essa noticia, com todo o respeito, penso que os Ministros do STF do Brasil tem que se defender da fala de Jefferson, o que não fizeram até o momento. Cabe a cada um dos Ministros fazer sua defesa. É só.

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